segunda-feira, abril 13, 2009

Música deveras conveniente


All I'll can ever be to you
Is a darkness that we know,
And this regret I got accustomed to.
Once it was so right
When we were at our high,
Waiting for you in the hotel at night.
I knew I hadn't met my match,
But every moment we could snatch,
I don't know why I got so attached.
It's my responsibility,
And you don't owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
I don't understand,
Why do I stress a man,
When there's so many bigger things at hand,
We could've never had it all,
We had to hit a wall,
So this is an inevitable withdrawal.
Even if I stop wanting you
A perspective pushes true,
I'll be some next man's other woman soon.
I couldn't play myself again,
I should just be my own best friend,
Not fuck myself in the head with stupid men.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above
A blaze
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
I wish I could say no regrets,
And no emotional debts,
Cause as we kiss goodbye the sun sets.
So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above a blaze that only lovers see.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In my blue shade
My tears dry on their own.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I am grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry on their own.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry...
(tears dry on their own)

domingo, abril 12, 2009

Da série: coisas que não fazem mais sentido depois que você cresce

A Páscoa.

Tenho uma família grande. Grande e unida. Já foi mais, fato, mas unida. Logo, datas comemorativas sempre foram motivo de nos reunir. Assim, me lembro de como foi triste o primeiro feriado da Páscoa que não passei junto com todos. Foi estranho. Eu gosto de rituais. Acredito que eles sejam fundamentais para tornar "um dia diferente dos outros dias, uma hora diferente das outras horas". Assim, a sexta feira santa sem a torta da tia Maria, não foi a mesma coisa. Não me importava em ganhar muitos ovos de Páscoa, o que eu realmente gostava era isso: estarmos todos juntos, falando alto, brigando, rindo, comendo.. enfim, juntos.
Com o tempo, cada vez menos fomos nos reunindo nesse dia.. e cada vez menos sentido a Páscoa faz para mim.
Em tempos mais católicos, respeitava e seguia toda a simbologia que envolve esse dia, mas hoje, tenho uma outra visão.Ainda respeito, não vou fazer um churrasco na sexta feira da Paixão. Simplesmente porque tem todos os outros mil dias no ano para se fazer um churrasco. Se vc não quer não comer carne vermelha, tudo bem, mas fazer um churrasco é apenas uma afronta. Uma afronta gratuita. Mas o que eu simplesmente não compreendo é a finalidade de tanta simbologia: Por que deixar de tomar refrigerante durante a quaresma? Por que não comer carne vermelha no dia da paixão?De que vale atravessar uma ponte inteira de joelhos? Por que essa exaltação do sofrimento!?

Seria válido se tudo isso provocasse mudança de comportamento. Se depois de deixar de comer carne vermelha, você fosse capaz de pensar também na criança que não ganha ovo de páscoa e do quanto isso é importante pra ela. Se ao atravessar a ponte de joelhos para agradecer uma graça, você se lembre de que não custa nada ir até um hospital arrancar um sorriso de alguém que passou o feriado dentro de um quarto. Ou ainda que ao fim da quaresma, vc perceba que ficar sem tomar refrigerante não é sacrifício nenhum, sacrifício é sustentar uma família com um salário mínimo.

Se a Páscoa seria um momento de renascer, renovar e aceitar a lição de amor deixada por Cristo, penso que os cristão a banalizaram completamente. Escondem-se atrás de um monte de simbologias criadas sabe-se lá por quem e continuam com seu espírito mediocre.

Não sei se posso ainda me considerar católica. Prefiro me considerar apenas cristã. Procuro evitar que os dogmas de uma igreja não me ceguem com relação a lição mais bonita que existe relacionada a essa data: a possibilidade de ressuscitar. Ressuscitar os sentimentos bons, fazer nascer alguém que não existia dentro de você, e aos poucos, servir de exemplo, fazer a diferença.

Feliz Páscoa! Que vcs possam apreciar seus chocolates, curtir suas famílias, amigos, namorados.. e pensar, pelo menos um pouco, no que realmente esse dia significa.

sábado, abril 11, 2009

Salto alto, unhas vermelhas, o gloss fecha o visual maquiado e noturno. Os olhos escuros, o rímel, o blush para dar um ar saudável a pele.. Sai pela porta e deixa o rastro do perfume junto com o barulho das chaves do carro. É um ritual.
Todos os fins de semana, a cena se repete. Prepara-se pra uma noite que já sabe como vai ser..
Não entendia mais porque insistia em seguir esse mesmo caminho se ele parece já não fazer mais sentido.
A bebida faz que com que se enquadre na ditadura da felicidade, ri muito, dança, sente-se invencível, poderosa, absoluta. Tudo enganação. No fim da noite, junto com o sono, a decepção para consigo. Deixou-se levar mais uma vez.. enganou-se por mais um sábado. E fará isso mais quantas vezes?
Não quer mais se sentir obrigada a ser feliz. Queria realmente estar feliz, plenamente feliz. Não queria mais apenas conformar-se com o que tem e acreditar que poderia ser feliz apenas assim. Falta-lhe ambição, aliás, não permitem a ambição. Consideram-lhe ingrata.
Quem consideram? Quem são esses que importam tanto? Que sufocam, pressionam?
Apontam, julgam, determinam em meio a suprema vaidade humana. Julgam-se capazes de afirmar categoricamente o que é melhor para você. E você se esforça para agradá-los.
Estava realmente farta. Não queria mais colocar o salto alto. Não queria mais preocupar-se em impressionar. Não queria mais procurar pelo que não existe. Queria já ter encontrado e então, poder viver outro momento, criar novos rituais, ter novas ambições..
Queria querbar o seu ciclo, seguir um novo caminho, ser uma nova pessoa.
Queria..
falta-lhe coragem. É fraca. E acima de tudo, medrosa. Mais fácil culpar a tudo que a cerca por ser como é.. difícil reconhecer que enquanto puser a culpa n'Eles, continuará assim... vazia.

A palavra é meu domínio sobre o mundo

"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?"


....


"Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra."

...



Por enquanto estou inventando a tua presença

....

O que me atormenta é q tudo é 'por enquanto', nada é ' sempre'“.

....

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias

.....

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.

...

Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.


Clarice Lispector.

sábado, abril 04, 2009

Interessam? ou não?

Houve um tempo em que esse blog era mais movimentado. Costumava escrever sempre, sobre diversos assuntos... ultimamente, "malemá" posto um texto que nem sequer é de minha autoria! Não sei ao certo o que me fez parar de escrever, mas ando meio "sem inspiração". Acho que não tenho mais tanta disposição pra refletir sobre os porquês (os tantos porquês) da vida.
Bom, mas como nunca se abandona de vez uma paixão, volto com um novo texto! voilá!

Mentiras sinceras


Peguei o livro que estava sobre a mesa e passei os olhos pela contracapa: Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)

A palavra foi feita para dizer. Ao mesmo tempo que pareceu uma afirmação obvia tornou-se esclarecedora. É curioso como o obvio ainda causa espanto. Pois então não é assim que deveria ser? Não deveria ser esse o único objetivo das palavras? Dizer. Simples assim.

Dizer, não mentir. Dizer, não enganar. Dizer, não enrolar. Dizer, não falsear.
Pensei em todas as palavras que escuto todos os dias e quais delas realmente diziam alguma coisa. Em quantas delas são absolutamente desnecessárias. E como eu ficaria muito melhor sem nunca tê-las ouvido.

As pessoas se esquecem que a palavra tem autoridade sobre as coisas do mundo. Ou seja, a partir do momento em que é dita, pressupõe-se que é uma verdade. Porém o sentido anda tão banalizado, que os valores se inverteram: partimos do princípio de que é uma mentira. Mentira sincera, mas mentira. Que leva tempo e paciência para atingir o status de verdade.

Falsos elogios. Falsas saudades. Falsos cumprimentos. Que são proferidos por hábito, sem nenhuma consciência do que significam. Azar daqueles que porventura, acreditam.

Pois foi essa última frase que me fez escrever correndo o risco de até mesmo cair nesse mesmo erro. Afinal, as palavras são sedutoras, enganam, confundem, dissimulam... É fácil esconder-se por de trás delas.

Graciliano Ramos refere-se ao ato de escrever, quem já leu uma obra dele sabe bem o porquê dessa afirmação: frases curtas, diretas, intensas. Em uma frase Graciliano é capaz de tocar. Até mesmo seus personagens, Fabiano, de Vidas Secas, não sabe falar, se atrapalha com as letras, mas o narrador é capaz de expor toda sua complexidade interior, sem muitos rodeios... com as mesmas frases simples e definitivas.

E é isso que eu quero: palavras simples, mas definitivas. Que digam, e por dizer, construam realidades.

Cazuza que me perdoe, mas mentiras sinceras, não me interessam.

quinta-feira, março 05, 2009

Lembrei dessa música...

Um clássico. E como todo clássico... bem.. e não é que é? 

Quem um dia irá dizer que existe razão 
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer 
Que não existe razão? 


Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar 
Ficou deitado e viu que horas eram 
Enquanto Mônica tomava um conhaque 
Noutro canto da cidade 
Como eles disseram 

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer 
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer 
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse 
- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir 
Festa estranha, com gente esquisita 
- Eu não tou legal, não agüento mais birita 
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais 
Sobre o boyzinho que tentava impressionar 
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa 
- É quase duas, eu vou me ferrar 

Eduardo e Mônica trocaram telefone 
Depois telefonaram e decidiram se encontrar 
O Eduardo sugeriu uma lanchonete 
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard 
Se encontraram então no parque da cidade 
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo 
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar 
Mas a menina tinha tinta no cabelo 

Eduardo e Mônica eram nada parecidos 
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis 
Ela fazia Medicina e falava alemão 
E ele ainda nas aulinhas de inglês 
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus 
De Van Gogh e dos Mutantes 
Do Caetano e de Rimbaud 
E o Eduardo gostava de novela 
E jogava futebol-de-botão com seu avô 
Ela falava coisas sobre o Planalto Central 
Também magia e meditação 
E o Eduardo ainda estava 
No esquema "escola, cinema, clube, televisão" 

E, mesmo com tudo diferente 
Veio mesmo, de repente 
Uma vontade de se ver 
E os dois se encontravam todo dia 
E a vontade crescia 
Como tinha de ser 

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia 
Teatro e artesanato e foram viajar 
A Mônica explicava pro Eduardo 
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar 
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer 
E decidiu trabalhar 
E ela se formou no mesmo mês 
Em que ele passou no vestibular 
E os dois comemoraram juntos 
E também brigaram juntos, muitas vezes depois 
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa 
Que nem feijão com arroz 

Construíram uma casa uns dois anos atrás 
Mais ou menos quando os gêmeos vieram 
Batalharam grana e seguraram legal 
A barra mais pesada que tiveram 

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília 
E a nossa amizade dá saudade no verão 
Só que nessas férias não vão viajar 
Porque o filhinho do Eduardo 
Tá de recuperação 

E quem um dia irá dizer que existe razão 
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer 
Que não existe razão?


quarta-feira, fevereiro 11, 2009



Ganhei esse selinho do Du, do blog http://www.dacordasuapaz.blogspot.com/, o qual, aliás, é excelente!!! Muito Obrigada, Du! e continue escrevendo seus textos tão suaves e bonitos!!
Bom, agora tenho que continuar né? Seguir as regras.. vamos lá!

1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” Que vc acabou de ganhar!!!
2- Poste o link do blog que te indicou.(muito importante!!!)
3- Indique 10 blogs de sua preferência;
4- Avise seus indicados;
5- Publique as regras;
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras;
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B !

Os blogs indicados são:
1) http://maisqueblablabla.blogspot.com/ (companheira de IEL)
2) http://diantedachance.blogspot.com/ (Diego, já pensou em escrever novelas? rss)
3) http://www.blogdocreco.blogspot.com/
4) http://liquimix.zip.net/ (também parceira de IEL, doutoranda! aliás!)
5) http://complexodepagu.blogspot.com/ (a socióloga que devia voltar a escrever mais..)
6) http://poetasbarrota.blogspot.com/ (meus poetas favoritos)
7) http://perolasdamimi.spaces.live.com/ (só da IEL aqui..rss)
8) http://modeloclassico.blogspot.com/
9) http://junioroliveira.blogspot.com/
10) http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Era uma vez...


No castelo, vivia um princesa. Ela pintava as unhas de vermelho e gostava de fazer caretas na frente do espelho. Ela detesta quando levanta e ainda está escuro, também quando deita já está claro. Igual a quando misturam doce com salgado na comida. Cada coisa no seu lugar, não é mesmo?
Não era uma princesa como as outras. Nem sequer sabia cozinhar e seu castelo, nem era lá aquelas coisas. Ora, será que ela era mesmo uma princesa? Ela mesma se questionava sobre isso, afinal, como poderia ser uma princesa..parecia tão..tão.. normal! Não acordava bem humorada, não sorria a todo tempo, derrubava tudo, quebrava tudo, tropeça, cai.. onde estava aquela sutileza e delicadeza de gestos e atos narradas nos contos de fadas?Com certeza, tinha todos os motivos para duvidar da sua "realeza"...
Poderia não ser uma princesa perfeita como parecem ser as outras... mas sonhava como todas elas. Quando menos se esperava, ela já se via pensando nele. O princípe.. que não viria no cavalo branco, mas que seria aquele capaz de a fazer rir em uma terça feira qualquer. Aquele que implicaria com uma mania sua, ao passo que ela implicaria com o jeito que ele arruma o cabelo. Gostariam da mesma música e odiariam muitas outras. Teriam olhares em comum, através do qual se entenderiam sem maiores explicações. E com o tempo, saberiam até prever qual seria o gesto ou a palavra. E ela gostaria de fazer as coisas para agradá-lo só para depois poder vê-lo sorrir. Em seus sonhos, tinha certeza, de que adoraria vê-lo sorrir. Não precisariam de exageros e declarações apaixonadas, porque já saberiam. Estaria dito a todo momento. E seriam felizes para sempre. Mesmo que o pra sempre... não exista.
Fim!

segunda-feira, novembro 17, 2008

Suspiro

Logo pela manhã o sol já gritava na janela. Era o Verão. Mais um verão. Escondeu as meias no canto da gaveta e fechou as blusas no armário sem nem sequer se despedir. "Adeus, Inverno.."

Estava feliz em receber o verão pela janela mais uma vez. O querido amigo Verão, aquele que sempre traz tantas histórias. As melhores, por sinal! Os melhores fins de tarde, os melhores amigos, as melhores paixões..


"Ahh... o Verão! o que seria da minha vida sem vc? Muito mais sem graça, com certeza!"respondeu a si com toda convicção. O mais triste do verão, é quando ele acaba. Parece que junto com o sol, vai todo aquele vigor, aquela sensação de que tudo é possível, de que não existem amarras e tudo pode acontecer.

Mas não era nisso que queria pensar diante daquele sol. Não queria lembrar dos verões passados. Não queria lembrar do que se sucedeu a eles. Afinal, aquele sol já não era o mesmo. Afinal, ela já não era a mesma. De um verão para o outro, sentia muito mais que um ano.. não dizia como todos, não sentia que tinha passado rápido. Sentiu cada mês desse longo ano. Viveu cada segundo de cada dura conversa. Sentiu pesadamente os dias até cada dor passar. E sorria enquanto tudo isso acontecia e parecia não mais acabar. Viveu cada noite de festa como se fossem intermináveis momentos de alegria.Definitivamente.. nunca esperou tanto por um novo verão.

E esperou poder acreditar nesse novo verão.. e o sol estava ali. Mostrando que ele tinha chegado.

E ela acreditava.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Felicidade?!?

Lóri estava suavemente espantada. Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois seus olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que eu faço com a felicidade? que faço dessa paz estranha e aguda que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. Não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade.
(O livro dos prazeres, Clarice Lispector)

Quando era mais nova não gostava de ler Clarice. Não gostava porque eu não entendia. E na verdade, ainda não sei se entendo. Ou melhor, sei. Não entendo. Não é para entender. Vc passa a entender Clarice quando vc sente. Parece uma frase "emo", mas é assim que eu encaro a literatura da Lispector. É algo que vc lê, e não consegue guardar pra vc, quer compartilhar, quer discutir, entender... e isso acontece porque ela penetra a fundo no ser humano. Ela teve a coragem de escrever o que todo mundo sente.
Todos nós já fomos como a Lóri em algum momento (senão em vários). O ser humano não gosta de ser feliz, é só ele se sentir feliz e já busca um outro motivo para se chatear. A velha disputa do "quem sofre mais". É mais louvável ser sofrível, ser feliz não é interessante. Todos dizem ser felizes, estarem felizes.. da boca pra fora, na primeira brecha que têm, buscam a mediocridade, algo que os faça querer mais. Mais felicidade.. Esta não está boa. Esse é o vazio.
Fala-se tanto em buscar a felicidade, procure o que te faz feliz, faça o possível pra ser feliz... e, será que ninguém nunca se perguntou se essa busca é eterna? Afinal, nunca ouvi alguém dizer: "Ah, agora sim, estou feliz, não preciso de mais nada." Só vejo pessoas dizendo incessantemente que estão buscando ser felizes..
Creio que todos sintam como a Lóri, na hora que se dão conta de que encontraram a felicidade, sentem um vazio. "E agora?". O que fazer com essa felicidade.. "tá e aí?". E por não se contentarem com ela, vivem na mediocridade, na busca de uma felicidade que não existe, que está sabe-se lá onde, inalcansável.
É difícil assumir as fraquezas humanas. Uma vez que são tantas! E muitas vezes, tão fúteis. Por isso que ler Clarice dói, porque ela fala. E vc se reconhece, mas não quer se reconhecer. Prefere continuar no "jogo do contente".. vestindo as máscaras que nos escondem de nós mesmos.

sábado, outubro 11, 2008

Mire e Veja:

Acordou num sobressalto. Olhou o visor do celular, ainda com a visão embaçada de quando levantamos de um sono profundo. Não era a hora de acordar, ao mesmo tempo, sentiu alívio e cansaço. Alívio por poder passar mais alguns minutos deitada na cama. Cansaço justamente pelo poucos. Os poucos que poderiam ser muitos...
Um novo sobressalto. Perdeu-se. Deixou-se levar. Agora, poucos eram os minutos antes de começar o dia. Enquanto se vestia, uma série de pensamentos vinham a mente.. que dia era mesmo? quais aulas? o material está aqui ou no armário? à tarde, vou dormir.. com certeza.. não quero saber!!!
Aos poucos tudo vai se encaixando.. e o trauma do despertar já não mais pertuba. Seria um dia como outro qualquer..
Seria? Nunca é.
Quando se vive cercado de pessoas, percebe-se que um dia nunca é igual ao outro. Por mais que sejam as mesmas pessoas, a mesma rotina, o mesmo lugar. Cada dia vc descobre algo novo..
Aquele jeito do seu amigo de fechar os olhos quando dá risada que vc nunca tinha reparado. Um novo jeito de pronunciar o "s", ou um trejeito de mão ao contar uma história. Um olhar te atento ao te ouvir, quando vc achava que aquele assunto era sem importância. Ou ainda, um elogio disfarçado, pra algo que parece banal..
As pessoas são realmente fantásticas. Quando vc acha que já as conhece por inteiro, ainda é capaz de se surpreender. Como é capaz de decepcionar também. E assim, os dias parecem iguais, previsíveis, mas surpreendem, cada vez mais..
"Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando."Guimarães Rosa

quinta-feira, setembro 04, 2008

03/09/2008


3+9+2+0+0+8=22. Vinte dois anos. Quarta feira. Há 22 anos, exatamente em uma quarta feira, eu nascia. Quarta feira é o dia do signo de virgem. Meu signo.
Aparentemente, são muitas coincidências. Significam algo? As vezes, são só coincidências..
Só sei que foi um aniversário diferente.
Há muito tempo eu não ouvia o "Parabéns" cantado em sala de aula. E dessa vez, acho que foram uns quatro!!!!! E qual foi a minha surpresa também ao ver minha página de recados recheada de recados.... de alunos!!! Daqueles bagunceiros, daqueles cdf's, daqueles desligados.. váriosss.. de várias fases!! E foram eles que contribuiram para que fosse um aniversário mesmo diferente!!!

