segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Eu queria.

Eu queria ter certeza de não querer mais.
Eu queria não querer.
Queria mesmo era me convencer de que não quero.
Queria acreditar que não quero mesmo.E nem nunca mais vou querer.
Eu queria que tudo não passasse de uma lembrança.
E que as lembranças ficassem escondidas em um lugar que eu nunca pudesse encontrá-las.
Como aquela roupa velha que você insiste em guardar na gaveta e de repente, quando volta fazer a arrumação, percebe:
não serve mais, não combina mais.
Não quero mais usar.
E vai então para a pilha que vai embora. E nunca mais volta.
Queria que fosse aquela roupa velha.
Queria que não voltasse.
Mas volta.
Eu queria querer que realmente não voltasse, mas você sempre volta.
Então me desconheço.
Todos meus argumentos não me valem mais.
Me engano, me finjo, me iludo.
Sou minha maior inimiga.
Não consigo convencer a mim mesma.
Queria acreditar naquilo que eu faço com que os outros acreditem.
Queria querer as coisas diferentes, novas.
Queria não querer mais o seguro, confortável, conhecido.
Queria não querer mais reviver lembranças de outrora.
 Queria não ter mais aquele riso bobo que só eu sei (e talvez você saiba) que existe quando você me olha com aqueles olhos que são só seus.
Definitivamente, queria não querer.
Queria, futuro do pretérito
( e existe algo mais paradoxal do que o futuro e o pretérito?)
ação futura ocorrida no passado.
E o passado já foi.
E o futuro não será.
Eu queria....... Não quero mais?
Não quero. Não quero querer.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Filme "Nosso Lar" e outros pensamentos.

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" (Clarice Lispector) 




Não sou espírita. E já também não sei se sou católica. Se ser católica significa ser batizada, crismada e ter primeira eucaristia, pois bem, eu sou. Agora se é ir a Igreja e concordar plenamente com os dogmas católicos, então não. Considero-me cristã. Não acredito em Alá, nem Buda, nem acho que Jesus Cristo foi só um profeta. Sou apenas uma pessoa que tem fé. E a minha fé assim como a de todos vem justamente daquilo que não podemos explicar. Acredita-se e fim. 


Ontem, ao assistir ao filme Nosso Lar, tive vários pensamentos. Não li o livro e nem mesmo conheço os estudos espíritas, embora tenha uma grande admiração e respeito (porque não, afinidade?) com os seus ideais. Então, para mim, houve algumas surpresas e questões. A primeira coisa que busquei ao ver as imagens do Umbral e do próprio Nosso Lar foi: Como eu achava que era o céu? e o inferno? e o purgatório? - Bem, como católica, essas entidades imaginárias sempre foram recorrentes em meu subconsciente, até que me dei conta de que eu nunca tive na verdade uma verdadeira idéia física do que fosse o céu ou o inferno e etc. As imagens mostradas no filme são absolutamente questionáveis para alguém que desconhece os estudos espíritas - uma cidade em outra dimensão, computadores, televisores, enfim.. algumas supresas com relação àquele imaginário comum: um dia ensolarado, jardins, flores, clima ameno e feliz. Duvido que alguém faria uma descrição diferente do céu. 


Mas o mérito do filme, ao meu ver, e o que mais me fez pensar de ontem pra hoje foi: como são as pessoas que estão no céu? como elas devem ser? E nesse quesito, ponto para o espiritismo: o céu é um lugar onde existem pessoas do bem. Todos iguais entre si, respeitando-se, amando-se, unindo-se. Não importa como será o "céu" fisicamente, mas se as pessoas que o compõem realmente for assim.. então, estamos falando a mesma língua. E o outro ponto positivo para o espiritismo é: isso não acontece sem aprendizagem. E essa aprendizagem não é só na vida terrena. O Ser humano precisa aprender constantemente, porque ele tem falhas, erros, defeitos. E nem sempre ele tem consciência dos defeitos. (aliás, quase nunca tem) 


As pessoas admitem defeitos que na verdade as torna ainda mais vítimas - eu me preocupo demais com as pessoas, eu abro mão pelos outros, eu dou mais do que recebo, etc. Ora, defeitos assim são fáceis e até bons de admitir. Estou falando daqueles defeitos tão humanos, que todos sentem, e que temem admitir como se a partir do momento que dissessem ele se tornasse mais real - a inveja, o egoísmo, a traição, a falsidade. Não me venha dizer que nunca sofreu de nenhum desses, porque eu simplesmente não acredito. 


Pessoas mentem todos os dias o tempo todo. Pessoas enganam, traem, e nem sempre com a intenção de fazer mal a alguém, mas não estão sendo corretas. Pessoas que traem seus companheiros. E não falo só de infidelidade - eu falo de mentira, deslealdade, falta de respeito. Pedem perdão, não se arrependem e fazem de novo e de novo e de novo.Quem nunca ficou com uma pessoa comprometida e ainda diz: "Não sou eu que tenho compromisso" Como se isso livrasse sua culpa. Isso se chama traição. Quem nunca julgou pessoas que tem mais amigos do que vc, gostam mais de outra pessoa do que vc, tem um(a) namorado (a) mais bonito, ganha mais, diverte-se mais, enfim.Isso se chama inveja. Quem nunca se irritou pq alguém não fez o que vc queria que aquela pessoa fizesse. Deixa eu te avisar: isso é egoísmo. Julgar atos, criticar pelas costas e sorrir pela frente. Vamos lá, sejam sinceros consigo. Sim, estamos todos sujeitos. Ninguém está livre. Ninguém tem caminho reto, direto e sem dor ao "céu" só por causa de uma dúzia de ave-marias e pai-nossos ou uma doação em dinheiro pro Boldrini.. o arrependimento real é muito mais dificil. 


No fundo, eu tenho pena daqueles que acham que não erram. Já se acham bons o suficiente. Não roubo ninguém, não mato, vou a missa, não faço mal a ninguém - vou pro céu. Tenho pena dos que têm essa certeza. Tenho penas dos que se consideram bonzinhos. Se consideram prontos.


Prefiro pensar que ainda não estou pronta. Que ainda erro muito e tenho muito ainda pra aprender com cada erro. Tenho que melhorar cada vez mais, evoluir mais. E ainda assim, não estarei pronta. Porque o que separa o humano do divino é justamente isso: a imperfeição. 


Independente de religião, crenças ou fé - tenhamos a consciência de sermos humanos, e por isso frágeis, suscetíveis, ruins.. e busquemos cada vez mais ser uma pessoa melhor. E quem tiver com essa ideia, independentemente de qual religião for,  estou dentro! 


Quanto ao filme em si - atuação fraca, efeitos e cenários duvidosos, porém uma boa história! Vale a pena. 

domingo, janeiro 16, 2011

10 Coisas/Pessoas que eu não gosto. Muito.

1.Acordar cedo: Deve fazer quase uns 20 anos que eu tenho que acordar cedo. E eu NUNCA me acostumei. Entenda-se cedo para mim: em dias úteis, antes das 8h. Fim de semana, Antes das 10h. Eu já não gosto de acordar. (é sério, pra mim, a sensação de sair do útero deve ser mais ou menos parecido com isso..) Com despertador, é pior ainda. Sem ter dormido o suficiente, a morte. E acho que eu não vou me acostumar mesmo (e nem vou ter que deixar de acordar cedo)


2. Pseudointelectuais: (isso inclui também intelectuais posers) Gente que fica criticando tudo que é popular. Vai contra  todas as unanimidades apenas para ser do contra. Fala mal de BBB, Novelas, mas assiste Realtys e Seriados de TV por assinatura. Fala para as pessoas lerem um livro mas não lê bosta nenhuma. Critica as futilidades. É burguês e faz discurso de esquerda. Realmente, é um tipinho que cansa muito. Principalmente nas redes sociais. 

