Um pouco de mim...
- Sue Ellen
- Jaguariúna, São Paulo, Brazil
- "É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos, o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo." (Perto do Coração Selvagem, Clarice Lispector)
quarta-feira, julho 08, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009
1 minuto.
sábado, junho 20, 2009
10 motivos pra odiar o frio.
2) Engorda. Não tem outra coisa para se fazer se não comer. A única coisa que tenho vontade de fazer no frio, é comer! E não é comer frutinhas, saladinhas, tomar suco.. não!! só mesmo coisas calóricas pra aquecer o coração: chocolate, capuccinos, bolos, fondue, enfim.. tudo que seja extremamente calórico!
3) O banho. Primeiro trauma: tirar a roupa. Segundo: esperar o chuveiro ficar bem quente. Terceiro e pior: Sair do chuveiro. E para nós, mulheres, com cabelos compridos. A coisa é ainda pior, pq a não ser que vc queira morrer de sinusite, não dá pra ficar com o cabelo molhado. Assim, não existe o "vou tomar um banho rápido e vou sair".. o banho é um planejamento! Tem que ter tempo hábil para todo o ritual e ainda tempo suficiente para secar bem o cabelo com secador.
4)O Vazio. Nunca tem ninguém em lugar nenhum. As pessoas não saem de casa! Preferem ficar em casa, vendo filmes, comendo (engordando). E para aqueles que querem sair: coragem!!!
5) A roupa. Há os que dizem, "as pessoas ficam mais chiques no inverno". Até concordo.. botas de cano alto são chiquérrimas, casacos sobretudo e cachecóis também. Mas acho um SACO ter que colocar mil roupas pra ser feliz. São duas meias, meia calça, calça do pijama, calça jeans, blusinha, cacharrel, casaco, cachecol. Fico parecendo um boneco, todos os movimentos ficam limitados. Fora que.. na rua, frio, dentro dos lugares, calor. Então, tira blusa, coloca blusa, e assim vai...
6) Ser solteira. Não tenho alguém pra ficar abraçadinho. Logo... não vejo vantagem nenhuma nesse clima que favorece o romantismo.
7) O acordar. Sair debaixo das cobertas é quase como sair do útero. É parecido ao trauma do banho, e quando vc acorda às 6h, quando ainda não tem sol e até mesmo a neblina persiste.. a vontade é de desistir da vida.
8) Os resfriados e similares. Para quem é alérgico, sabe do que estou falando. O tempo seco e os lugares fechados são um veneno. São longos meses com o aspecto de quem sempre está resfriado e o grande companheiro de bolsa é o lenço de papel. Impossível viver sem ele! Espirros, espirros, tosses, dores de cabeça, dores de garganta.. uam delícia!
9) O bode. Os únicos passeios legais para se fazer nessa época são passeios de casais. Não preciso nem explicar o resto né? (vide ítem 6)
10) A preguiça. Não dá vontade de trabalhar, não dá vontade de ir a academia, não dá vontade de sair, não dá vontade fazer absolutamente NADA. Só de ficar embaixo da coberta, dormindo ou então de comer. Tédio absoluto.
Eu acredito que essa preferência "frio ou calor", tem muito a ver com o astral da pessoa. Pelo menos pra mim é. Preciso do Sol. Adoro o calor, ver as pessoas pela ruim, ir a praia, tomar cerveja gelada, sair com o cabelo molhado, sair pela noite sem blusa...
E ainda nem começou o inverno!
que passe bem, mas beeeeeeeeeeem rápido!
quarta-feira, junho 17, 2009
segunda-feira, junho 15, 2009
Breve, mas pleno.

ela perdeu o encanto.-
"Vamos parar por aqui antes que a gente perca o respeito?"
[óbvio que era um dia de chuva.]
Se isso fosse uma fábula, teríamos uma lição: amor não mata, mas morre.
Publicado com a autorização da autora, Carol, do blog http://www.quaquaraquaqua.blogspot.com/
Ela escreve pácaraio! :)
domingo, junho 14, 2009
Desabafando
Depende, se vc é uma pessoa esperta sim, mas se vc é uma teimosa, feito eu, que insiste em coisas que não dão certo, pode ser que não..
