sábado, junho 11, 2011

Sobre o dia dos namorados.

It's not if I believe in love
But if love believes in me
Oh, believe in me
(moment of surrender, u2)



Amanhã é aquele dia em que as pessoas que estão solteiras têm dois comportamentos distintos: ou elas se lamentam por estarem sozinhas, se entregam ao brigadeiro e às comédias românticas sonhando com o príncipe encantado, Ou fazem o elogio a vida de solteiro, agradecem por não comprar presentes, se jogam na balada e causam.


Pois qual não é a minha surpresa ao perceber que não estou em nenhum dos grupos. Sempre alternei entre eles durante esses anos de solteirice, tanto que aprendi o que define um ou outro comportamento - o coração. Se está gostando de alguém, você sofre por estar sozinha (afinal, gostaria de estar com o dito cujo), se não está gostando de ninguém..ahhh.. então é motivo para aproveitar (o que no fundo, nada mais é do que procurar alguém para gostar)! Mas e o que fazer quando não se tem nenhum dos dois? 


Estou solteira e nem quero deixar de ser solteira. Não queria ter alguém para passar o dia de amanhã e também não quero ir pra balada (deusquemelivre). Atingi o ponto da indiferença. A temida e preocupante indiferença (existe sentimento mais bizarro do que a indiferença?)



Será que deixei de acreditar no amor? E o pior, será que ele ainda acredita em mim?








sábado, maio 28, 2011

A música do Amor Platônico!

Estava pelo blog "A melhor das intenções"- http://amelhordasintencoes.wordpress.com/ -  e lá tá rolando alguns posts dedicados o dia dos namorados, e entre eles, músicas que falam sobre diferentes tipos de amor. Eu sempre gostei da música "Apenas mais uma de amor" do Lulu Santos, acho que é porque ela resume bem "essa é minha vida, esse é meu clube" rs. Sempre me fazendo de forte. Sempre sobrevivendo. Apenas deixando subentendido.. tem coisa melhor do que "aquela ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer"? - Sem erros, sem merdas, sem sofrimentos - apenas mais uma história.. vamos cantar?

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

sexta-feira, maio 13, 2011

10 motivos para não ir ao JRF

1.Dinheiro: É caro! Bem caro! Ouvi dizer que ingressos para a arena estavam em torno de 60 a 80 reais. Estacionamento: TRINTA REAIS. - no barro, sem seguro, e etc. CINCO REAIS a latinha de cerveja. E a maioria das pessoas ganha. Eu mesma, se quisesse ter ido, tinha ingresso pra vários dias. E aí, é assim, que paga fica lá no vuco-vuco da arena e morre pisoteado enquanto os puxa-sacos ficam nos camarotes, vip's e afins.
2. A Música: é ruim. (precisa explicar?) E não é só o show em si, o som ambiente é ruim. Além do sertanejo, o axé, o funk e etc.
3. O frio: todo santo ano faz frio nessa época de rodeio. E, curiosamente, parece que lá no recinto é mais frio que em qualquer lugar da cidade. Enfim, é sair de casa, no frio, pra enfrentar trânsito, fila, bagunça e música ruim.
4. o barro/poeira: o carro fica imundo. o sapato fica imundo, a roupa fica imunda, o nariz fica imundo. É poeira em tudo na vida.. tsctsctsc
5. Os bêbados: todo lugar tem bêbado, fato. Mas bêbado de rodeio é pior. É cara que está bebendo desde as 18h na galeria, é o playboyzinho que fez esquenta com Absolut também desde às 6h da tarde.. e se acha no direito de puxar seu cabelo, te agarrar, vomitar no seu pé, fazer cantadas ruins e ainda ficar bravinho se vc o ignorar.
6. O tumulto: gente, uma festa em que as pessoas já morreram pisoteadas, não é de Deus, certo?
7. Reencontrar o passado: o passado foi bom? Se pá, até foi. Mas reencontrar o que não foi bom, não é legal, e sempre tem alguém naquele lugar que te lembra o que você quer esquecer.
8.Fazer merda: D-U-V-I-D-O que tenha uma pessoa que nunca tenha feito merda em rodeio. Mandar msg pro ex ou pro amor platônico, beijar pessoa errada, dar vexame, chorar, passar mal e etc etc etc
9. Assalto: Eu já perdi um celular. Já tive dinheiro roubado. Quase perdi meus documentos.
10. Minha idade: é este o tópico mais importante de todos. Sim sim. Porque é mesmo uma grande ironia eu estar aqui escrevendo esse post, eu já fui muito a rodeios! Muito muito muito! Moro em Jaguariúna há 13 anos e essa é a primeira vez que não dou as caras por lá, então, como posso só agora ter percebido que é uma grande furada? Simples, a idade. Eu me divertia quando tinha 16, 17..até os 22 eu ainda aproveitei bem, depois comecei a perceber que já não fazia mais sentido, eu não tinha mais o espírito de "vou só pra curtir a festa, fazer merda, encontrar os amigos da escola e etc.." Quando a gente amadurece, mudam-se também as prioridades! Então, o principal motivo para eu não ir é: tenho 25 anos, me dei conta de todos os anteriores e não quero mais! :)  