Queria agradecer.
Obrigada pela ligação interurbana. Pelo abraço que veio de longe, mas que eu senti. Obrigada pelos recados, pelas palavras coloridas ou não. Obrigada pelos telefonemas inusitados. Obrigada pelos abraços. Pelos sorrisos. Pelos desejos de felicidade. Pelo presente feito a mão. Pela ajuda com o convite. Pelo apoio. Pelo incentivo. Por aquele escolhido com cuidado. Pela cartinha. Pela lembrança de além mar. Pelo email poético. Pela passagem relâmpago. Pelos brindes de cerveja. Pela mensagem no celular. Pelo carinho pelo msn. Pelas fotos. Pelos videos. Pelo bolo com cereja. Pelo carinho... Obrigada, pela existência de todas essas pessoas lindas na minha vida. Que eu possa ser cada vez mais um pouco delas, que eu nunca esqueça esses sorrisos. Obrigada pelas pessoas que fizeram desse dia especial. Que de alguma forma se fizeram presente. Sou grata a todos por isso. E um pouco mais feliz também!

É bom quando a alegria supera as falsas promessas, o descaso e a indiferença..

Sim, realmente vale a pena!

segunda-feira, agosto 11, 2008

Em defesa da Alface:

"a gente nao sabe se quem sofre mais eh um frango, pq ele eh um animal e faz parte da mesma cadeia que a gente... ou se eh uma alface... pq ng pode ver, saber, ouvir, entender se ela sente alguma coisa"
(Sírio Possenti, professor do IEL - Unicamp, doutor em Linguistica - Análise do Discurso)

11/08/08

NEH?

sábado, agosto 09, 2008

I can change..

Fazia tempo que não voltava lá. Sempre que passava, era rápida e distraídamente, havia outros afazeres. Outros destinos: o PB ou ainda a tediosa Faculdade de Educação. Essa última terça feira, voltei. Ventava, como sempre. E as árvorezinhas da arcádia balançavam, e faziam aquele barulho tão peculiar do vento entre as folhas. O corredor, os cartazes, as pessoas. Segui para a sala do telão, a sala tava cheia e eu estava tão atordoada pro estar atrasada que nem agradeci quem tinha me entregado a folha de papel que continha o programa. Me concentrei e li a ementa: Uma viagem pela literatura latino-america contemporânea.
Definitivamente, aqui é o meu lugar. Querido IEL, como foi bom voltar!!!

...

Acordei depois de levantar a praticamente cada hora. São poucas as coisas que tiram o meu sono, uma delas (quase a única) é a ansiedade. A noite foi longa.. vários sobressaltos. E o relógio me avisava que ainda não era a hora. Por fim, chegou. Por fim. levantei para começar de novo. Tudo de novo. Novo grupo, novas regras, novo conteúdo, nova rotina, novo horário, novos alunos..
Novos alunos. Acho que foram eles que tiraram meu sono. O que será que pensariam? Será que iriam gostar? Será que vou atender às expectativas?

- Bom dia, pessoal!
-Bom dia, professora! - e o sorriso me trouxe o apoio que eu precisava.

....
episódio 1:

MURILO:

eu fui um dos finalistas da escola e fui ate a eptv quata feira

Episódio 2:

http://www.youtube.com/watch?v=SuqvIkniiIY

Eu não disse que vale a pena???


Foi um mês de Julho bem complicado. Complicado quanto às incertezas. Estou formada ou não? Estou empregada ou não? Quantas a dúvidas, e nenhuma resposta. Cansada de dizer "vamos esperar". E esperar nem mesmo ao certo pelo que. Impaciência, cansaço, decepções, reencontros.. bons reencontros! Foi um mês curto e ao mesmo tempo longo.. mas que trouxe boas respostas, boas mudanças. Agora, mais um inferno astral antes de mais um ano de vida. Um ano que eu espero que acompanhe essas mudanças, e que traga outras. Pra melhor. Sempre!

sexta-feira, agosto 01, 2008

Owner of lonely heart

Se mova, você sempre vive sua vida;
Nunca pensando no futuro;
Se submeta, você é o que se move;
Tenha suas chances, vencedor ou perdedor;
Se veja, você é o passo que dá;
Você e você e isso é o único jeito;
Agite, se agite, você é cada movimento que faz;
Então a história segue.

Dono de um coração solitário;
É muito melhor do que ser;
Dono de um coração partido;

Dono de um coração solitário.

Diga que você não quer ter essa chance;
Você se machucou muito antes;
Veja agora, a águia no céu;
Como dança, única e só;
Você, se perdeu; não foi por piedade;
Não tem nenhuma razão real pra ficar sozinho;
Seja você mesmo, dê a seu sentimento de liberdade uma chance;
Você teve que querer em obter sucesso.

Dono de um coração solitário;
É muito melhor do que ser;
Dono de um coração partido;

Dono de um coração solitário;

Depois de minha própria decisão;
Eles me confundiram bastante;
Dono de um coração solitário;
Meu amor nunca disse questionar sua vontade como um todo;
No fim você teve de olhar antes de pular fora;
Dono de um coração solitário;
E você não vai vacilar agora; não, não?

Dono de um coração solitário;
É muito melhor do que ser;
Dono de um coração partido;

Dono de um coração solitário.

Mais cedo ou mais tarde, cada conclusão;
Vai decidir o coração solitário;
Dono de um coração solitário;
Vai excitar, vai deliciar;
Vai dar um melhor início;
Dono de um coração solitário;
Não engane sua liberdade como um todo;
Dono de um coração solitário;
Não engane sua liberdade como um todo;
Apenas o acolha.

quinta-feira, julho 24, 2008

Balada

Luzes coloridas, músicas, vozes, perfumes.
Luzes que ofuscam ao invés de iluminarem,
Música que ensurdece
Vozes que soam palavras falsas, efêmeras
Perfumes que se misturam a fumaça do cigarro
Sorrisos forçados, beijos vazios
olhares tendeciosos
olhares fúteis
comentários a cerca da aparência, do estilo, do jeito..
bebidas, bebidas, bebidas
a música continua a ensurdecer..
"Never stop the music"
o som aumenta
aumenta o vazio..
o sorriso esconde a falta do brilho
Alguém percebe que ele se foi?
a bebida busca preencer o vazio que não tem fim
a droga traz a ilusão
é quando ela se vai
o vazio não vai junto.
ele fica
atormenta
incomoda
questiona..
o vazio, que não tem fim.

terça-feira, julho 22, 2008



Ela gostava de sentir o sol no inverno. Gostava muito do sol, e no inverno mais ainda, pois podia senti-lo aquecendo o seu corpo. Era como se estivessem mais próximos, como se pudesse tocá-lo de verdade, numa troca íntima e essencial.
Naquele dia, ainda com os cabelos emaranhados e o olho meio aberto, saiu do ar gélido dos azulejos e sentiu o sol daquele iverno. Ficou parada, por alguns segundos, sentido o calor que tomava suas mãos. Olhou, sentiu e soltou um leve sorriso de gratidão inconsciente.
Se pudesse ficaria o dia todo ali, apenas ela e o sol. Sem mais ninguém.Desligaria o telefone, desligaria o computador, desligaria a mente. Principalmente, a mente. É possível desligar a mente? Ela achava que era. Cada vez que vinha aquele pensamento indesejado, ela buscava fugir. Ria, se enganava, buscava algo inútil pra fazer. Não queria pensamentos sérios. Eles exigem muito de nós. Estava cansada de se sentir cansada. Esse cansaço intesgotável. Não importa o que fizesse, sentia-se cansada. Cansada da paisagem, da rotina, da mesmisse. Agradecia ao Sol. Por não se entregar ao cansaço. Compartilhava com ele seus planos e ele os enchia de brilho, esperança e vigor. Agradecia ao Sol e torcia para que ele não fosse, nem levasse com ele tudo aquilo que lhe traz uma satifação inebriante.

O mundo não é cor de rosa.

Diante do horror do mundo, temos de ser felizes

ARNALDO JABOR

O Brasil está se defrontando com o absurdo de sua estrutura institucional. Esta explosão galáctica da crise entre polícia, política, Judiciário, empresariado, Estado e capital revela o tumor do absurdo nacional. Olho em volta e tenho de comentar o incompreensível, o indestrutível, o inexplicável, o inevitável, o incurável, o impossível.

É desanimador. Deprimo porque vivemos no Brasil uma dupla mensagem: tragédia nas notícias e gargalhadas nas revistas de celebridades. Dentro da paisagem tenebrosa, somos obrigados a ser felizes.