Que pessoa, em sua perfeita sanidade mental e com a intenção de "relaxar", teria a magnífica ideia de ir ao shopping em plena quinta de feriado véspera de dia dos namorados? Sim, sou eu, essa que vos fala. Conclusão: fila no estacionamento, fila pra pagar, vendedoras com má-vontade, muitas pessoas, crianças chorando, nenhuma mesa na praça de alimentação.. uma delícia. Isso porque não fui no shopping mais "popular", ainda assim, levei preciosa uma hora para tirar o carro do estacionamento. Consegui comprar o que queria? Consegui. Mas precisava disso tudo?
Some-se a isso ao fato da minha mãe TODAS as vezes chegar na fila da loja no momento em que tinha ACABADO de sair.. logo, esperei por todas as filas DUAS VEZES. Porque desgraça pouca é bobagem.. então, tem mais.
Sexta-feira, o tal dia dos namorados. Curiosamente, esse ano não estive tão incomodada com ele. Já foi bem pior.. talvez porque em outros anos eu estivesse "apaixonadinha" e quisesse estar com o objeto da paixão, mas.. como não tinha ninguém que eu queria que estivesse no posto de namorado, superei bem as lojas do centro da cidade repleta de corações e anúncios de presentes. E, vejam só, até mesmo fui presenteada por meus "namoradinhos" com chocolates Mundy :)
A noite seria perfeita: balada com as amigas solteiras! balada nova, com gente diferente, amigas animadas..
Ledo engano.
Ouvi tanto sobre essa balada e estou procurando por ela até agora.. tá o lugar é bonito, sim até é.. mas não vi nada de diferente das baladas de campinas. Aliás, vi sim. Um bar caríssimo, um pedágio a mais e uma longa viagem de carro. Mas do resto, mesmas músicas, mesmas cantadas furadas, a mesma molecada.. ainda assim, seria bom beber e dar risada. Seria. Seria se realmente tivesse sido uma balada de amigas para se divertir, mas às vezes, o divertimento das pessoas consiste em "caçar". Mais uma vez, "tenho me esforçando para não rir das atitudes humanas."
Sábado!! Nada como um dia após o outro né? O sábado sim, esse seria o dia! Finalmente, conseguiria me divertir! Acho que vou abandonar a noite, e usá-la para dormir, já que os dias têm sido melhores. A tarde foi muito legal! Cerveja, amigos, risadas! Tudo como nos velhos tempos (que não são tão velhos assim) da Praça Brasília.
Por um momento, realmente achei que a noite seria boa. E em partes foi, rever quem deixa saudades é sempre bom! E ver como a Claudinha ficou feliz por estarmos lá me fez bem também.
Só não é legal vomitarem no seu carro. Só não é legal esperar no carro quando está frio e vc só quer dormir quando vc já avisou que ia embora. Só não é legal todas as vezes vc ter que encarar a estrada, com sono, cansada e etc. Só não é legal quando vc definitivamente não aguenta mais balada. Essa é a conclusão. As vezes, vc tolera as coisas em função do divertimento, mas quando vc não se diverte mais, as coisas tornam-se absolutamente insuportáveis.
E agora, nesse domingo, são 18h20, ainda estou de pijama, comendo pipoca e fazendo nada. Demorou para que eu me desse conta de que muitas vezes a plenitude está em fazer nada. Reservar um tempo pra si. Eu comigo mesma. Absolutamente egoísta. Sem ter que preocupar com mais ninguém além de mim.
Permanecerei assim até o fim do dia. E isso sim é o que me fará bem!! Pra aguentar mais uma semana..
E que venham as férias! Por favor!
Prezada Mulherzinha,
Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.
Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.
É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.
(Fernanda Young, Revista Cláudia.)
quarta-feira, junho 10, 2009
Cenas da Comédia da Vida Acadêmica
Aula de Tradução Português- Francês. Ou seja, para cursa-lá é preciso algum conhecimento em língua francesa. Logo, em cultura francesa, certo?