3. Piriguete que se faz de santa. Precisa explicar? É discurso moralista, é julgamento alheio, é charminho, é cu doce.. Ganhou liberdade, está descendo até o chão, encoxando, pegando cara com namorada, casado, etc. o affair da amiga e assim vai. Dia seguinte, nova posa de santinha. Odio mortal! (todo meu respeito às periguetes assumidas =) ) 

4. Encontrar uma garrafa de coca-cola na geladeira com só um pouquinho. Pow, bebesse tudo né? Fica iludindo as pessoas (o mesmo acontece com o suco, o leite e assim por diante...) 

5. Perceber que a pessoa não fez o mínimo esforço pra entender algo. Eu tenho o hábito de antes de perguntar alguma coisa, sempre procurar ver se a resposta não está na minha fuça. Parece óbvio né? Mas não é. Você manda um email. A pessoa responde dizendo que não entendeu e perguntando tudo que vc já escreveu. Tem uma placa em algum lugar. A pessoa te pergunta aquela informação ao invés de ler. Resumindo: não gosto de quem tem preguiça de pensar. 

6. Fila desorganizada. Eu não sou uma pessoa organizada, mas me dá funiquito não saber onde começa ou onde termina uma fila. Custa um ficar atrás do outro? Já cheguei a fazer a louca e organizar a fila do banco e da barraquinha de tapioca lá no festival de inverno de amparo.rs

7. Sapato que aperta/machuca. Nessa caso, é uma escolha né? É que tem alguns que são traidores. Vc olha aquela sapatilha linda, fofa, sem salto  e pensa: Que confortável! Mentira. Ela vai arruinar sua noite, seu dia de trabalho, etc..

8. Bebidas mornas. Ou é quente. Ou gelado. Não gosto de nada morno. Água morna, suco morno, leite morno, banho morno.. écati. 

9. Casais bregas. É perfil único no orkut. É status de casado sem estar. A foto juntos no perfil. É declaração all the time. É apelido besta. É voz de "bebê" (leia-se: retardado) É um fazendo ceninha pro outro. Fadiga, né?

10. Falar no telefone. Não sei em que momento eu deixei de gostar pra chegar ao ponto até de evitar. Talvez seja pq eu esgotei toda minha cota na adolescência. Hj prefiro emails, sms, sinal de fumaça.. o que for, menos o telefone. Desenvolvi repulsa. rs

(a lista não é por ordem de importância, a não ser o primeiro item: eu não gosto MESMO de acordar cedo) 

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Au revoir, mon cher 2010

Há dias penso que eu deveria escrever um post de final de ano. Já mencionei aqui como eu gosto dos rituais. Aniversário, Natal, Ano Novo... são pretextos, apenas pretextos, pra gente poder parar e pensar. Esquecer de tudo - trabalho, família, amigos, namorado.. enfim, parar e pensar em si. O que eu tenho feito da minha vida? Quem sou eu? ´Quem eu quero ser? Gosto dos rituais porque eles nos fazem criar consciência, e não apenas viver nessa "paulicéia desvairada" que costuma ser a vida do século XXI.
Gosto de enviar mensagens de Natal e receber respostas carinhosas e sinceras. Gosto de fazer os Amigos Secretos e ficar horas pensando em qual presente pode ser o ideal praquele amigo especial. Gosto de enfeitar a árvore de Natal, embora eu morra de preguiça de desmontá-la. Mas ela fica linda, com todos os enfeites brilhando e o os presentes ao pé, como se fosse um filme. Gosto das confraternizações, gosto de ver pessoas da minha família que não via há anos, de escolher uma roupa nova.. gosto até daquela tristezinha, quase que uma saudade antecipada do ano que está encerrando, aquela insegurança sobre o que será do novo, como se tudo mudasse a partir da meia noite do dia 31.

O ano ainda não acabou. E faço questão de pensar nos detalhes de mais um ritual - a roupa branca, a cor da calcinha (tá difícil, hein: amor, dinheiro ou  paz?), tentar não deixar pendências, pensar em tudo que não foi bom nesse ano que passou e jogar fora. Esquecer. Apagar. Concentrar o pensamento no que eu quero pro próximo ano e desejar com tanta força como se só o pensamento fosse suficiente.

Pequenas ilusões do dia a dia que são indispensáveis, sem as quais seria impossível viver.

2010, meu querido, Obrigada. Obrigada por ter trazido pessoas tão LYMDAS pra minha vida. Obrigada por ter me feito rir mais. Obrigada por ter me ensinado a dizer mais "Não." Obrigada pelos belos dias de sol. Obrigada pelas belas noites de risada. Obrigada pela emoção que eu sentia com cada aluno recitando um poema naquele Sarau. Obrigada por me dar paciência, quando eu achava que já não teria mais. Obrigada por ter me levado a Paris... como eu poderei esquecer? Ah, 2010... nem que se passem tantas e tantas décadas, será impossível esquecê-lo.


E que seu amigo, 2011, me surpreenda. Tenho lá os meus receios com anos ímpares. Mas prometo que vou ajudá-lo no que for preciso. Que nele eu possa desmontar a árvore de Natal. Aprender a dançar tango. Continuar minhas aulas de francês. Comprar um cachorro beagle que se chamará Quincas. Emagrecer 10 kg.  Consiga finalmente ler Grande Sertão: Veredas. Abraçar meus amigos pelo menos todo fim de semana. Rir ao menos uma vez por dia. Amar mais. Me apaixonar. Chorar de vez em quando também.. escrever mais nesse blog. E principalmente, que eu consiga não deixar nunca de sonhar, sonhar e sonhar......

terça-feira, dezembro 14, 2010

Sabe? A vida não é justa. Nem um pouco. Não há dúvidas.
Hoje, eu me levantei como em todos os outros dias para fazer o meu trabalho. Com a diferença de que levei tantas cacetadas que quase as consigo sentir fisicamente. Curioso como as maiores dores não deixam sequer uma marca física. E ainda não consegui chorar por elas. De raiva, de tristeza.. enfim.
Olhei para um colega e disse:
- Por que mulher é tão mais sentimental?
Ele me disse:
- Eu apenas sei disfarçar melhor.
Ele sabia o que eu estava sentindo. A vida não é justa. Mas não estamos sozinhos. E é por saber que existem pessoas que sabem o que estamos sentindo que a vida vale a pena.
Passei o dia todo assim, pensando. Com o choro entalado. Nada conseguia me animar. Nem mesmo o filé mignon com catupiry e bacon. Nem a os quizzes do facebook. Nem a possibilidade de ir ao shopping passear. Talvez porque eu precisasse passar por esse momento. Talvez porque eu precisasse pensar. Pensar no que ela me disse antes de partir: Estou compartilhando isso com você, porque vc ainda é a única aqui que é do bem. 


Talvez o lugar para as pessoas do bem seja bem pouco. O reconhecimento, menor ainda. Mas é bom saber que essas poucas pessoas ainda existem e estão perto de mim.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Travesseiro de ilusões.