Hoje em dia é proibido sofrer. Temos de "funcionar", temos de rir, de gozar, de ser belos, magros, chiques, tesudos, em suma, temos de ter "qualidade total", como os produtos.
Para isso, há o Prozac, o Viagra, os "uppers", os "downers", senão nos encostam como mercadorias depreciadas.

No entanto, a depressão tem grande importância para a sabedoria; sem algum desencanto com a vida, sem um ceticismo crítico, ninguém chega a uma reflexão decente.

O bobo alegre não filosofa, pois, mesmo para louvar a alegria, é preciso incluir o gosto da tragédia. No pós-guerra, tivemos o existencialismo, o suicídio da literatura com gênios como Beckett e Camus ou o teatro do absurdo, o homem entre o sim e o não, entre a vida e o nada.

A infelicidade de hoje é dissimulada na alegria obrigatória.

"A depressão não é comercial", lamentou um costureiro gay à beira do suicídio, mas que tinha
de sorrir sempre, para não perder a freguesia.

O bode pós-moderno vem da insatisfação de estar aquém de uma felicidade prometida pela propaganda e pelo mercado.

É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Ninguém quer ser "sujeito", com limites, angústias; homens e mulheres querem ser mercadorias sedutoras, como BMWs, Ninjas Kawasaki.

E aí, toma choque, toma pílula, toma tarja preta. Só nos resta essa felicidade vagabunda fetichizada em êxtases volúveis, famas de 15 minutos, "fast fucks", raves sem rumo.

O mercado nos satisfaz com rapidez sinistra: a voracidade, o tesão, o amor.

E pensamos: "E se não houvesse mais desejo? Eu posso escolher o filme ou música que quiser, mas, nessa aparente liberdade, "quem" me pergunta o que eu quero?

A interatividade é uma falsificação da liberdade, pois ignora meu direito de nada querer. Eu não quero nada. Não quero comprar nada, não quero saber nada, quero ficar deprimido em paz.
Estava neste ponto do artigo quando um Ananda Rubinstein, cientista política, me enviou um texto chamado "Elogio da melancolia", de Eric G. Wilson, da Universidade de Wake Forest.

Veio a calhar. Com destreza acadêmica, ele aprofunda meus conceitos. Ele escreve:

"Estamos aniquilando a melancolia. Inventaram a ciência da felicidade. Livros de auto-ajuda, pílulas da alegria, tudo cria um ‘admirável mundo novo’ sem bodes, felicidade sem penas. Isto é perigoso, pois anula uma parte essencial da vida: a tristeza."

Ele continua:

"Não sou contra a alegria em geral, claro... Nem romantizo a depressão clínica, que exige tratamento. Mas sinto que somos inebriados pela moda americana de felicidade.
Podemos crer que estamos levando ótimas vidas simpáticas e livres quando nos comportamos artificialmente como robôs, caindo no conto dos desgastados comportamentos ‘felizes’, nas convenções do contentamento.

Enganados, perdemos o espantoso mistério do cosmo, sua treva luminosa, sua terrível beleza. O sonho americano de felicidade pode ser um pesadelo.

O poeta John Keats morreu tuberculoso, em meio a brutais tragédias, mas nunca denunciou a vida. Transformou sua desgraça em uma fonte vital de beleza.

As coisas são belas porque morrem - ele clamava. A rosa de porcelana não é tão bela como aquela que desmaia e fenece.

A melancolia, a consciência do tempo finito é o lugar de onde se contempla a beleza. Há uma conexão entre tristeza, beleza e morte.

Só o melancólico cria a arte e pode celebrar a experiência do transitório resplendor da vida. A melancolia, longe de ser uma doença, é quase um convite milagroso para transcender o ‘status quo’ banal e imaginar inéditas possibilidades de existência.

Sem a melancolia, a terra congelaria num estado fixo, previsível como metal. Deste modo, o mundo se torna desinteressante e morre. Todo mundo ficaria contente com o que lhe é dado (que, alias, é o sonho do mercado - a satisfação completa do freguês).

Mas quando a gente permite que a melancolia floresça no coração, o universo, antes inanimado, ganha vida, subitamente. Regras finitas dissolvem-se diante de infinitas possibilidades.
A felicidade torna-se pouco - passamos a querer algo mais: a alegria (‘joy’). Mas, por que não aceitamos isso e continuamos a desejar o inferno da satisfação total, a felicidade plena?
A resposta é simples: por medo.

A maioria se esconde atrás de sorrisos tensos porque tem medo de encarar a complexidade do mundo, seu mistério impreciso, suas terríveis belezas.

Para fugir desta contemplação atemorizante, nos perdemos em distrações vãs e em um bom humor programado.

Somos de uma natureza incompleta, somos de vagas potencialidades, e isto faz da vida uma luta constante em face do desconhecido.

Usamos uma máscara falsa, sorridente, um disfarce para nos proteger do abismo.
Mas, este abismo é também nossa salvação.

Ser contra a felicidade é abraçar o êxtase.

A aceitação do incompleto é um chamado à vida. A fragmentação é liberdade.

É isso aí.

A felicidade tem um pouco de tristeza.
(Por Arnaldo Jabor, 22/07/2008 - O Es
tado De São Paulo)

sexta-feira, julho 18, 2008

E viveram felizes para sempre!



Lembro muito bem do primeiro dia em que vi a Aline. Ela estava sentada no corredor do Iel, conversando com a Marcela e contando que tinha perdido uma pasta. Nessa pasta tinha vários papéis importantes e entre eles, uma carta para o seu namorado. Eu não sabia nada sobre ela: não sabia quantos anos ela tinha, nem onde morava, mas eu pude ver, naquele momento, naqueles olhos intensos e puros, na doçura com que lembrou-se dele, que ele era um cara especial. E assim, por durante um ano, mesmo sem ver o rosto, nós sabíamos quem era o Fer. E torcemos tanto pra que ele viesse e esperamos ansiosamente por conhecê-lo, e quando ele chegou, ele nos conhecía. E nós o conhecíamos. Não foi preciso dizer nada, ele é o Fer. Nós, as meninas. Temos um amor em comum, a nossa Ketrina, essa pessoa que é ao mesmo tão fácil e tão difícil amar. E em meio a essa complexidade, os sentimentos acontecem naturalmente. E alguém como a Aline, só é possível mesmo amar.
Ele tem cachinhos loiros, ela cabelos negros. Ele, os olhos verdes e sereno. Ela, cor de amêndoas e ingênuo. Ele fala manso.. suave.. Ela fala. E fala. E repete, e conta tudo com detalhes. Ele ri baixinho e tem um humor peculiar e ela tem uma gargalhada exagerada e emite sons no final dela. Ele, da história, ela da Letras. E assim eles se completam.
E eu, que muitas vezes desacredito do amor. E eu, que muitas vezes desacredito das pessoas e do mundo. E eu que nem ao certo sei muito bem o que é o amor. Olho pra Fernando e Aline e tenho certeza, isso é amor. O sorriso que ela faz quando mostra a foto dele criança que carrega na pasta, aquele ano de incansáveis emails e cartas que buscavam preencher o vazio, as brigas e choros que acabam em abraços e beijos. A compreensão. A cumplicidade. As diferenças e as afinidades. Tudo isso se encaixa, se entende, se confunde.. Não existe Aline sem Fernando. Não existe Fernando sem Aline. Posso não poder por em palavras o que é o amor, mas eu sei: Fernando e Aline é amor.

"Te amo, sempre te amei (mesmo antes de te conhecer) e continuarei te amando depois q tudo acabar!!!Obrigada meu eu, meu amor, minha vida, o pai dos NOSSOS filhos "
...
"Preciso trabalhar para casar logo com a Aline. Não aguento mais não poder desejar a ela seu último boa noite e seu primeiro bom dia, eu a AMO.
Obrigado por vc ser tudo o que é e por não estar satisfeita com isso e sempre crescer mais, obrigado por ser eu e por eu ser vc, te AMO. "

O dia chegou, Fer. E nós sabemos o quanto vc trabalhou para que ele chegasse. O dia chegou, Aline. Sim, ele será o pai dos seus filhos, dos nossos sobrinhos que eu vou pararicar tanto e dos irmão de Fer, do neto da dna Clara, do Sr. Orlando, da Dna. Carminha, e eles vão brincar com a Nina e com a Meg e terão cheirinho de sabonete Natura.
E todos nós, que estamos aqui hoje, que esperamos por esse dia, sabemos que somente vocês realmente sabem o que isso tudo representa.
Pensando em uma canção, apenas uma me vem a mente (não poderia ser outra): "Eu trocaria a eternidade por essa noite...." Pois bem, essa noite vai ficar eternidade. Ela vai ficar gravada em todos que passaram por aqui, cantaram, choraram, sorriram, abraçaram, beijaram.. ela vai ficar em cada dia dessa vida de vcs que agora é uma só. E nos filhos. E nos netos. Nas fotos, nos videos.
E nos amigos.
Um dia, eu vou dizer para meus filhos, que o amor existe, que ele pode ser lindo e verdadeiro, porque eu conheci Fernando e Aline, porque eu vi eles se casarem e formarem uma linda família. E que viveram felizes para sempre!
Obrigada!