A professora corrigia a prova, tradução do texto "Un hemisphére dans une cheveleure", poema em prosa de Charles Baudelaire. (tenso)
Estava distraída quando ouço:
- Você fez Letras?
- Sim, fiz.
- Vocês estudam "esse cara"?
- Eu conheço, mas não estudei a fundo não..
- Ah.... Ele é importante?
.....
Despeço-me, sem mais.
quarta-feira, junho 03, 2009
10 coisas que vc encontra no meu quarto
1) Uma cama que me acompanha há quase vinte anos. Sim, me lembro como se fosse hoje o dia em que ela chegou a minha casa e em troca, eu abandonei a chupeta. Uma estratégia do meu pai que deu muito certo, desde então, essa cama me acompanha por muitos sonos.
2) Um edredon. Esteja frio ou calor. Não importa, sempre terá um edredon. Jamais um cobertor, pois além da cama, a rinite é uma companheira também de longa data..
3) Várias caixinhas com coisinhas. Nunca vi alguém com tanta capacidade pra guardar coisinhas. Lembrancinhas de festas, convites, embrulhos de presentes, cartões, enfim.. vou tentar presonificar as memórias. Talvez seja medo de que um dia elas deixem de existir.
4) Papéis. Muitos papéis. Textos, recortes de jornal, provas, redações, cartas, anotações, lista de supermercado, lembretes.. enfim. Papéis que não tem mais fim.
5) Livros. Todos mal organizado e espalhados. De "O Pequeno Príncipe" a "Un Souffle de vie" da Clarice Lispector, passando pelos best sellers como "Código Da Vinci" e os teóricos como "Análise do Discurso - princípios e procedimentos". Li todos? Vc acredita que não? Tem uns que estão novinhos... vá entender..
6) Um mural laranja com ímãs de carinhas que não está pendurado na parede. Está apoiado na parede, mas já tem fotos! Da melhor amiga, da turma da facul, da irmãzinha, dos meus pais... já basta! =)
7) Um quadro de fatos que também não está pendurado. (qual meu problema?) Lá tem a foto do dia do trote em 2004, a festa de formatura, os amigos especiais: de longe, perto, recentes e antigos. Adoro essas fotos. Minhas companheiras de memória..
8) Um travesseiro baixinho e fino. Também companheiro de longa data.. quantas lágrimas, quantos vestígios de maquiagem, quantas noites de sono profundo e outras sem dormir (poucas, graças a Deus). O mais cúmplice de todos. O melhor conforto do silência.
9) As paredes. Confidentes, que acompanham os devaneios, as falas sozinhas, os medos e as alegrias. Acompanham e escondem-nas.
10) Sempre um par de sapato. Uma bolsa. Um secador de cabelo. Um celular pra despertar. Algum par de brinco.. vestígios do dia a dia, do meu humor, do meu espaço, do meu mundo!
Reflita:
segunda-feira, maio 11, 2009
domingo, abril 26, 2009
Minha mãe é...
sábado, abril 18, 2009
O amor sem remédios e o remédio do amor
Assim, falando sobre os remédios para o amor, Vieira nos lembra que há aquele que é o amor sem remédios.. o amor perfeito, que resiste a todas essas remediações: o Amor de Cristo.
Ahh se todos os padres, pastores, guias espirituais, whatever, fossem como Vieira.. que a Igreja é um lugar pra tratar de assuntos divinos sim, mas também, de assuntos humanos. E que os dois podem conviver!
Vejamos então um pouco do que ele disse:
(...) O primeiro remédio que dizíamos é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos. Baste por todos os exemplos o do amor de Davi.
O que era desejo se trocou subitamente em dor; o que era cegueira, em luz; o que era gosto, em lágrimas; e o que era amor, em arrependimento. E se tanto pode um ano, que farão os muitos?
Estes são os poderes do tempo sobre o amor. Mas sobre qual amor? Sobre o amor humano, que é fraco; sobre o amor humano, que é inconstante; sobre o amor humano, que não se governa por razão, senão por apetite; sobre o amor humano, que, ainda quando parece mais fino, é grosseiro e imperfeito.