Ela deitava a cabeça no travesseiro e tentava suprir o vazio com fantasias. Enquanto outras construiam castelos em cima de seus príncipes, ela tentava criar o seu príncipe. Ficava a imaginar como ele seria, como seriam juntos e onde ele estaria. Afinal, onde é o lugar ideal para encontrar o seu amor? Ela pensava, pensava e pensava. Parece que essa pergunta era impossível de responder. Ia a um lugar que era a sua cara. Tocava o tipo de música que gostava, tem o tipo de pessoas com quem é capaz de passar horas conversando. Fazia amigos, mas parecia impossível encontrar um amor.
A única coisa que tinha certeza é de a vida é ridiculamente irônica com aqueles que a tentam entender. Ou ainda, se assustava com a clareza com que via algumas respostas aos seus questionamentos. E tinha medo de encarar essas respostas, de incorporá-las ao seu modo de vida. Seria tão difícil passar a acreditar nisso... 
Voltava ao seu príncipe. Quem sabe se ela pensasse muito, ou se acreditasse muito, ele viesse a existir. 
Ela sabia que ele teria um sorriso encantador. Mais que isso, uma risada encantadora. Ela tinha certeza que eles saberiam rir um com o outro o tempo todo. E rir um do outro, principalmente. Ele não faria ar de entediado quando ela começasse a palestrar sobre o último livro que leu. Talvez ele pedisse emprestado, ou lhe contasse sobre o dele. Ele, com certeza, não é do tipo atlético. Nem arrumadinho. Nem engomadinho. Provavelmente, um cabelo despretencioso, um ar de desligado, uma cara de menino e ao mesmo tempo uma cabeça de homem! Uma leve pancinha inevitável. A pancinha resultado das tardes de cerveja, aquela pancinha que acomoda, que envolve o abraço. 
Eles vão sentar juntos em um bar, tomar cerveja, chamar os amigos, rir com eles, falar sério também.. ouvir uma boa música, com uma boa letra! Talvez ele tenha um pouco de vergonha quando ela se empolgar demais, (ela sempre se empolga) e no fim das contas, ele vai acabar rindo e continuando sem entender o porquê dela fazer tudo aquilo. Não vai ser sempre que ela vai achá-lo bonito. E vive versa. Mas que importa? 

Continuava construindo seus castelos, imaginando que conversas teriam.. de tempos em tempos, ria de si mesma por ser tão tola. Afinal, ela sabe que não é assim. Aquelas tais respostas não abandonam a sua mente. Ela sabe que é tudo bem diferente - e que talvez esse cara que ela idealiza exista sim. Mas está por aí com uma pseudo-modelo-pseudo-intelectual-pseudo-interessante com personalidade voluvel que tem pouca importância ante uma beleza monumental. Talvez ele exista e os dois sejam grandes amigos, mas jamais amantes. Talvez ela já tenha o conhecido. Talvez ela não seja afinal tão original.. e esteja só recriando histórias que já viveu. 

O que importa disso tudo é que o travesseiro não está vazio. Ele ainda tem alguns sonhos. Ela se agarra a eles com toda força, porque tem medo. Tem medo que eles um dia possar partir de vez.... 

sábado, novembro 27, 2010

É outra realidade que é bem triste.

Está aí, em todos os noticiário, em todas as redes sociais. Fotos "chocantes". Camburões, exército, o BOPE. Parece que a Guerra agora está realmente com cara de Guerra. Sim, porque essa guerra sempre existiu, não sejamos inocentes de achar que não. Acontece que - aparentemente (logo explico o "aparentemente") - a coisa ficou feia e resolveram mostrar que sabem fazer alguma coisa.

Nessa história toda, quem mais me irrita é classe média. Da qual faço parte e assumo minha parcela de culpa. É a classe média que fica pedindo paz pelo twitter, mas que fala mal dos "mano" que ouvem música alta no ônibus. É a classe média que clama por igualdade social mas que acha um absurdo as cotas nas universidades públicas. É a classe média que diz que o governo faz pouco caso dos mais desfavorecidos, mas que insulta com belos palavrões aquele que rouba seu celular de última geração. A classe que reclama dos "nordestinos" que invadiram a cidade mas não se importa com estes que trabalham pra ela. A classe média que desenvolve projetos sociais e fuma maconha nas festinhas da faculdade.... este mesmo que fuma maconha é o que já disse em uma mesa de bar que acha que "policial é tudo filho da puta" mas nem mesmo sabe o que é pagar suas próprias contas. 

Já diria Cazuza: A burguesia fede! Enoja. 

Estão todos comovidos, choram. "Que horror! Quanta violência! Isso é um absurdo! Que triste..." Choram com uma hipocrisia ridícula e se vangloriam: "Agora sim, a policia está certa! Tem que matar! Bandido bom é bandido morto".  

O grande problema da classe média é achar que o problema da sociedade é o pobre. Não é. É ela mesma. É ela que acha que faz voto de protesto e elege o Tiririca. É ela que acha que os pobres não sabem votar. E estes realmente não sabem, pior são aqueles que estudam, tem algum conhecimento e mesmo assim não sabem. É ela que acha legal que o Brasil vai sediar a copa e as Olimpíadas.É ela que acha que é função do governo resolver os problemas. 

 Bem, quando assisti Tropa de Elite 2, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a dualidade entre os personagens Fraga e Coronel Nascimento. Um idealista, outro realista. Um pelo intelecto, outro pela força. Um sonha, outro luta. E no fundo os dois tem uma semelhança gritante: querem mudar o país. Enquanto os dois se enfrentam, não chegam a lugar nenhum. Coronel Nacimento revela o desejo da classe média que se sente acudada: Matem os bandidos! bandido bom é bandido morto! - Fraga representa o desejo dos teóricos e intelectuais - Não adianta matar! É preciso transformar a sociedade! - Quem está certo? Os dois. E o filme nos mostra que os dois podem trabalhar juntos. Devem. Cada um fazendo a sua parte e um colaborando com o outro, mas não se enfrentando. 
Não dá para sermos tão realista quanto o herói Capitão Nascimento. Matar os bandidos não vai resolver. Ele mesmo percebe isso. E não dá pra ser um idealista politicamente correto como Fraga. E a suposta solução para os nossos problemas está ainda bem longe de ser realizada.  

Ótimo, Sue Ellen. Você falou, falou, e aí? Pra que? Pra dizer que não tem mais jeito? Talvez. 
Mas principalmente quero que as pessoas criem consciência de que podem matar todos os traficantes e bandidos possíveis. Eliminar um por um. Em pouquíssimo tempo, haverá outros. Haverá novos bandidos, porque enquanto houver pobreza, haverá bandidos. Enquanto houver uma desigualdade social gritante como é, novos bandidos surgirão, porque eles não tem outra escolha. E eles vão continuar sobrevivendo e ganhando dinheiro em cima do idiota que usa a mesada do pai para consumir droga. Ou do artista milionário que participa de eventos por um mundo melhor e "dá um tiro" antes de entrar no palco. Ele vai sobreviver porque a classe média o sustenta. 

E ainda diz depois: "Mas o governo....."

ps.: O aparentemente é devido ao sensacionalismo da mídia. Não sabemos até que ponto isso tudo não é um exagero ou a situação tá feia mesmo. É sempre bom ter cautela, mas é fato que não dá pra ignorar!

terça-feira, novembro 09, 2010

A respeito do ENEM.

Eu fiz o ENEM em 2003, obviamente, no formato antigo de 63 questões e uma redação dissertativa. Lembro-me bem que achei a prova fácil, hoje não vejo dessa forma. Não é que era fácil, é que ela não tinha o objetivo de excluir, eliminar ou classificar, o ENEM era o que todo exame deveria ser, algo que avalia o seus conhecimentos. Depois que me tornei professora, percebi que a teoria que norteava o ENEM era a melhor em termos de avaliação. Questões com pegadinhas, que cobram conhecimento conteudista, decorebas, formulas e etc, servem para eliminar candidatos quando se tem poucas vagas e não avaliam de fato pois envolvem N fatores - sorte, acaso, nervosismo, preparo, classe social..etc etc etc..