segunda-feira, julho 14, 2008

Se te queres matar

Fernando PessoaSe te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

sábado, julho 12, 2008

Outro dia, recebi um email da Isis com um video do Paulo Leminsk! Já fiquei pasmada.. mas qual não foi a minha surpresa quando eu vi os videos relacionados: uma entrevista com a Clarice Lispector. Nunca tinha ouvido a voz dela. Não conseguia imaginar o seu sotaque nordestino, mas teve algo que foi igualzinho como eu imaginava: o olhar. A postura austera.. profunda.. ao mesmo tempo misteriosa e transparente. E logo no início da entrevista, ela mostra cara de muito poucos amigos e diz ao entrevistador que quando ela não escreve ela está morta. É isso, Clarice dói. Tudo que ela escreve e diz é tão humano que dói. Ela conta sobre um conto que começou a escrever e não acabava mais e aí ela acabou rasgando. O entrevistador meio intelectual pergunta: é um ato de reflexão? De raiva. - ela responde categoricamente. Raiva de mim mesma.
Será que só eu que fico extasiada com a literatura??
Enfim,, voltando.. quando eu não escrevo, eu estou morta. Essa frase ficou na minha cabeça. Faz muito tempo que não venho ao blog.. sem cabeça pra pensar, pra refletir, pra expressar.. pra escrever! E isso não é estar um pouco morta?
Escrever, pra mim, é uma forma de extravasar.. não importa o que eu escreva: uma crônica, uma carta, ou um relato como esse..enfim, e pelo escrever que solto meus sentimentos, emoções, sensações, expressões.. se não escrevo, se não consigo escrever, sim, eu estou um pouco morta sim.
E esse blog ficou parado tanto tempo!! Vinha aqui.. olhava.. pensava em escrever, mas não saia. Lembrava das outras mil coisas pra fazer e não escrevia mais. Desistia. Não estava com vontade de pensar, de dizer o que quer que fosse.. talvez porque eu não entendesse, e eu não gosto de falar sobre o que eu não entendo. Aliás.. tudo parece tão longe da minha compreensão...
Bom, voltei. Estou aqui.
Pra me sentir um pouco mais viva.
E pra encerrar, mais um pouco dela:

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento."

domingo, junho 22, 2008

Ética: Ter ou não SER.

- Já faz quinze dias!
- Às vezes, atrasa mesmo.. sempre costuma atrasar?
-Não.. sou um reloginho
-Ahm..
-Já falou com ele?
-Não.
Você tem que falar!
-Eu sei! Mas quero ter certeza primeiro..
-E quando será isso?
-Comprei o teste. Tô sem coragem..
- Ah, pára com isso! Vai logo! Tira essa dúvida!

Julia tinha apenas quinze anos. Queria ser médica e estava apaixonada. Marcos também tinha quinze anos. Não queria ser médico. Na verdade, ele não sabia o que queria ser. E também não estava apaixonado. Queria curtir, isso sim.
Um única noite, Julia estava gravida. Um vida se iniciava no seu ventre e a responsabilidade sobre ela era dos dois:
-Não, não pode ser. Faz de novo, esses negócios falham..
-Já fiz duas vezes..
-Faz a terceira!
-Marcos.. é verdade.. eu..
-Tem certeza que é meu?
-Assim você me ofende!
-Foi mal.. mas é que não consigo acreditar!E agora? Minha vida acabou!! Só se..
Ela sabia que ele diria isso. Os homens são mais covardes. Julia já sentia a vida pulsar dentro dela. E apesar de menina era sobretudo mãe.
-É crime, Marcos!
- Por que? Crime é deixar nascer essa crianças sem saber como cuidar dela!
- A gente pode aprender..
-Você não queria ser médica? como vai estudar? E seus pais? Já falou pra eles? eles me odeiam! Vão pesar nas suas idéias pra sempre! Pra que passar por isso!? Ninguém precisa ficar sabendo..
A menina tomou conta de Julia novamente. Será que só porque ninguém saberia deixaria de ser errado? E se Marcos tivesse mesmo razão? E se o maior erro fosse mesmo deixar a criança nascer? O julgamento do pai, da mãe, dos avós, as amigas.. os planos sonhados..imaginados..todos esses pensamentos tomaram conta dela naquele momento. Oscilava entre a mãe e a menina. Entre o certo e o errado. O "bem" e o "mal". Egoísmo, medo, angustia, coragem e covardia.
Fizeram. Ninguém nunca soube. Não suportariam os olhares de repreensão. Brincaram de "faz de conta" Não se viram mais. Júlia cresceu. Desistiu de ser médica. Não conseguiria.

(proposta do concurso EPTV 2008, meu exemplo de redação para os meus alunos)

sábado, junho 21, 2008

Filosofia das Amigas:

Diretamento dos EUA..

"aiii não fica assim, eu tbém odeio a humanidade meu, mas relaxa, deixa a humanidade q se foda...sejamos mais egoístas e pensemos só em nós :)" (Saqui, M. F. 2008)

No MSN:

Su diz: Por que eu atraio essas coisas hein?
Má diz: Porque mulheres bonitas e inteligentes atraem qualquer tipo de cara
Má diz: cabe a nós escolher

Neh?

Ainda no MSN:

Marie diz: E o coração, Pichena?
Su diz: Ah Mari.. daquele jeito..
tá bem.. mas vazio..

Marie diz: Antes vazio que cheio de merda, Sue


Com amigas assim, precisa de Mais alguma coisa?

Nããããão....




























domingo, junho 15, 2008

O Silêncio.

"Words are very unnecessary
They can only do harm.
Enjoy the silence."
(Depeche Mode)


Guimaraes Rosa disse: Forte é permanecer, queito. E disse também que o silêncio é a gente mesmo demais. De um tempo pra cá, passei a apreciar o silêncio. É no silêncio que a gente consegue se ouvir. Se enxergar, se buscar, se entender. E muitas vezes, o silêncio é muito mais sincero. As vozes dos outros, em demasia, atrapalham de ouvir nossa própria voz. A qual, muitas vezes, é a que realmente importa.
Egoísmo? talvez.. mas a verdade é que o que te deixa tranquilo consigo é a sua própria voz. Aquele que se restringe aos pesamentos, que não verbaliza, que é a real. Aquele que não se sente bem sozinho é porque não tem clareza dos seus valores. Cai em contradição, se trai.. precisa da aprovação (ou reprovação) alheia. Ou quem fala demais, precisa provar aquilo que nem mesmo ela acredita. "Eu me transformo naquilo que eu digo".
Por isso que a mentira é tão ruim. Porque é a palavra que legitima o que é real ou não. Se foi dito, passa a ser verdade. Pelo menos, é assim que deveria ser. Se alguém diz que gosta de vc, vc acredita. Para que dizer isso se não é verdade?
Parece simples. Mas nem sempre é assim.
Realmente, a sinceridade está mais no silêncio do que nas palavras. Elas são desnecessárias perto do vazio do silêncio.
O Silêncio incomoda por isso. Porque é real. Porque é sincero. Porque nos permite ouvir nossa própria voz. O momento mais difícil de se reconhecer não é perante os outros, mas consigo. É aí que os conflitos se apertam e temos que dar satisfações pra tal consciência.
Tem horas, que penso que alguns não a têm. Mas nunca saberei. E nem quero.
Prefiro me preocupar com a minha própria. Em aprender a ouvir o meu silêncio. A me sentir demais. Me entender cada vez mais e a partir daí (tentar) fazer as coisas certas e talvez, entender o outro.

Tenho me esforçado para não rir das ações humanas.
Por não deplorá-las, nem odiá-las.
Mas por entendê-las.
(Spinoza)

segunda-feira, junho 09, 2008

Esclarecedor...

Depois de um longo e tenebroso inverno de ausência, volto a ativa com um textinho de (in)utilidade pública! Divirtam-se..

ah! e qualquer semelhança com a vida real NÃO é mera coincidência!




Canlhas e Cafajeste,diferença entre eles...

Muitas mulheres (e homens tb!) confundem um homem canalha de um homem cafajeste . Por isso resolvi colocar uma lista de diferenças entre os dois seres:

1-) O canalha transa com uma garota e sai contando pra todos os seus amigos pra tirar vantagem e descarta ela da sua lista. O cafajeste transa, conta só pra seus amigos mais chegados, mas mantém contato com a garota. Afinal ele pode precisar dos seus favores quando tiver na seca.

2-) O canalha sai beijando todas que ve pela frente na balada. É muito legal ficar disputando com os amigos quem beija mais (afinal seu cérebro parou de se desenvolver aos 14 anos de idade). O cafajeste escolhe uma só, a mais interessante. Fica com ela a noite toda, troca até contatos, por que se não sair do lugar pra transar com ela, vai transar num outro dia.

3-) O canalha não sabe tratar bem uma mulher. É grosso, mal-educado, destrata pessoas humildes ou empregados como prova de superioridade. O cafajeste sabe quando e que intensidade agradar. Compra chocolate, bichinhos-bonitinhos-de-pelúcia e leva a restaurantes finos, com o único objetivo de fazer a mulher se sentir valorizada e assim alcançar seu objetivo, sexo.

4-) O canalha é burro. Seu senso crítico limita-se a análise do gol mais bonito da semana ou de qual a mais gostosa do Big Brother. O cafajeste sabe se virar em qualquer assunto, se é necessário discutir sobre a moda da estação na frente de mulheres ele vira um estilista, se a garota é fã de Chopin ele se torna um frequentador de concertos, etc

5-) O canalha adora aparecer. Estufa o peito na frente das mulheres, faz piadas prontas, é o amigão de todo mundo e só sabe contar vantagem. O cafajeste não precisa de auto-promoção, o boca a boca é feito pelas próprias pessoas que estão ao seu redor. Ele se adapta ao ambiente mudando sua personalidade de acordo com a ocasião. Ou seja, um é pavão o outro camaleão.

6-) O canalha mente. O cafajeste omite.

7-) O canalha não sabe elogiar (ou xavecar, como se diz em sampa). Quando o faz é tão ruim que se torna uma cantada de pião, “uau, que gata!”, “que delicia”, “o la em casa”. O cafajeste sabe elogiar os pontos-chaves da mulher, “nossa, lindo o seu cabelo”, “que sorriso”, “você emagreceu?”.