Bem, mas aqueles que sofrem sabem como é custoso esperar as ações do tempo. Comparando o amor a qualquer enfermidade, hum.. vejamos, a gripe! Sim, a gripe.. sabemos que para sarar de uma gripe é preciso esperar.... uma semana ou menos. Mas apenas esperar, pra que ela passe. Ora, e tudo que pensamos é: falta muito pra passar? Então, o tempo é eficaz, mas é sofrido. Será que não teria algo mais rápido, Viera?
(...) O segundo remédio do amor é a ausência. Muitas enfermidades se curam só com a mudança do ar; o amor com a da terra. E o amor como a lua que, em havendo terra em meio, dai-o por eclipsado. À sepultura chamou Davi discretamente terra do esquecimento: Terra oblivionis (Sl. 87, 13). E que terra há que não seja a terra do esquecimento, se vos passastes a outra terra? Se os mortos são tão esquecidos, havendo tão pouca terra entre eles e os vivos, que podem esperar, e que se pode esperar dos ausentes? Se quatro palmos de terra causam tais efeitos, tantas léguas que farão? Em os longes, passando de tiro de seta, não chegam lá as forças do amor. Seguiu Pedro a Cristo de longe, e deste longe que se seguiu? Que aquele que na presença o defendia com a espada, na ausência o negou e jurou contra ele. Os filósofos definiram a morte pela ausência: Mors est absentia animae a corpore. (6)E a ausência também se há de definir pela morte, posto que seja uma morte de que mais vezes se ressuscita. Vede-o nos efeitos naturais de uma e outra. Os dois primeiros efeitos da morte são dividir e esfriar. Morreu um homem, apartou-se a alma do corpo: se o apalpardes logo, achareis algumas relíquias de calor; se tomastes daí a um pouco, tocastes um cadáver frio, uma estátua de regelo. Estes mesmos efeitos ou poderes têm a vice-morte, a ausência. Despediram-se com grandes demonstrações de afeto os que muito se amavam, apartaram-se enfim, e, se tomardes logo o pulso ao mais enternecido, achareis que palpitam no coração as saudades, que rebentam nos olhos as lágrimas, e que saem da boca alguns suspiros, que são as últimas respirações do amor. Mas, se tomardes depois destes ofícios de corpo presente, que achareis? Os olhos enxutos, a boca muda, o coração sossegado: tudo esquecimento, tudo frieza. Fez a ausência seu ofício, como a morte: apartou, e depois de apartar, esfriou.
A ausência. O que mais o ser humano teme, é cair no esquecimento. Comparar a ausência à morte, assusta. Mas convenhamos, sabemos que acostumamos com aquilo que não temos mais. Tudo se esfria. Mais rápida que o tempo, a ausência ainda deixa resquícios no coração daqueles que amam.. ambas deixam motivos para que volte-se a amar. Novamente, a gripe. Ela passa, mas pode voltar não é mesmo? Será que há algo mais definitivo?
(...)O terceiro remédio do amor é a ingratidão. Assim como os remédios mais eficazes são ordinariamente os mais violentos, assim a ingratidão é o remédio mais sensitivo do amor, e juntamente o mais efetivo. A virtude que lhe dá tamanha eficácia, se eu bem o considero, é ter este remédio da sua parte a razão. Diminuir o amor o tempo, esfriar o amor a ausência, é sem-razão de que todos se queixam; mas que a ingratidão mude o amor e o converta em aborrecimento, a mesma razão o aprova, o persuade, e parece que o manda. Que sentença mais justa que privar do amor a um ingrato? O tempo é natureza, a ausência pode ser força, a ingratidão sempre é delito. Se ponderarmos os efeitos de cada um destes contrários, acharemos que a ingratidão é o mais forte. O tempo tira ao amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunicação, a ingratidão tira-lhe o motivo. De sorte que o amigo, por ser antigo, ou por estar ausente, não perde o merecimento de ser amado; se o deixamos de amar não é culpa sua, é injustiça nossa; porém, se foi ingrato, não só ficou indigno do mais tíbio amor, mas merecedor de todo o ódio. Finalmente o tempo e a ausência combatem o amor pela memória, a ingratidão pelo entendimento e pela vontade. E ferido o amor no cérebro, e ferido no coração, como pode viver? O exemplo que temos para justificar esta razão ainda é maior que os passados.