E agora, vejo o que fizeram com esse pontinho de esperança de uma mudança inteligente no processo seletivo das universidades: um belo balde de água fria. Comprovando aquilo que eu já sabia e me dói confirmar: ninguém leva a sério a educação nesse país.

Desde que anunciaram as mudanças eu já imaginei que daria merda (nessa situação, só mesmo um português bem chulo pra mostrar a real) a decisão é feita em um ano e neste mesmo ano decidem implantá-la, é lógico que daria merda. E foram inúmeros os problemas, a prova que "vazou" (desculpem, mas não colou essa história) a indefinição com relação aos vestibulares e a descrença das principais universidades do país que decidiram por não adotá-lo. A reposta do público foi genial: mais de 40% de abstenção!!! O número se justifica e é uma forma de protesto - como confiar em um processo totalmente falho?

Ok, primeiro ano, a gente releva.Mas falhas banais como erro de digitação em um processo de avaliação que mobiliza o país inteiro é inadmissível.Falta de informação por parte dos ficais ao lidar com algo que poderia ser facilmente resolvido é patético. E agora a anulação da prova torna tudo um belo circo. Nunca um vestibular foi cancelado nem qualquer outro processo avaliativo - Saresp, Prova Brasil e etc. E então, o principal exame é simplesmente anulado devido a incompetência dos organizadores, lamentável.

Foi-se a esperança. As grandes universidades terão que manter o seu modelo tradicional e excludente de avaliação. Os dados expostos pelo ENEM vão continuar mostrando uma realidade forjada, as pessoas continuarão descrentes com relação a esse país, e tudo continuará sendo motivo de piada. Bem vindos ao país da piada pronta.

Resta-nos esperar que haja o mínimo de respeito com os milhares de jovens que se mobilizaram para realizar o exame e que outra alternativa exista além da anulação. Mas se esta acontecer e houver uma nova prova, eu mesma aconselharei todos os meus alunos da seguinte forma: não façam! Mostrem sua indignação e não se submetam um processo avaliativo falso. Gostaria de ver qual seria a reação dos representantes do MEC com um nível de 100% de abstenção. Aí sim, seria preciso fazer alguma coisa. Pra valer e com seriedade.  

sábado, novembro 06, 2010

Um belo poema.

Chuva fria

Manhã de sábado
Acordo assustado
A noite havia acabado
E eu ainda estava ligado.
A noite que veio,
Tão calma, sem brisa
Levou, sem rodeio
A falta imprecisa.
Ainda me pergunto
Como ela chegou,
Quando menos esperava
A saudade voltou.
O que mais surpreendia
Não era a face sem rosto
Ou o olhar sem brilho,
Ela estava com a arma na mão
E o dedo no gatilho.
Antes mesmo de começar a correr,
Ouvi num tom mediano
As águas eram seus dedos
E os telhados seu enorme piano.
As notas bem feitas
Me deixavam intrigado,
E antes de cair desmaiado
Gritava exaltado:
Chuva gelada, diga-me agora, o que foi que fiz para deixar-te irritada.
Chuva gelada, diga-me agora, quando tentei interromper sua jornada.
Chuva gelada, faça-se agora, leve daqui a tristeza infiltrada.
Chuva gelada, conte-me agora, onde se esconde minha amada!



Gostou? Achou bonito? Eu também! 
Sabe quem escreveu?
Meu aluno: João Paulo, publicou em seu blog http://operacaorevolucao.blogspot.com/2010/11/chuva-fria.html 

Não é pra morrer de orgulho? =) 

terça-feira, novembro 02, 2010

Coisas que aprendi a apreciar com o tempo.

1. Silêncio: Melhor falar nada do que falar merda. Melhor ouvir nada do que ouvir merda. O Silêncio faz você conseguir ouvir sua própria voz, seus pensamentos, seus sentimentos. As pessoas tem medo do silêncio, se incomodam com ele. Deve ser por isso que eu adoro livrarias, elas são tão silenciosas. (e por isso uma das minhas músicas preferidas seja Enjoy the silence.)

2. Solidão: tem coisas que podem sim ser muito legais de se fazer. E é preciso aprender a fazer algumas coisas sozinha. Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. É impossível ter sempre alguém pra fazer tudo o que você. Ninguém vive, morre ou aprende por você.  Gosto de fazer compras sozinha. Gosto de almoçar sozinha. Gosto de fazer trabalho sozinha. Gosto de dirigir sozinha. São momentos que eu fico pensando na vida, repassando todos meus afazeres, sonhando acordada. Ainda não fui ao cinema sozinha e ainda não viajei sozinha, mas são coisas que estão na minha lista para serem feitas! ;)

3. Cebola. Eu detestava quando era criança, hoje, eu gosto muito. Mas ainda não curto quando ela vem crua.

4. Cerveja. Eu era daquelas que dizia: "Credo, que amargo." Gostava das caipirinhas, bebidinhas com vodka e tal. E fui tentando. Um copinho aqui, uma latinha acolá. Você chega à faculdade e lá todos bebem cerveja e mais, por apenas 1 real a latinha. Beber cerveja é uma momento de socialização, diversão.. bem, resultado: hj em dia, naqueles dias de muito calor, eu só penso: ahhh, uma cervejinha!!!! - Para o azar do meu fígado e do meu peso, né? rs

5. Clarice Lispector: Não entedia nada do que essa mulher escrevia. Aliás, ainda não entendo. Mas afinal, "Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.."

6. o Não: É uma palavra libertadora. A partir do momento que aprende a dizê-la, torna-se mais feliz e mais livre.

7. o Egoísmo. Todo mundo vê com maus olhos o egoísmo e mal percebem que com isso estão sendo egoístas também. Afinal, quando você quer que a pessoa deixe de fazer o que ela quer pra fazer o que você quer, você é que está sendo egoísta, não é mesmo? Todos o somos. É preciso saber lidar com isso para não se tornar uma pessoa que se faz de vítima o tempo todo e nem uma que seja capacho de alguém. E então, vc se dá conta de como é bom alguns pequenos egoísmos da vida.

8. PT. Depois que passei a ter minha própria opinião política, e não só reproduzir o que eu ouvia por aí, percebi que ainda é o partido que propõe alguma esperança de que as coisas podem vir a ser diferentes.

9.Batom. Depois de muito tempo só usando gloss, começo a gostar da ideia de usar batom. Experimentei até um vermelho, vejam só. rs

10. Meus defeitos. É muito melhor quando você encara seus defeitos de frente e não tenta escondê-los. É impossível ser perfeito, algumas pessoas parecem ser, mas é tudo mentira. Um dia eles aparecem, e por quanto mais tempo você esconde, pior é quando eles aparecem. Conhecer seus próprios defeitos e lidar bem com eles é a melhor maneira para que os outros também aceitem o seus defeitos. E mais, é o caminho para você aceitar os dos outros.

domingo, outubro 24, 2010

Pendurei meu salto alto.