8 -) O canalha não sabe cuidar de mais de uma mulher. Acaba confundindo nomes, esquece de ligar pra uma, dá mais atenção pra outra, deixa pistas, etc. O cafajeste sabe tratar todas por igual, quando não está afim de sair com uma ele liga ou manda um sms “bonitinho” pra não perder contato. E mesmo que a mulher saiba que ele é um cafajeste, ele a faz crer que é especial e que pode rolar algo sério.

9-) O canalha deixa pista. Seu scrapbook é lotado de recadinhos de mulheres, no subtitle do seu msn ele cita nomes de mulheres, seu celular está cheio de mensagens comprometedoras e sua mãe sempre entrega o jogo (”o x saiu com uma amiga”). O cafajeste apaga todas as pistas, seu scrapbook é apagado diariamente, o msn tem nicks abrangentes que podem ser adaptados pra qualquer uma (”Que saudades de você”), o celular nunca tem mensagens, e sua mãe é grande aliada pois ele sempre diz pra ela que foi na casa de um amigo.

10-) Canalha é substantivo, cafajeste adjetivo.

quinta-feira, maio 01, 2008

Desafio!

Ok, a Mi me passou esse desafio, e como eu não recuso um desafio, lá vou eu! hahahah


escolher uma banda/grupo/cantor
• responder SOMENTE com TITULOS de suas canções (da banda escolhida anteriormente)
• escolher 4 pessoas para que façam o teste, sem esquecer de avisá-los
- Banda escolhida: Queen! S2


- Você é Homem ou Mulher? Somebody to love

- Descreva-se: A kind of magic

- O que as pessoas acham de você? I was born to love you

- Descreva sua atual relação com seu namorado ou pretendente: I want to break free

- Onde queria estar agora? Bohemian Rhapsody

- O que pensa a respeito do amor? Crazy litte thing called love

- Como é sua vida? Under Pressure

- O que pediria se pudesse ter apenas um desejo? Friends will be friends

- Escreva uma frase sábia: The Show must go on


Bom, eu tenho que desafiar quatro pessoas.. vamos lá então! hehe Serão os blogs: Liquimix (Érica), mais que blá blá blá (Aline), Devaneios de uma mesa de Bar (um dos poetas) e Diante da Chance (Diego)

Ah, até que gostei da brincadeira!

sexta-feira, abril 18, 2008

E a segunda feira feira amanheceu cinza..


Chovia. O dia estava nublado. E um sensação de frio que há tempo não sentia. Foi assim que a natureza se sentiu ao perder um pouco de poesia. Foi assim que a natureza se despediu de Luiz Carlos Dantas.
É estranho como esse frio trouxe um vazio para o IEL. Eu não estava lá. Mas senti. Todos sentiram. Quem o conhecia bem, quem sabia só o nome, quem o viu algumas vezes, quem era amigo, quem foi aluno, quem foi companheiro. Todos sentimos o vazio. Sentimos menos poesia...
Não conseguimos ainda aceitar que a morte nos leve as pessoas. Como poderia o ser humano, tão importante, tão dono de si, não poder por freio ao ... destino?...
E ele se foi. Com a mesma serenidade com que veio e viveu. E deixou em cada um dos seus alunos um pouco de si.. e nós passaremos aos outros, o tanto deles que viveu em nós. Isso é a tal eternidade.

"Luiz Dantas faleceu hoje à meia-noite e dez no hospital da Unicamp. Seu último dia foi tranqüilo. Pediu-me que tirasse algumas fotos de seu jardim, ficou namorando-as bastante. Falamos um pouco de coisas boas do passado. Depois, aos poucos, ele se foi." (Jorge Coli)

domingo, abril 06, 2008

Competência, essa é a palavra!


Eu precisava fazer um post nesse blog dedicado a esse momento da minha vida. Embora seja díficil pô-lo em palavras. Foram poucas as vezes em que eu pude ver tão claramente um sonho se tornando real.. vcs já viveram essa experiência? Quem viveu sabe qual é a sensação.. parece mentira, demora pra cair a ficha...
Pois bem, há alguns meses..pra ser mais exato, tudo começou em janeiro, estávamos sentados num bar, ouvindo as histórias de viagem de reveillon do Jão e do David. Naquele tempo era só uma idéia, um amigo lancou a semente: vcs também podem fazer isso! Engraçado, parece que precisa sempre alguém vir e te dizer né? Como que num chacoalhão.."ei, vc, acorda! estão esperando o que?". Seja lá o que nós estávamos esperando, decidimos parar de esperar. Fomos a Jundiaí, conhecemos o Cursinho Professor Chico Poço e desde aquele dia, coloquei na minha cabeça: nosso cursinho também vai dar certo!
Eu, sozinha, não poderia fazer muita coisa. Mas o que eu podia fazer para eu mesma não desistir diante dos obstáculos era pôr na minha cabeça: eu vou até o fim. E fomos. E só conseguimos porque unimos a vontade de todos. E porque ficaram conosco aqueles que realmente têm essa vontade. E todos ajudaram como podiam, como queriam.
E hoje, está lá.. sim, o Cursinho Popular de Jaguariúna está completo. Sim, porque agora a essência dele está completa, sem os alunos ele não faria sentido. E agora nos juntamos tudo numa coisa só: alunos, amigos, professores..e aqueles que nos apoiam de outras formas, os maridos que cuidam dos filhos pra professora ir dar aula, a mãe que empresta o carro, os pais que permitiram que os filhos trocaram de horário na escola, os patrões que talvez dispensem os funcionários mais cedo, as amigas que assinam a lista de chamada na faculdade, a jornalista que põe uma notinha no jornal.. Todos os detalhes são de fundamental importância.
Aliás, o que eu mais aprendi buscando esse sonho é que para qualquer sonho se tornar realidade é preciso sair do plano das idéias. O ideal alimenta. O ideal te dá forças. Mas para um sonho virar realidade é preciso deixar de lado a visão romântica que o envolve e entender que vc vai precisar passar por burocracias, impecilhos, má vontade... (apesar dos "conte comigo" né, Jão?).
Sexta feira, eu dei minha primeira aula. Não tem nada melhor para um professor do que a realização de uma aula que é correspondida.. e a responsabilidade aumenta. Dá medo de errar, de não explicar muito bem, de esquecer de algo. Quero que cada aula seja perfeita!!! E o melhor de tudo, é que essa experiência está me fazendo uma professora melhor em todos os âmbitos. Até mesmo com meus adolescentes rebeldes que não gostam de texto e nem de ir pra escola.. engraçado como meu maior desafio está aí.. no emprego pelo qual sou paga e a onde eu vejo mais descaso com a educação. As vivências no cursinho me dão força pra fazer a transformação de fato lá, no meio do sistema, onde é bem mais difícil.
Acho que é para isso que existe o trabalho social. Não podemos nos iludir com ele. É fácil ensinar quem tem vontade, que tem sua motivação intrinseca. E achar que só por isso, podemos livrar a classe média de seus pecados... a trasformação social deve ser bem maior. Fazemos nossa parte de alguma forma, mas não estamos absolvidos só por isso... e temos que nos policiar para tb não colaborar para o sistema.
Ser voluntário, pra mim, não é só ajudar o próximo. Ser voluntário exige uma reflexão sobre a realidade, sobre as minhas atitudes, sobre o meu discurso. E acima de tudo, me ajudar. Pois eu mesma estou revendo minha prática e vendo que posso sim buscar aquilo que acredito, seja como for.
E agradeço a todos, aos alunos que confiaram na nossa proposto, aos professores que confiaram na nossa idéia, e todos que tem dado a sua contribuição de alguma forma! E agora, vamos lutar para que esse sonho não acabe..

"...o verbo ensinar é um verbo transitivo-relativo. Verbo que pede um objeto direto - alguma coisa - e um objeto indireto - a alguém. Do ponto de vista democrático em que me situo, mas também do ponto de vista da radicalidade metafísica em que me coloco e de que decorre minha compreensão do homem e da mulher como seres históricos e inacabados e sobre que se funda a minha inteligência do processo de conhecer, ensinar é algo mais que um verbo transitivo-relativo. Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. (...)"

(Pedagogia da autonomia, Paulo Freire)

sexta-feira, abril 04, 2008

Coragem, colega!

Eu queria saber onde foi parar meu hipocondrismo e essa capacidade de organização e pontualidade..haha..talvez seja meu ascendente em sagitário que me afetou!
Esse texto foi escrito pelo Christian Pior e é simplesmente engraçadíssimo, o dos outros signos é melhor ainda, do meu eu nem gostei tanto..


E... virgem... Ummmmmmmm...
Faz de conta que você tem uma empresa e acha que o seu sócio está te roubando e você precisa ter certeza e para isto, você terá que mexer em todo o compexo livro caixa ,numa busca pelos ultimos três anos de lucros da empresa.Que chato,não?

Não para um virginiano.

Minúcias , detalhes, cálculos complicados, deixe tudo para ele.
O virginiano é muito organizado, e não só no sentido de casa impecável e limpa ,mas sim na organização mental. (no meu caso, acho que só a organização mental mesmo..e olhe lá!)

A capacidade de concentração destas pessoas é impressionante e se você resolver mentir para eles, espero que seja bom, porque eles vão somando detalhes , expressões de rosto e friamente vão dizer na sua cara:
Você mentiu!E vão explicar o porquê.

Dá ódio.Não se esquecem de nada, anotam tudo, conseguem ser pontuais e obedecer a rotina de uma maneira perfeita.
Espiem só a agenda de um virginiano típico:

07:15-o despertador toca e o virginiano reza, não se esquecendo de agradecer o aumento que ganhou e os 3 kgs que conseguiu perder.