E se a ingratidão ressuscita o aborrecimento até nos mortos, como achará amor nos vivos? (...)
Bem, a Ingratidão parece mesmo muito eficaz!!! Nada melhor do que quando não há mais motivos para amar, quando percebe que simplesmente o ser amado não merece o amor. Mas será então que não há uma alternativa menos dolorida para o amor? Sempre deve ser sofrido, doloroso..com separações, rancores, cicatrizes. Será que há uma esperança?
(...)É pois o quarto e último remédio do amor, e com o qual ninguém deixou de sarar: o melhorar de objeto. Dizem que um amor com outro se paga, e mais certo é que um amor com outro se apaga. Assim como dois contrários em grau intenso não podem estar juntos em um sujeito, assim no mesmo coração não podem caber dois amores, porque o amor que não é intenso não é amor. Ora, grande coisa deve de ser o amor, pois, sendo assim, que não bastam a encher um coração mil mundos, não cabem em um coração dois amores. Daqui vem que, se acaso se encontram e pleiteiam sobre o lugar, sempre fica a vitória pelo melhor objeto. É o amor entre os afetos como a luz entre as qualidades. Comumente se diz que o maior contrário da luz são as trevas, e não é assim. O maior contrário de uma luz é outra luz maior. As estrelas no meio das trevas luzem e resplandecem mais, mas em aparecendo o sol, que é luz maior, desaparecem as estrelas. O mesmo lhe sucede ao amor, por grande e extremado que seja. Em aparecendo o maior e melhor objeto, logo se desamou o menor.
Depois de convercer-se de que sarar dessa enfermidade não é nem um pouco fácil (sim, ele me convenceu! rs) Eis uma luz. Melhorar de objeto. Encontrar outro amor. Maior, por consequência, melhor. Capaz de fazer com o que o outro se torne menor, se apague, suma, desapareça. Bem, se é tão bom amar, se é tão bom sentir esse sentimento, não há mesmo melhor remédio para o amor do que outro amor, e o melhor de tudo, não é sofrido. Parece perfeito, não?
A única coisa que o Viera não soube explicar, e nem ele e nem ninguém, é se é possível escolher.
Resta-nos torcer, para poder padecer do melhor de todos os remédios!
segunda-feira, abril 13, 2009
Música deveras conveniente
Is a darkness that we know,
And this regret I got accustomed to.
Once it was so right
When we were at our high,
Waiting for you in the hotel at night.
I knew I hadn't met my match,
But every moment we could snatch,
I don't know why I got so attached.
It's my responsibility,
And you don't owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
I don't understand,
Why do I stress a man,
When there's so many bigger things at hand,
We could've never had it all,
We had to hit a wall,
So this is an inevitable withdrawal.
Even if I stop wanting you
A perspective pushes true,
I'll be some next man's other woman soon.
I couldn't play myself again,
I should just be my own best friend,
Not fuck myself in the head with stupid men.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above
A blaze
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
I wish I could say no regrets,
And no emotional debts,
Cause as we kiss goodbye the sun sets.
So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above a blaze that only lovers see.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In my blue shade
My tears dry on their own.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I am grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry on their own.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry...
domingo, abril 12, 2009
Da série: coisas que não fazem mais sentido depois que você cresce
Tenho uma família grande. Grande e unida. Já foi mais, fato, mas unida. Logo, datas comemorativas sempre foram motivo de nos reunir. Assim, me lembro de como foi triste o primeiro feriado da Páscoa que não passei junto com todos. Foi estranho. Eu gosto de rituais. Acredito que eles sejam fundamentais para tornar "um dia diferente dos outros dias, uma hora diferente das outras horas". Assim, a sexta feira santa sem a torta da tia Maria, não foi a mesma coisa. Não me importava em ganhar muitos ovos de Páscoa, o que eu realmente gostava era isso: estarmos todos juntos, falando alto, brigando, rindo, comendo.. enfim, juntos.