segunda-feira, maio 09, 2011

Da série: Ela acreditava em anjos. E porque acreditava, eles existiam.

Há dez anos, em 2001, eu tinha 15 anos. Eu bem me lembro que teve o Rock in Rio III. Dentre as várias atrações daquele ano, só havia UMA que eu queria MUITO ver: Guns n' Roses. Depois de anos parados, ele estava de volta, desfalcado, (afinal, o que é o Guns sem o Slash?)  o Axl gordinho, ninguém sabia como seria o show. E é óbvio que meus pais jamais deixariam eu baixar lá no Rio de janeiro. Alguns poucos amigos foram. E eu fiquei, pra ver na TV. Fiquei até tarde esperando - várias gerações de fãs ficaram esperando - eu nem mesmo tinha noção do que era ser gente quando eles fizeram sucesso, mas eu queria ver! Queria ouvir! E foi sensacional!!!!!! Todos os agudos, todos os clássicos, ele até tentou correr (suou um monte, mas corria!rs) Era o  Guns. E sempre será o Guns.
Pensei: será que eu perdi a única oportunidade de ver o Guns ao vivo?

Dez anos depois, anuncia o próximo Rock In Rio. A programação vai deixando a desejar - pow, Katy Perry? Rihana? Nxzero? Cadê o rock??? - meio sem muitas esperanças, fiquei esperando, quem sabe, por um milagre, eles voltariam, mesmo tendo vindo pra cá no ano passado. E quem disse que "milagres" não acontecem?
Agora, tenho 25 anos. Só tô avisando: Mãe, eles vêm. E EU VOU!!!!! E um dia, quando meus filhos forem ouvir Guns (porque eu sei que eles vão ouvir) eu vou contar: Nossa, em 2011, eu vi eles tocarem essa música ao vivo! :)




Eu vou chorar quando tocar! (ei, Axl, faz favor, hein? esperei dez anos pra ouvir essa música ao vivo!)

domingo, abril 10, 2011

Mas é só brincadeira!

Lembro que no meu primeiro ano como professora de fato, sem ser só por substituições, propus uma discussão sobre o Bullying: através de reportagens, notícias e filmes, tentei propor a adolescentes de 12 a 14 anos uma reflexão sobre esse comportamento de humilhação, perseguição e intimidação. Resultado: Primeiro argumento contra "Ah, professora, mas é brincadeira!!!!" Segundo argumento: "Mas também, a pessoa não pode ligar né? Eu sou o que sou e dane-se o que os outros pensam". Consegui perceber um ou outro olhar daqueles que entendiam do que eu estava falando, outros que queriam que isso acabasse mesmo, e a grande maioria encarava como um discurso politicamente-correto da professora- mais- careta. Com certeza, as aulas dos professores que fazem piadinha ou põe apelidos nos alunos é bem mais divertida!