07:20-O virgianiano vai para o banheiro e faz xixi, em seguida cocô ,usa 7 vezes o papel higiênico(mesmo sabendo que tomará banho em seguida), e aperta duas vezes a descarga , pois tem pavor de resíduos.

07:25-o virginiano entra no chuveiro e molha bem os cabelos e depois de bem molhado, ele passa o shampoo , esfregando bem e enquanto o shampoo age, ele escova os dentes com a escova elétrica.
Enxagua os cabelos e a boca, e repete as duas operações(cabelos e dentes) por mais um minutos e novamente enxagua.
Não passa condicionador porque só usa dia sim , dia não.E hoje é o dia do não.

Em seguida esfrega com a esponja vegetal as partes mais ásperas do corpo(cotovelos,calcanhares ,joelhos) e depois com o sabonte antibacteriano ele lava axilas, solas dos pés, e partes pudentas.
Depois lava o restante do corpo com o sabonte liquido hidratante e enxagua tudo com a água fria porque tonifica os músculos.
Sem medo de ser feliz, lava o rosto com o sabonete para peles mistas.
Depois...
E por aí vai...

Sexualmente eles usam o lado b, então fazem o sexo com muito beijo molhado, saliva, palavrões ,tapas, ou seja o chamado 'sexo sujo', porque é ali que eles se soltam.
Não se esqueçam que todo mundo tem um lado b, mas o do virginiano é quase c. (uii...)

As mulheres são excelentes esposas e namoradas mas são exigentes demais, detalhistas, do tipo que se o coitado deixar a toalha molhada em cima da cama ela surta.

São excelente executivas, secretárias, médicas e cobradoras de ônibus.
E quando discutem a relação é péssimo, porque fazem um apanhado dos ultimos 5 anos, sem perder nenhum episódio de briga e ofensas, repetindo até frases e insultos.

Mas o virginiamo em geral é bem asseado.
Se você estiver na cama com algum deles e tiver com mau hálito, chulé ou um cheiro forte debaixo do braço...ele fala na sua cara e te manda para o banho.

E Se você quer um sexo filme pornô, pegue alguém deste signo.O que é excitante pois eles tem uma aparência distinta e tímida, mas...ui!
Claro, mas com muita higiene.
E tem todos os remédios do mundo .São hipocondríacos.
São capazes de tomar Imosec antes da feijoada.

Pessoas famosas de Virgem:
A Sandy não é deste signo, viu gente?

Cameron Diaz , Greta Garbo, Hugh Grant, Sean Connery, Amy Winehouse, Marina Lima ,Toni Ramos, Claudia Schiffer, Agatha Christie.

domingo, março 30, 2008

de novo..

Um bom poema deve ser lido sempre.
Um bom poema escrito por uma boa amiga, principalmente.
E esse poema, tão íntimo, tão sincero, tão verdadeiro.. sem encaixa nesse momento..
que passa..e depois volta..e torna a passar...
e por isso, está de novo aqui no blog..

cansada..

Como quando se tenta encontrar
a resposta que não se pode achar
e se sente por fim abater
pela dor de tentar entender
e apenas mais se questionar
estou farta de nunca saber
de apenas tentar acreditar
que se não foi não era pra ser
que algo melhor está para acontecer
que alguém melhor está a me esperar

O tempo consome a fé,
os fatos, a esperança
e quando se olha pra trás e vê
o sorriso que se perdeu,
o beijo que já não é meu
e se tenta encontrar o porquê
do que não foi e poderia ser
é difícil se ver e julgar
é mais fácil então se acanhar
se esconder da razão e fingir
que acredita que foi melhor assim
e que a culpa não cabe a você
pois, se não foi, não era pra ser

Não há lágrimas mais em meus olhos
este pranto outrora chorei
não há tristeza ou rancor em meu peito
pois também já me perdoei
mas confesso, com sinceridade,
apesar da talvez pouca idade
que embora não esteja magoada
nem me sinta deveras deprimida
estou realmente cansada
dos desencontros dessa vida
e me sinto penalizada
e me vejo sem saída.

(Priscilla Franco)

domingo, março 23, 2008

La Môme



Primeiro, a busca pelas locadoras. Depois, o mercado negro. Bem, e como vcs sabem, qualidade não é ponto forte do mercado negro..então, a primeira tentativa foi frustrada. (o dvd estava ileso..nem uma gravaçãozinha sequer..). Desistir? Jamais! Outro dvd pirata, e finalmente, aos 20 de março de 2008, consegui assistir Piaf - Um hino de Amor.
E toda perigrinação, valeu a pena! Filmaço! Lindo! E triste, como todas as histórias baseadas em fatos reais costumam ser. E, convenhamos, sofrer em francês é muito mais comovente!
O filme conta toda a trajetória da cantora: desde a infância até o auge do glamour e da fama, e por conseguinte, a decadência. Um vida curta, porém intensa. A contradição do nome, Edith nasceu em Belleville, teve uma ifância pobre e descuidada. Foi abandonada pela mãe, que cantava nas ruas e cafés. O pai nesse momento estava na guerra. Aos cuidados da avó, sofreu com sua saúde frágil. Depois, viveu com a avó paterna, dona de um cabaré. Sua infância foi rodeada de bebidas e prostitutas. Teve uma doença que a deixou cega e ela acredita que voltou a enxergar graças ao milagre de Santa Teresa. Começou a cantar ainda pequena, e esse foi o seu sustento por toda a vida. Cantou em ruas, em bares até atingir a fama. Por ser pequenina e ter uma bela voz, foi apelidada pelo seu primeiro "padrinho" por La môme Piaf.. (pequeno pardal) e mais tarde, assumiu o nome artistico Edith Piaf. A vida de Piaf foi de excessos. E por ser marcante, tornou-se inesquecível.
A música é intensa, sofrida. Absolutamente entregue aos sentimentos. E foi assim que ela viveu. Uma vida triste, cheia de acontecimentos trágicos, mas que encontrou na música muita alegria e o motivo pra viver.
A Mario Cotilliard é simplesmente fantástica e mereceu o Oscar de melhor atriz. E, sem dúvida, a cena final é de arrepiar!
Apesar de "La vie en Rose" ser a música mais famosa dela, creio que a melhor música do filme, é essa:



Non, je ne regrette rien..
Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo me é igual!

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado!

Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!


Varridos os amores
E todos os seus "tremolos"
Varridos para sempre
Recomeço do zero.


Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!


Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

sábado, março 22, 2008

Estou numa fase ótima. Há muito tempo não sei o que é o ócio. Gosto dessa movimentação: os dias passam rápido, as horas mais ainda.. a cabeça ocupada, produzindo, vendo resultados. Nem mesmo o meu delicioso hábito de dormir durante as tardes e também, de acordar tarde nos fds tenho mantido. Sempre algo pra fazer, pra concluir, pra resolver. No fim, bate um misto de cansaço e satisfação que é muito bom!
Eu poderia começar a reclamar: da falta de tempo, do excesso de trabalho, da incompetência das pessoas.. do cansaço e etc. Afinal, as pessoas adoram reclamar. É incrível como elas sabem se fazer de vítimas. Mas, diante de algumas coisas que tenho observado, só posso ter mais certeza de que manter-me ocupada é o melhor a se fazer.
Espanta-me como tem gente que se diz tão ocupada e sem tempo pra nada mas que tem tempo o suficiente pra ficar criando hipoteses sobre a vida, o caráter e a personalidade alheia!!!!!Colocam-se no patamar dos semi-deuses e concluem que suas verdades são absolutas.
É.. pensando bem, pra quem tem um mundo tão limitado, fica fácil ter como referência só a si. E aí, vem aquele monte de autoafirmações...
Já discorri não apenas uma vez sobre o que penso sobre as auto-afirmações... é simples: quando vc precisa provar demais o que vc é, significa que no fundo, nem mesmo vc tem essa certeza. Acredito que esse seja um comportamente natural quando se tem 13 anos, vc busca uma afirmação, quer se definir no grupo, e por isso, se auto-afirma o tempo todo. Mas depois de uma certa idade.. já fica rídiculo.
"Ou pelo menos, o que me leva a agir não é o que eu sinto, mas o que eu digo." É.. Clarice soube muito bem descrever as fraquezas humanas.
Lamento por aqueles que se consideram imutáveis, invencíveis e absolutos. A cada dia, aprendo algo novo, conheço novas pessoas, ouço uma nova música, descubro um novo detalhe no meu rosto, tenho uma nova visão sobre um determinado assunto. Não sou a mesma de 5 anos atrás e Deus me livre de continuar a mesma nos próximos 5 anos. A mediocridade me apavora.
Por fim, apenas lamento. Pois aqueles que se julgam tão únicos, verdadeiros e sem falahas, decepcionar-se-ão apenas com eles mesmos, porque vão se dar conta de que (pasmem) são iguais a todos os outros reles mortais: como as mesmas falhas, os mesmos defeitos.. é, aqueles que vc tanto apontou e criticou. Os mesmíssimos.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quinta-feira, março 20, 2008

AAAAAAAAAAAAAAAAA

Já o site QueenBrazil.com publicou a seguinte matéria sobre o show:

Será dia 30 de novembro, na praia de Copacabana, a versão carioca do 46664 World Aids Concert, organizado por Nelson Mandela. Uma das atrações é o Queen, agora com Paul Rodgers, ex-Bad Company, como vocalista. Enquanto ele canta, um telão mostra imagens do falecido Freddie Mercury apresentando-se com o grupo. A produção tenta trazer também o Led Zeppelin."
A fonte é a Coluna Gente Boa do Jornal "O Globo". A notícia foi destaque também no Jornal "O Dia", que não só confirma a presença do Queen com Paul como também a de Annie Lennox, mas não cita nada sobre Led Zeppelin.