Com o tempo, cada vez menos fomos nos reunindo nesse dia.. e cada vez menos sentido a Páscoa faz para mim.
Em tempos mais católicos, respeitava e seguia toda a simbologia que envolve esse dia, mas hoje, tenho uma outra visão.Ainda respeito, não vou fazer um churrasco na sexta feira da Paixão. Simplesmente porque tem todos os outros mil dias no ano para se fazer um churrasco. Se vc não quer não comer carne vermelha, tudo bem, mas fazer um churrasco é apenas uma afronta. Uma afronta gratuita. Mas o que eu simplesmente não compreendo é a finalidade de tanta simbologia: Por que deixar de tomar refrigerante durante a quaresma? Por que não comer carne vermelha no dia da paixão?De que vale atravessar uma ponte inteira de joelhos? Por que essa exaltação do sofrimento!?
Seria válido se tudo isso provocasse mudança de comportamento. Se depois de deixar de comer carne vermelha, você fosse capaz de pensar também na criança que não ganha ovo de páscoa e do quanto isso é importante pra ela. Se ao atravessar a ponte de joelhos para agradecer uma graça, você se lembre de que não custa nada ir até um hospital arrancar um sorriso de alguém que passou o feriado dentro de um quarto. Ou ainda que ao fim da quaresma, vc perceba que ficar sem tomar refrigerante não é sacrifício nenhum, sacrifício é sustentar uma família com um salário mínimo.
Se a Páscoa seria um momento de renascer, renovar e aceitar a lição de amor deixada por Cristo, penso que os cristão a banalizaram completamente. Escondem-se atrás de um monte de simbologias criadas sabe-se lá por quem e continuam com seu espírito mediocre.
Não sei se posso ainda me considerar católica. Prefiro me considerar apenas cristã. Procuro evitar que os dogmas de uma igreja não me ceguem com relação a lição mais bonita que existe relacionada a essa data: a possibilidade de ressuscitar. Ressuscitar os sentimentos bons, fazer nascer alguém que não existia dentro de você, e aos poucos, servir de exemplo, fazer a diferença.
Feliz Páscoa! Que vcs possam apreciar seus chocolates, curtir suas famílias, amigos, namorados.. e pensar, pelo menos um pouco, no que realmente esse dia significa.
sábado, abril 11, 2009
Todos os fins de semana, a cena se repete. Prepara-se pra uma noite que já sabe como vai ser..
Não entendia mais porque insistia em seguir esse mesmo caminho se ele parece já não fazer mais sentido.
A bebida faz que com que se enquadre na ditadura da felicidade, ri muito, dança, sente-se invencível, poderosa, absoluta. Tudo enganação. No fim da noite, junto com o sono, a decepção para consigo. Deixou-se levar mais uma vez.. enganou-se por mais um sábado. E fará isso mais quantas vezes?
Não quer mais se sentir obrigada a ser feliz. Queria realmente estar feliz, plenamente feliz. Não queria mais apenas conformar-se com o que tem e acreditar que poderia ser feliz apenas assim. Falta-lhe ambição, aliás, não permitem a ambição. Consideram-lhe ingrata.
Quem consideram? Quem são esses que importam tanto? Que sufocam, pressionam?
Apontam, julgam, determinam em meio a suprema vaidade humana. Julgam-se capazes de afirmar categoricamente o que é melhor para você. E você se esforça para agradá-los.
Estava realmente farta. Não queria mais colocar o salto alto. Não queria mais preocupar-se em impressionar. Não queria mais procurar pelo que não existe. Queria já ter encontrado e então, poder viver outro momento, criar novos rituais, ter novas ambições..
Queria querbar o seu ciclo, seguir um novo caminho, ser uma nova pessoa.
Queria..
falta-lhe coragem. É fraca. E acima de tudo, medrosa. Mais fácil culpar a tudo que a cerca por ser como é.. difícil reconhecer que enquanto puser a culpa n'Eles, continuará assim... vazia.
A palavra é meu domínio sobre o mundo
....
"Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra."
...
Por enquanto estou inventando a tua presença
....
....
Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias
.....
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
...
Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.