Depois de muito tempo sem ir a uma, resolvemos ir à balada. Os motivos que convenceram foram as entradas VIP's e o Open Bar de Stella Artois. E então, fomos. 
Definitivamente, esse mundo não me pertence mais. Já comentei isso por diversas vezes aqui no blog, não sei porque me esqueci dessa convicção. A música tão alta que não permite conversar, a falta de luz que confunde a visão e não permite distinguir bem as pessoas. As meninas com roupas mínimas, os rapazes todos iguais: com a mesma camisa pólo, com um número de um lado e uma bandeirinha e/ou desenho do outro. Todas com o mesmo corte de cabelo e mesmo tom de coloração. Entre eles, algumas pessoas... bem, perdidas? Será que seria esse o adjetivo ideal? Acho que sim! Perdidas. Não seguem o mesmo padrão que as demais, já não tem a mesma idade, parecem procurar suprir algo, com toque de maldade chamariamos de "tiazona". E eis que meu irmão solta: 

- Su, você tem só mais um ano, viu..
- QUE?
-É! Balada, no máximo até os 25. Você já é meio tia também. 

E então percebi o quanto eu estava perdida naquele ambiente. Não é o que eu gosto. Nem as músicas, nem as pessoas, nem a bebida cara, nada daquilo me agradava mais, estava lá nem sabia porquê. Perdida. 

Homens têm uma visão bem mais direta da realidade. As mulheres gostam de fantasiar, criar hipoteses, mil exceções para as regras. Eles não nos revelam sua verdade o tempo todo porque sabem que nós não queremos saber. Porém, quando você tem um irmão mais novo, ele simplesmente não vai ter esse pudor. Ele te fala mesmo, na lata, todas aquelas verdades que você conhece mas prefere não pensar nelas. 

A verdade do meu irmão de vinte e poucos anos, nesse caso, não foi nem um pouco dolorosa. Foi só uma constatação: Sim, estou tia para as baladas. Vou deixá-las para essa turma que vem por aí. Penduro meu salto alto, sem a menor dor no coração. Afinal de contas, desde os dezesseis  até os vinte e poucos, é muito tempo para aproveitar, não? E aproveitei. 

Não quero parecer como aquelas que eu chamei de "tia", procurando desesperadamente por um tempo que não volta mais. Não tenho vocação para Peter Pan. - Cada idade tem seu prazer e sua dor.. já diria a canção. 

Troco meu salto alto pela sapatilha, o escuro pelas meia luz, a longneck/drinks pela cerveja de garrafa, o camarote por uma mesa com os amigos, o xaveco furado e as conversas gritadas, pelas risadas dos papos filosóficos de mesa de bar, a dança "sensual" pela dança engraçada, a música alta pela melodia cantada por bandas. E tudo isso sem a menor dor no coração! 

O que me importa, do que não abro mão de forma alguma é da noite!! E essa, não vai me abandonar! 

sexta-feira, outubro 08, 2010

Vamos embora enquanto ainda está bom?

"A festa acabou. O povo sumiu. A noite esfriou. E agora, José?" 


Sabe quando você vai a uma festa super legal? Tudo dá certo, seus amigos estão animados, a música é boa, a bebida não é cara, as pessoas são bonitas e você está se divertindo um monte! Você pensa "Cara, essa é a melhor festa da minha vida!!!" e aí, já faz um bom tempo que vc está por lá, já poderia ir embora, ir pra casa com aquela sensação gostosa de ter se divertido muito e lembrar pra sempre como a melhor festa. Mas aí você decide ficar. Estava bom demais pra ir embora. Você quer ficar até o fim. Aí tem uma fila enorme para pagar no caixa, você vê o ex beijando outra, seu amigo vomita no carro, vc perde seu celular, começa a chorar, briga com seus amigos que até então estavam super animados, vai embora pensando " que bosta de festa". É impossível pensar em até quanto ela foi boa, porque o final vai ficar pra sempre na memória. E sabe por que isso aconteceu? Porque vc não soube a hora de parar.
Uma vez, uma amiga disse: "Vamos embora enquanto ainda está bom?" . E eu pensei: É esse o segredo. Saber a hora de parar.
A festa pode ser qualquer coisa na sua vida. Pode ser um relacionamento, pode ser um trabalho, pode ser uma faculdade, pode ser um projeto de vida, enfim.. é essencial saber a hora de parar. Mas a gente abusa das coisas, gasta-as até não poder mais vê-la e aí então começar a reclamar dela.
Vai a um restaurante, gosta dele. Vai sempre. Até enjoar e aí o restaurante já não é bom. Conhece um lugar, adora, vai pra lá todas as férias. Até perder a graça e então nunca mais querer voltar. Vive uma paixão de férias, ela poderia terminar ali com a separação física e para sempre vocês teriam aquela lembrança gostosa de uma paixão de férias, mas então decide transformá-la em relacionamentos, cobranças, inseguranças, ciúmes e põe fim ao que poderia ser uma doce lembrança. Esta passa a ser uma dolorida lembrança.
A hora de parar não é fácil de ser reconhecida. Ou melhor, não é fácil de ser admitida. No fundo, em algum lugar no nosso coração, a gente sabe que já está na hora de parar, mas insiste. Talvez por medo de ouvir a intuição, ou por medo em ter que começar do zero de novo, fazer novas escolhas, tentar, arriscar.
Pelo comodismo de não abandonar aquilo que parece seguro, que já é conhecido, insistimos e vamos até o fim. E o fim, quase sempre é merda.
Acabou sua faculdade? Chore na sua formatura, divirta-se, abrace seus amigos e parta pra nova fase que deve ir. Não continue a ir nas festas de república, não tente continuar fazendo a sua faculdade, ela não será mais a mesma, não procure a decepção, evite-a.
O namoro já não vai bem há tempos. Várias idas e vindas, não volte mais uma vez até a próxima ida. Cheguem a um acordo, terminem em paz, continuem amigos e não se odeiem. Há tantas pessoas no mundo, algo novo há de acontecer.
Pare enquanto ainda está bom. Não procure o sofrimento! Vá embora da festa enquanto ela está boa, conheça um novo lugar nas próximas férias, procure um novo emprego, mude de padaria. Permita-se sair da mesmice, a mudança é legal, o novo assusta mas é necessário.

Eu estou tentando aprender a hora de parar. Para evitar a dor.. para depois não reclamar que a vida é injusta comigo.É claro que existem surpresas, mas se já sabemos que algumas coisas vão dar errado no final e fazemos mesmo assim, a culpa é nossa. Se me chamam pra lugar que eu já "gastei'  e eu vou, estou pedindo para não me divertir. Se eu como o pratão de macarrão mesmo sem caber mais, bem feito se eu passar mal. Se eu acabar chorando depois de uma nova decepção, foi porque eu insisti em algo que já sabia que ia dar errado.

A vida não é tão complicada. As pessoas são complicadas. Basta parar de fazer drama, basta saber a hora de parar.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Quanto vale o seu sonho?

Quando eu nasci, um anjo meio desastrado, desses que dormem no ponto disse: Vai, Sue Ellen, ser professora na vida.