Estejam ligados nos seguintes sites para mais informações em breve:
http://www.queenbrazil.com
http://www.46664.com
http://www.queenonline.com





AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

domingo, março 16, 2008

"Você é meu homem. Eu sou uma mulher que é sua, meu homem."




eu tinha escrito um texto sobre o dia internacional da mulher. Por fim, no mesmo dia, publiquei outro texto, sem nem mesmo perceber o que estava fazendo. Mas, acho que ainda é válido fazer a homenagem que queria ter feiro, afinal, como disse Foot Hardman, "nunca é demais quando se trata de Patrícia Galvão."
Quando li "Paixão Pagu: a autobiografia precoce de Patrícia Galvão" conheci uma mulher que soube por em palavras o conflito que toda mulher moderna enfrentou (enfrenta). Num relato de total entrega, convida o seu amado a lhe conhecer de uma maneira íntima e pessoal, acompanhar toda sua trajetória por ela mesma, trata-se quase de uma confissão em forma de carta, e, posteriormente, foi intitulada de autobiografia:

"Por que dar tanta importância a minha vida? Mas, meu amor, eu a ponho em suas mãos. É só o que eu tenho de intocado e puro. Aí tem você, minhas taras, meus preconceitos de julgamento, o contágio, os micróbios. Seria bom se eu tivesse o poder de ver as coisas com simplicidade, mas minha condição granguignolesca me fornece apenas forma trágica da sondagem. É a única que permite o gosto amargo de novo. Sofra comigo." (Pagu, p. 52)

Ora, não poderia se esperar diferente de uma mulher que passou por tudo que ela viveu. Teve uma infância solitária. Não tinha amigas. Não se entendia com a mãe. Carente, envolveu-se amorosamente cedo... e cedo também descobriu as desilusões. Com treze anos, já fora 'obrigada' a abortar. Inqueita, inconformada e curiosa.. Pagu foi uma mulher a frente do seu tempo. Escrevia, desenhava, lutava, sofria (afinal, canceriana..rss) e tudo que as pessoas sabem sobre ela é que foi a mulher do Oswald e que era comunista revoltada. (Obrigada, Rede Globo).
Mas em seu relato de dentro da prisão, conhecemos uma outra Pagu. Àquela que casou-se pela primeira vez apenas para poder sair da casa dos pais, aquela que sofreu diante da sinceridade exarcebada da vida libertina do Oswald. Sofreu calada. E ainda lhe oferece mérito, por ter sido amigo e nunca ter sentido pena por ela. Uma mulher que viveu a causa comunista no sentido mais pleno da palavra. Enfrentou todas as dificuldades que o política (espaço essencialmente machista) lhe impunha para que pudesse fazer parte dele. Recusou empregos, ficou doente com a vida de operária, quase morreu, foi presa por diversas vezes, afastou-se do seu primeiro filho, Rudá. Descobriu toda a farsa que envolvia o partido e por fim, frustra-se ao chegar a Russia: "Então a revolução se fez para isto?Para que continuem a miséria e a humilhação das crianças?"
É Pagu, realmente, é dificil dizer o porquê das coisas. Muito mais difícil saber o porquê das coisas. Quando digo que ela soube por em palavras o conflito da mulher moderna, o faço porque na literatura, esse assuntoo sempre foi tratado dentro da óptica masculina. Os escritores, em sua maioria homens, traziam personagens homens, e a mulher sempre foi coadjuvante. Com Pagu, conhecemos aquela que via que algo de novo se apresentava, se inquietava com isso, percebia mudança nas relações, nas atitudes, nas tradições. Sua compreensão e interesse pela mudança fica clara com o seu engajamento no paartido: a busca por um ideal, até então, desconhecido. Viveu durante anos com um homem que estava longe de ser o marido ideal romântico, mas que soube criar o seu filho e ser seu companheiro no momento em que mais precisava. Queria ser mãe, como todas as outras mães. Mas a Pagu não era como os outros. Conflitou entre o que "deveria ser" e o que realmente "queria ser". E o entendimento desse mundo chamado moderno, fez com que ela nos apresentasse em sua "biografia"(entre aspas pois não era essa a intenção, afinal, o livro era uma carta para seu segundo marido,Geraldo) a crise das representações. A mulher já não é mais a mesma, o mundo já não é mais o mesmo.. e afinal, o que ele é?
Mudanças assustam.. tendemos a permanecer na inércia. Mas ela não teve medo.
Se tem alguém que merece ser lembrada nesse dia, creio que seja ela. Apesar de ser um dia tão machista e comercial - para vender flores e celulares - ela merece ser lembrada, como uma mulher corajosa, inteligente e bonita. De uma beleza especial. E, também, uma grande escritora!
E quem quiser ler o livro, vale a pena! =)



sexta-feira, março 14, 2008

Poema


Se morro
universo se apaga como se apagam
as coisas deste quarto
se apago a lâmpada:
os sapatos - da - ásia, as camisas
e guerras na cadeira, o paletó -
dos - andes,
bilhões de quatrilhões de seres
e de sóis
morrem comigo.

Ou não:
o sol voltará a marcar
este mesmo ponto do assoalho
onde esteve meu pé;
deste quarto
ouvirás o barulho dos ônibus na rua;
uma nova cidade
surgirá de dentro desta
como a árvore da árvore.

Só que ninguém poderá ler no esgarçar destas nuvens
a mesma história que eu leio, comovido.


(Ferreira Gullar)

sábado, março 08, 2008

Amor.. desejo.. sexo...

Não sei a onde, vi, certa vez, a frase: definir é limitar. Estamos (eu, pelo menos, sempre estou) em busca de definições. O tempo todo queremos definir sentimentos, emoções, comportamentos. Rotulamos as pessoas segundo os nossos critérios. Também podemos nos auto-rotular, em busca de uma própria definição, ou então, numa tentativa de se definir para o outro, fazendo-o ver aquilo que vc quer que ele veja em você.
Natural. Damos nome a tudo. As coisas existem porque sabemos denominá-las, não é mesmo? Pode parecer que não, mas..vamos lá, um exemplo banal e prático: costumamos chamar a depressão, o stress, a síndrome do pânico como doenças da modernidade. Os mais conservadores podem até dizer "antigamente ninguém sofria disso..." ou então, "isso é doença de gente rica.." Mas, será mesmo que essa doença só existe nos tempos atuais? Ou será que muita gente já sofreu desses males mas desconheciam o nome?
É, a rotulação é inevitável. Assim, tentamos rotular e definir tudo que vemos, sentimos.. talvez, assim, seja possível explicar ou entender certos fenômenos.

Já tentei mil vezes definir o que é o amor. Talvez, entendendo-o, eu poderia acreditar. Em um mundo em que "eu te amo" virou ponto final de frases, fica difícil entender o que é o amor. O amor em suas diversas formas, concepções, conceitos, sensações. Afinal, o que é esse tal amor que buscamos tanto, e porque esse amor se transforma em um verbo, uma ação: amar. Parece óbvio, amar é um verbo, uma ação. E a consequência dessa ação, é o amor. Ora.. mas a lógica nem sempre se encaixa na linguagem. Ama-se e a resposta não se parece muito com aquilo que costumamos chamar de amor.

Enfim, quando o Nelson Rodrigues diz que os homens precisam aprender a amar, e que "A maior tragédia do homem ocorreu quando ele separou o amor do sexo." eu me pergunto quando ele soube de fato a diferença e se um dia, esses dois estiveram junto. Em que tempo isso aconteceu? Digo, quando ele decidiu separar? Será que já não eram coisas distintas? Creio que a verdadeira pergunta é: quem associou o amor ao sexo?

São coisas que doem ao serem pensadas e questionadas. Intrigam. Rompem com todo o ideal romântico a que estamos condicionados. Mexe com o ego. afinal, ninguém gosta de se sentir apenas objeto de desejo. E o homem, este que é dotado da inteligência (óóó) de repente, se vê agindo por instintos, irracional.

O conflito amor x sexo, reflete o conflito que vivemos entre separar o "humano", no sentido mais determinista, com um corpo biologicamente estruturado que responde a estimulos, a instintos, a hormônios, terminações nervosas e o ser cultural, que vive em sociedade, que tem regras, que define, que rotula, julga. E por fim, o que é real? A onde está a verdade?

É, a verdade é aquilo que vc quer que seja verdade. Fácil dizer que o problema é que separou-se o sexo do amor, como se esses, um dia, tivessem sido um só. E aí, nos martirizamos por ceder a desejos, buscamos o amor em sua plenitude e não entendemos o nosso próprio corpo, nossas próprias ações. E não amamos porque não sabemos o que é amar. Porque buscamos um ideal, ao invés de entender a nossa própria forma de amar. Queremos nos encaixar nos rótulos.

e assim, "caminha a humanidade", na busca pela felicidade plena, se frustrando, caindo, bebendo e levantando..(tava muito sério esse post!) e se esquecendo de apenas sentir...

"Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."
Pensar é um ato.
Sentir é um fato.
(Clarice Lispector)

domingo, março 02, 2008

Polêmico?!?

"A maior tragédia do homem ocorreu quando ele separou o amor do sexo.
A partir de então passamos a fazer muito sexo e pouco amor.
Não passamos de desejo, eis a verdade.
E todo desejo como tal, se frustra com a posse.
A única coisa que dura para além da vida e da morte é o amor"
(...)
“Educação sexual deveria ser ensinada a éguas e cavalos, os homens precisam aprender a amar.”

(Nelson Rodrigues)

O que vcs acham?