Clarice Lispector.
sábado, abril 04, 2009
Interessam? ou não?
Bom, mas como nunca se abandona de vez uma paixão, volto com um novo texto! voilá!
Mentiras sinceras
Peguei o livro que estava sobre a mesa e passei os olhos pela contracapa: Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)
A palavra foi feita para dizer. Ao mesmo tempo que pareceu uma afirmação obvia tornou-se esclarecedora. É curioso como o obvio ainda causa espanto. Pois então não é assim que deveria ser? Não deveria ser esse o único objetivo das palavras? Dizer. Simples assim.
Dizer, não mentir. Dizer, não enganar. Dizer, não enrolar. Dizer, não falsear.
Pensei em todas as palavras que escuto todos os dias e quais delas realmente diziam alguma coisa. Em quantas delas são absolutamente desnecessárias. E como eu ficaria muito melhor sem nunca tê-las ouvido.
As pessoas se esquecem que a palavra tem autoridade sobre as coisas do mundo. Ou seja, a partir do momento em que é dita, pressupõe-se que é uma verdade. Porém o sentido anda tão banalizado, que os valores se inverteram: partimos do princípio de que é uma mentira. Mentira sincera, mas mentira. Que leva tempo e paciência para atingir o status de verdade.
Falsos elogios. Falsas saudades. Falsos cumprimentos. Que são proferidos por hábito, sem nenhuma consciência do que significam. Azar daqueles que porventura, acreditam.
Pois foi essa última frase que me fez escrever correndo o risco de até mesmo cair nesse mesmo erro. Afinal, as palavras são sedutoras, enganam, confundem, dissimulam... É fácil esconder-se por de trás delas.
Graciliano Ramos refere-se ao ato de escrever, quem já leu uma obra dele sabe bem o porquê dessa afirmação: frases curtas, diretas, intensas. Em uma frase Graciliano é capaz de tocar. Até mesmo seus personagens, Fabiano, de Vidas Secas, não sabe falar, se atrapalha com as letras, mas o narrador é capaz de expor toda sua complexidade interior, sem muitos rodeios... com as mesmas frases simples e definitivas.
E é isso que eu quero: palavras simples, mas definitivas. Que digam, e por dizer, construam realidades.
Cazuza que me perdoe, mas mentiras sinceras, não me interessam.
quinta-feira, março 05, 2009
Lembrei dessa música...
Um clássico. E como todo clássico... bem.. e não é que é?
Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
Noutro canto da cidade
Como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse
- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir
Festa estranha, com gente esquisita
- Eu não tou legal, não agüento mais birita
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
- É quase duas, eu vou me ferrar
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes
Do Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda estava
No esquema "escola, cinema, clube, televisão"
E, mesmo com tudo diferente
Veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia
Como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro e artesanato e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa
Que nem feijão com arroz
Construíram uma casa uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação
E quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?
quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Ganhei esse selinho do Du, do blog http://www.dacordasuapaz.blogspot.com/, o qual, aliás, é excelente!!! Muito Obrigada, Du! e continue escrevendo seus textos tão suaves e bonitos!!
Bom, agora tenho que continuar né? Seguir as regras.. vamos lá!
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” Que vc acabou de ganhar!!!
2- Poste o link do blog que te indicou.(muito importante!!!)
3- Indique 10 blogs de sua preferência;
4- Avise seus indicados;
5- Publique as regras;
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras;
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B !
Os blogs indicados são:
1) http://maisqueblablabla.blogspot.com/ (companheira de IEL)
2) http://diantedachance.blogspot.com/ (Diego, já pensou em escrever novelas? rss)
3) http://www.blogdocreco.blogspot.com/
4) http://liquimix.zip.net/ (também parceira de IEL, doutoranda! aliás!)
5) http://complexodepagu.blogspot.com/ (a socióloga que devia voltar a escrever mais..)
6) http://poetasbarrota.blogspot.com/ (meus poetas favoritos)
7) http://perolasdamimi.spaces.live.com/ (só da IEL aqui..rss)
8) http://modeloclassico.blogspot.com/
9) http://junioroliveira.blogspot.com/
10) http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/