É, eu acho que ser professora pra mim é mais do que uma escolha. É destino. Vocação. Desde pequena, eu já gostava de fingir que ensinava. Desde que pisei a primeira vez em uma sala de aula, não sai mais. E assim, creio que não foi por acaso que eu passei naquele vestibular de 2004 para um curso que na época eu nem sabia direito do que se tratava. 
Não foi pra ser professora que eu prestei Letras, mas com certeza,  o curso de Letras me fez professora. Quando comecei a estudar todas aquelas teorias de aquisição de linguagem, preconceito lingüístico, análise do discurso, autonomia, autoria.. enfim, percebi que eu queria SIM ensinar.
E cá estou, desde 2005, quando comecei com algumas substituições até hoje, que tenho minhas aulas e turmas. Eu já imaginava que não era uma escolha fácil. Nada é fácil, de fato. Mas quando se fala em Educação, no Brasil, a situação é bem complicada.
No ensino público, temos salas lotadas, professores mal pagos, falta de infra-estrutura. Além dos problemas sociais que envolvem a vida de cada um dos alunos que fazem parte da comunidade. No ensino particular, a queda da estrutura familiar, a falta de regras, objetivos, a obsessão com o mundo mercadológico, a obrigação dos vestibulares, a empresa que se confunde com a escola.
São inúmeros os desafios de quem tenta trabalhar pela educação, e quem convive com isso dia a dia, sabe melhor do que ninguém.
Então, por que será que tantos profissionais de tantas outras áreas que se acham expert em Educação? Ninguém leva a educação a sério, a ponto de nem mesmo compreender que existe um estudo, uma teoria, uma pesquisa, como acontece em outras áreas da ciência. Assim, médicos, advogados, engenheiros, empresários.. enfim! todo mundo sabe dar palpite em alguma coisa! E julgam falho todos os trabalhos feitos por aquele que "entendem" de Educação.
Eu jamais tentei dizer a um médico o que ele deve fazer, se ele está certo ou errado. Nem disse a um engenheiro que ele está usado o método errado, que é "papo furado" as teorias que ele defende. Mas eu já ouvi engenheiros tentarem me dizer o que era melhor fazer. E muitas vezes.
Isso é reflexo da completa desvalorização do profissional da educação. Ninguém mais confia no trabalho dele, questionam o seu conhecimento o tempo todo. Testam, provocam. A sociedade como um todo já não acredita mais na educação, e por isso, qualquer outra teoria pode ser melhor. Seja ela sugerida por um engenheiro ou por um açogueiro, afinal, qualquer um pode falar sobre Educação.
Acontece que eu não me formei em qualquer UNIESQUINA (obrigada, Stelinha, por essa expressão! ;) e quando eu falo sobre educação, EU SEI SIM, o que eu estou falando. E o que eu quero dizer é o seguinte: é impossível tratar pessoas como se fossem máquinas. Ter o melhor material didático do mundo, pode não fazer com que seu aluno aprenda. Ele pode ler toda a teoria do material X e você pode explicar tudo de acordo com o material, e ele entender bulhufas. De repente, você começa a contar uma história e tudo faz sentido pra ele.
Eu fiz Letras. Eu sou da áreas de Humanas e sou professora porque eu acredito nisso. Acredito que cada ser humano é único, cada um aprende de uma maneira diferente, e é impossível enquadrá-los numa única metodologia.
Se eu quisesse lidar com máquinas, faria qualquer outra coisa, não estaria na sala de aula. Metade do que te faz seguir em um trabalho e o dinheiro. Outra metade, satisfação pessoal. Quando o dinheiro não é lá muito, rs, é a satisfação pessoal que motiva. E é duro, quando você vê sua ideologia sendo massacrada por profissionais que nem mesmo entendem um pouco do dia a dia de uma sala de aula.Estou então vendendo tudo aquilo que aprendi e conquistei? 

Quer saber? Eu não vou mais me vender. Não mesmo.   

domingo, setembro 26, 2010

Se tem uma coisa que eu aprendi a valorizar é o tempo. Tão abstrato, tão ilusório e ao mesmo tempo tão essencial. O tempo é capaz de definir, apagar, fortalecer.. só o tempo é capaz de trazer as resposta pras nossas perguntas.
Por exemplo, eu não tenho melhores amigos de uma semana. Os meus melhores amigos são de longa data.. Tenho melhores amigos de quando eu estava na sexta série. Melhores amigos que compartilharam cinco anos de faculdade. Aqueles que chamo de melhores amigos são aqueles que conhecem tudo sobre mim, sabem como eu reagirei a cada situação, sabem o que eu mais amo, minha cor preferida ou que gosto e o que não gosto. E são esses que vão estar no altar do meu casamento (se eu me casar), são esses que vão estar nos meus aniversários - em presença ou em lembrança - são esses que vão se preocupar comigo caso eu fique doente, que vão me dar bronca sem dó quando eu fizer cagada e vão me dar colo quando eu chorar. Meus amigos não me dizem só o que eu quero ouvir, eles me dizem o que eu preciso saber. Eu sei exatamente quais são e só sei isso graças ao tempo.. ao querido e sábio tempo. 
Até ter essa certeza, já me decepcionei com amizades instantâneas, já me frustrei com pessoas dissimuladas, já briguei com falsos amigos que fingiam ser como aqueles que hj chamo de melhores. 

Essa lição que eu tomo tão bem para a amizade, agora faz parte do meu critério para um sentimento muito mais delicado chamado amor. Não tenho amores de fds. Nem amores de férias. Nem amores de internet. Muito menos (MUITO MESMO) amores de balada. Para eu acreditar que algo pode ser amor, é preciso muito mais. 
Aquele que te ama por um fds esquecerá de ti quando chegar a quarta feira e só lembrará no próximo fds. O seu amor de férias acabará junto com elas. Quem sabe em uma próxima ele reapareça.. com data marcada para terminar mais uma vez. Amores de balada acabam com o amanhecer do dia.. e amores de internet são fragéis como a conexão. De repente, não existem mais. Aqueles que dizem que amam de uma hora pra outra, também o deixaram de fazer assim que possível. Ou ainda, aqueles que dizem isso para vc e para outra pessoa, em algum momento ele terá de escolher uma só..  Se em meio a todas essas formas de amor podem existir exceções, não sou eu que vou pagar pra ver. O tempo que vivi até hoje me serviu para aprender. E aquele que aprende é comete erros novamente esse sim é que é o burro, e não aquele que não teve oportunidade de aprender. 

Amores que vêm rápido se vão rápido. Simplesmente porque ele não era forte o suficiente. Por isso que eu acredito naqueles grandes amigos que se tornaram namorados, nos casais que aprenderam a se amar dia após dia, como aconteceu com nossos avós, nos casais que vivem anos juntos e já conhecem cada expressão e cada reação um do outro. Esses sim vão viver senão para sempre, pelo menos por um bom tempo. Nesses amores existe muito mais que paixão. Não é nada místico ou cabalístico. É respeito, é carinho, amizade e lealdade. Só o tempo é capaz de solidificar esses sentimentos, enquanto a paixão é o primeiro a desaparecer com ele.. 

sábado, setembro 18, 2010

A Bela e a Fera.


Dos desenhos da Disney (aos quais eu já assisti um milhão de vezes) o "A Bela e a Fera" é o que eu acho mais bonito.. Primeiro porque ela é um princesa diferente das outras: a única que não é loira dos olhos claros! rsss Além disso, ela é mesmo diferente! Gosta de ler, não tem preocupações "fúteis" como bailes, beleza, príncipes bonitos.. aliás, não nasceu princesa,pelo contrário, ela tinha uma família simples e o príncipe dela não era um príncipe!! Era uma "Fera" amargurada que carregava o peso de uma maldição.. ao meu ver, a vida foi tão dura com ele, que ele não tinha mais esperanças.. e não foi amor à primeira vista, Ela APRENDEU a amá-lo e ele APRENDEU a amá-la, do jeito que eles eram,com todos os defeitos.. com todas as diferenças. Acho que é a mais bela metáfora pra expressar o poder dos bons sentimentos nas pessoas, ele não virou o príncipe com o beijo dela, mas com o amor..a partir do momento que ela passou a amá-lo ele deixou de ser um "fera" e passou a ser um príncipe! A transformação final é simbólica, já nem importa se ele se tornaria um príncipe, afinal, eles já se amam! Ele se transformar em príncipe, mostra o que ele era para ela, o seu príncipe ainda que não tenha a bela aparência. 
Cada vez eu tenho mais certeza de que o essencial é invísivel aos olhos! As pessoas são muito mais (ou muito menos) do que aquilo que elas aparentam ser. No mundo dos contos de fadas, sempre se tem um final feliz, na vida real não é bem assim, mas a partir do momento que passamos a enxergar além das aparências caminhamos para um fim quase feliz.. Beleza um dia acaba, nem todo sapo vira príncipe com um beijo, nem toda fera encontra sua Bela.. mas se ficarmos só naquilo que as pessoas querem ser e não no que ela são, nossos contos de fada vão virar piadas, como já vem acontecendo.. 
Eu prefiro continuar a sonhar

(Escrevi esse texto em 11/03/206.. e eu ainda não desisti de sonhar! ) 

sábado, agosto 21, 2010

Apaixonei-me. E foi assim.

Existem coisas que parecem não fazer parte do mundo real. Aliás, existem muitas coisas que são assim. Aquelas praias paradisíacas do Caribe, aqueles homens bonitos dos filmes de Holywood, aquele dinheiro todo que os artistas parecem ter.. Ou ainda, os postais clichês. Existem imagens que já vimos tanto, que parecem já tão batidas que por vezes até desconsideramos a possibilidade de vê-las "na vida real". E como é quando realmente a vemos?
É, eu nunca tinha me perguntado como seria... 
Não sei da onde e nem como me veio esse encanto com a França, particularmente, por Paris. Talvez tenha começado com as aulas de francês.Ou não.. enfim, o fato é que há anos se tornou um sonho conhecer a cidade luz. E era como eu disse acima, algo tão distante, tão irreal e tão clichê que era como se eu já conhecesse pelas fotos que via por aí...era como aqueles sonhos que a gente sonha tanto que parece que eles são impossíveis de realizar. Cada um tem o seu né? E não tem como explicar, eles surgem.. Você sabe como é realizar um sonho? já teve essa sensação?  Então, vou contar-lhes uma história!

"Era julho. Lá pra cima, no hemisfério norte fazia muito calor e uma longa viagem chegava ao fim. (Ou seria começo?) Português, espanhol, inglês e finalmente, francês!! Essa era a lingua que ela escutava pelas ruas sem ainda não conseguir entender muito bem, contentava-se em apenas apreciar a melodia e buscava algo que fosse familiar. As ruas, as casas, a língua, todas aquelas imagens não eram estranhas, ela já conhecia, de algum lugar, mas agora era tudo mais vivo, mais.. real. Ainda assim, a ficha não tinha caído por completo, era preciso uma coisa. E ela sabia qual coisa!  
Estava lá, estação Bir Hakein, Tour Eiffel - a cada estação que passava era aquela ansiedade por não saber em qual momento exatamente se encontrariam. E na hora que percebeu que o trem não passaria por debaixo da terra, virava o rosto de um lado a outro da janela procurando onde ela apareceria!
E lá estava, linda, grandiosa. Durou segundos a passagem do trem, essa foi a primeira de muitas vezes que elas se encontraram, a primeira de muitas vezes que ficou olhando fixamente para aquele postal, mas foi a primeira. E a primeira vez, a gente nunca esquece, não é mesmo?

E assim foi o começo de dias que se tornaram inesquecíveis... era difícil esconder a emoção a cada novo encontro, era difícil evitar parecer ridícula e deslumbrada. Ainda bem que os melhores momentos da vida são aqueles em que somos ridículos - nos quais abrimos mão da preocupação com o julgamento e fazemos aquilo que sentimos e nos faz bem. Sapateou junto com a amiga quando pisou de fato no Louvre. Veio até a garganta um grito quando viu a Monalisa. Quase torceu o pescoço de tanto que ficou ollhando pra cima, admirando a Notre Dame e quase matou as amigas de susto quando parou no meio das escadarias da Sacre coeur e disse: "Genteeeee... olha isso"!!! A vontade de expressar é grande, mas ninguém é capaz de entender o quanto ela imaginara um dia estar ali em cima, vendo toda a cidade, que segundo Eça de Queirós, era cinza. Não dava para explicar em palavras, talvez as lágrimas explicassem melhor.

E cada dia era uma nova descoberta, o Arco do Triunfo quando se perdeu no bairro da escola, caminhando na beira do Sena, um senhor que caminhava sem as calças (?), outro louco que decidiu atravessá-lo e quase morreu de susto quando tirava foto de um cemitério e um corvo a surpreendeu com um grito assustador.

No último dia, andou sozinha pela cidade. Foi se despedir de Paris...era impressionante como já andava pela cidade como se vivesse ali, com a diferença de que não conseguia ter a indiferença dos parisienses aos belos monumentos. Foi ao terraço do arco do triunfo e se pôs a imaginar quanta coisa já não aconteceu naquele lugar, a chegada das tropas de Napoleão por aquela avenida imensaaa, em como aqueles franceses são encanados com a simetria, todas as dozes ruas que partem do arco, iguaizinhas... o eixo histórico: de um lado, o louvre, do outro, o arco da Defense que é de uma arquitetura moderna destoante em uma cidade que parece ter parado no tempo. E lá longe, a torre... teve que ir vê-la de novo. Subir na torre nem foi uma das coisas mais legais que fez em Paris, mas ficar olhando para ela é incansável. Ficaram lá, as duas, ela agradecia a Deus pela oportunidade que ele lhe deu, agradecendo por essa cidade ser mto mais do que esperava, e por ter proporcionado esses dias incríveis e mágicos. De repente, sentiu o medo de tudo ser um sonho e acordar, ficou pensando em como seria agora voltar para a sua vida e, principalmente, quando teria de novo aquela vista incrível! 
Mas a despedida não estava completa, faltava o lugar preferido: o Sena. Olhando aquele rio, ficou lembrando de cada momento, tentando guardar o máximo que pudesse: o cheiro, as sensações, as lembranças, os rostos, as vozes...  
De repente, as luzes da cidade já estavam acesas, sentiu a brisa comum nas noites de verão e partiu. Um nó na garganta se formou. Assim como não saberia como seria quando chegasse, também desconhecia como seria partir. Sabe quando você acorda de um sonho bom antes dele terminar? A verdade é que os sonhos nunca terminam." 

E foi assim. Essa é a história do meu sonho, como se fosse possível traduzir em palavras tudo que eu senti. Me apaixonei. Eu sabia que isso aconteceria, me apaixonei por Paris cegamente, daquelas paixões que são capazes de cegar os defeitos. E como em todas as paixões, é difícil abandonar. E em como todas as paixões, sempre esperamos pelo reencontro!!! Voltarei, sem dúvida.. 



"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam." (Clarice Lispector) 
















terça-feira, julho 06, 2010

"Há duas formas de levar a vida:

"Uma é acreditar que não existem milagres.
A outra, é acreditar que todas as coisas são um milagre." 






A primeira vez que eu assisti ao filme "Sociedade dos poetas mortos", eu adorei.Conheço pouquíssimas pessoas que gostam, elas costumam achar triste e monótono. Curiosamente, as pessoas que conheci e que gostam do filme tem alguma relação com "o mundo das letras". E mais que isso, tem que ter alguma relação com o mundo da sala de aula.
Ensinar literatura em um mundo onde as pessoas se preocupam com a utilidade das coisas, não é fácil. Convencer alguém a ler um livro trabalhoso, mas genial, como Guimaraes Rosa, ante a linguagem simples e história fácil de "Crepúsculo" é quase uma missão impossível. (quase)
É difícil falar de poesia, de sentimento.. quando poucos acreditam ainda no amor. Quando todos querem ganhar dinheiro. Quando as relações não duram, quando tudo é voltado para o interesse.

Dizer para que serve a matemática, a química, a física e até mesmo a gramática, é fácil. Mas é impossível dizer para que serve a literatura. Simplesmente, porque ela não precisa "servir" para nada. A literatura alimenta a alma.
Bem, e porque falei do filme "Sociedade dos poetas mortos"? Porque neste filme há um professor. De literatura. Ele começa a dar aula no colégio mais tradicional da cidade, deve formar os líderes do país - os pilares da instituição são Disciplina, Tradição, Honra e Excelência. E no primeiro dia de aula, ele convida seus alunos a rasgarem os livros e descobrirem o seu verso, descobrirem sua poesia. Ele diz:
"E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres. Mas a poesia, o romance, o amor.. é para isso que vivemos."

É impossível viver sem paixão.

Perguntamos o tempo todo o que nossos jovens querem ser quando crescer. Incitamos a que prestem os vestibulares, procurem as melhores faculdades, escolham profissões que deem dinheiro. Jogamos-os nesse mundo competitivo e pedimos sempre que sejam os melhores.
E por que não pode haver entre os médicos, engenheiros e advogados, os poetas, os músicos, os artistas?

Me sinto um pouquinho como o Mr. Keating, tentando levar um pouco de paixão para a sala de aula. Não que lá ela não exista, existe. e muitooooo! Aliás, até transborda. Mas pouco se revela, não se mostra, se reprime entre o abismo que existe entre professores e alunos. E mais ainda entre a instituição escola e seus alunos.

Na minha escola, existem poetas. Talvez não escrevam seus próprios textos, mas o dizem como se o tivessem feito. Na minha escola, tem músicos, tem atores e atrizes, desenhistas, talvez até escultores, dançarinos e dançarinas.. Existem artistas dentro de cada um deles.

Não sei se eles sabem disso. Mas espero, de verdade, que descubram. Descubram o seu verso, a sua paixão e a sua poesia.
(vídeo do Sarau realizado no dia 29/06)

terça-feira, junho 22, 2010

Eu li!

Já postei em outros momentos aqui os blogs da minha turma de 8º ano, né? Pois então, o trabalho continua! Com a diferença que eu resolvi também postar sobre o livro!!! Eles já começaram faz um tempo, então eu estaria atrasada.. mas, vamos ver o que rola!!!

Eu só soube que daria aula para o 8º no começo do ano, então não participei da escolha dos livros, alguns deles são novidades pra mim, e um dos que foi novidade é esse que eles estão lendo agora: A droga da obediência! 

O começo do livro já chamou minha atenção: colégio elite. Por  que será que o autor escolheu justamente esse nome para o colégio. Não gosto da palavra elite - ela seleciona, segrega, separa. Parece um pouco esnobe também. Não sei se eu gostaria de trabalhar em um colégio que se chama Elite. A princípio, o colégio fictício parece ser bem legal, sem campainhas para separar as aulas, regras criadas pelos próprios alunos e estes a seguem a risca. Parece o ideal mesmo de colégio. Assim sendo, o ideal só pode se restringir a Elite? 
Filosofias a parte, continuemos com a história a qual parece ser empolgante - sempre gostei de histórias com clubes secretos, esconderijos e tudo mais. Acho que todo mundo já quis fazer parte de uma sociedade secreta. E então, lá estão eles, os Karas! Ao que parece, os melhores da escola é que fazem parte - Miguel, o líder, Calú, Magrí e Crânio. - todos foram convocados para um reunião importante no esconderijo secreto. Ou não tem secreto assim.. foram descobertos! Por um nanico engraçadinho nanico chamado Chumbinho! 
Depois de todo um plano mirabolante, Chumbinho conseguiu se infiltrar entre os Karas. É óbvio que eles detestaram a ideia, e já estavam pensando em como despistar o intrometido. Mal sabiam eles que o Chumbinho seria importante para o tema da reunião secreta: garotos começam a desaparecer em várias escolas. E o primeiro do Elite acabara de desaparecer, o Bronca, o qual, pelo visto, era o maior casca grossa da escola. 
Surpreendentemente, quem tem a primeira pista é o novo "membro" da sociedade secreta, Chumbinho conta ao grupo que algo de estranho acontecera com o Bronca, pois ele se negou a matar aula, dizia que era proibido, que ele devia obedecer. 

("Elementar, meu caro Watson", um menino desobediente, de repente, começa a desobedecer..o livro se chama A droga da obediência... será que só eu chego a algumas conclusões?) 

Encerra-se a reunião. Cada um com sua tarefa e Chumbinho orgulhosíssimo por agora fazer parte d'os Karas. A pergunta é: como eles farão para resolver esse problema?? 

(continua..)  

quinta-feira, junho 10, 2010

Vingt-neuf jours!

Donnez moi une suite au Ritz, je n'en veux pas ! 

Des bijoux de chez CHANEL, je n'en veux pas ! 
Donnez moi une limousine, j'en ferais quoi ? papalapapapala 
Offrez moi du personnel, j'en ferais quoi ? 
Un manoir a Neufchatel, ce n'est pas pour moi. 
Offrez moi la Tour Eiffel, j'en ferais quoi ? papalapapapala 


Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur, ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur, moi j'veux crever la main sur le coeur papalapapapala allons ensemble, découvrir ma liberté, oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité. 

J'en ai marre de vos bonnes manières, c'est trop pour moi ! 
Moi je mange avec les mains et j'suis comme ça ! 
J'parle fort et je suis franche, excusez moi ! 
Finie l'hypocrisie moi j'me casse de là ! 
J'en ai marre des langues de bois ! 
Regardez moi, toute manière j'vous en veux pas et j'suis comme çaaaaaaa (j'suis comme çaaa) papalapapapala 


Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur, ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur, moi j'veux crever la main sur le coeur papalapapapala Allons ensemble découvrir ma liberté, oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité ! 


(Zaz, Je veux) 


http://www.youtube.com/watch?v=9-5fcFEohLA



sexta-feira, junho 04, 2010

Fui comprada.

Quando acontecem esses momentos mágicos, não é possível resistir. Estava lá, entre todos aqueles livros, já com uns quatro na mão decidindo se levaria todos ou se escolheria apenas um.Difícil escolher entre tantas belas capas. Poderia ficar com algo certo: Clarice. Meu quarto livro já.. ok, melhor renovar: Quintana! Acho que estou precisando de um pouco de poesia. Depois me encantei com Ricardo Azevedo - novamente a capa, a capa de xilogravura. Queria todos, mas ele me escolheu. 
Estava lá, entre tantos outros livros, a capa na verdade não me chamou atenção, o que realmente chamou a atenção foi um nome - Mia Couto. E quem me comprou, não foi a capa.. mas sim, a contra-capa. Como eu disse, não é possível resistir a esses momentos mágicos. E quem resistiria? 

"-Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho- respondeu ele. 
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta. 
-Aqui, sou. 
-Não, não é por seres preta que eu tenho medo 
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me 
-É porquê, então? 
- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."

(Veneno de Deus, remédio do Diabo, Mia Couto) 

Comprei. Estou lendo. Quem sabe um dia, lhes conto essa história! ;)