Pois bem, mesmo assim, nunca desisti. Sempre que posso toco no assunto, dessa vez, de uma maneira bem menos ingênua do que no início. Sei que o bullying existe, não vai deixar de existir - infelizmente - e sempre me pergunto o que a gente pode fazer para que não chegue a atitudes extremas, torcendo para que elas não aconteçam. E se eu conseguir fazer com que pelo menos um, dois, três alunos percebam que isso é uma idiotice, me sinto vitoriosa.

Mas aí acontece. Algo terrível. Sofrível para todos, não só para os envolvidos. A sociedade chora. Lamenta, se revolta. E aí a minha revolta é bem diferente...

Por favor, não venham me dizer que isso só acontece nos EUA. Tenha pelo menos um pouco de informação - não é a primeira e nem a última que isso acontece no Brasil. Não é sempre que tem tanta proporção, mas já aconteceu sim, e não foi apenas uma vez.

Por favor, não venha condenar esse rapaz! Não você, que punha apelido nos seus colegas. Não você que humilhava aquele que era diferente. Não você que falava mal de gordinhos, baixinhos, nerds e estranhos. Não você que morria de rir quando alguém fazia uma piada de mal gosto! Por favor, você que é covarde ao ofender as pessoas para se sentir melhor, não venha chamá-lo de covarde! Ei, você, pai, não venha me dizer que sofre assim como a família que perdeu um filho, e estimula seu filho a ser machão, aprova todo comportamento idiota que ele tem! Chega de tamanha hipocrisia! Não diga que você está indignado, se logo mais, você continuará sua vidinha e continuará humilhando pessoas para poder ser o engaçadinho!

Não estamos falando de um assassinato comum. Será que é tão difícil perceber que esse menino carregava uma revolta de anos, de rejeição, sofrimento, humilhação? Será que é tão difícil perceber que ele não escolheu uma escola por acaso, que não foi por acaso que ele voltou a escola que ele estudou, que não foi por acaso que ele escolhia meninas? Será que é tão difícil perceber que ele precisava de ajuda e não tinha ninguém para ajudá-lo?

Parece que sim. É mais fácil fazer o de sempre, transferir para o individuo um problema social. Culpá-lo por ser covarde. Culpá-lo por ser louco. Afinal, "nada justifica". Ele que não soube superar as "brincadeiras". Ele que deu muita "bola para o que os outros dizem". A culpa é só dele. De mais ninguém. Mais fácil, né? Afinal, ele está morto.

Pois bem, podem culpá-lo. Continuem a achar que é só brincadeira. Estamos no país da piada pronta mesmo, não é? Ignorem quando alguém tenta discutir o bullying. Achem engraçado. Riam. Compactuem com isso. Estimulem esse comportamento. Só não se espantem quando acontecer novamente. Porque vai acontecer.

São todos vítimas. E ao mesmo tempo, todos culpados. É impossível achar um único culpado e muito menos puni-lo. E então, daqui um tempo, as pessoas se esquecerão, continuarão suas vidas, em suas bolhas e seus egoísmos. Até acontecer algo que choque novamente. E começará tudo outra vez....

(Faz tempo que eu estava pensando em como escrever sobre os acontecimentos do Rio de Janeiro. Mas os sentimentos estavam tão confusos, que eu não conseguia definir por onde começar. Depois de ler pessoas incríveis que conseguiram pôr no papel aquilo que eu pensava, fiquei mais aliviada e a vontade de gritar para todo mundo o que eu sentia, passou um pouco! (para saberem de quem estou falando, vejam o blog da Aline, http://maisqueblablabla.blogspot.com/2011/04/monstros-sa.html e o blog do Miltão, http://liberoanimo.wordpress.com/2011/04/07/ajamos/ )

segunda-feira, março 28, 2011

Procura-se um companheiro.

Procura-se um companheiro
que saiba rir dos seus próprios defeitos.
(e dos meus)
Procura-se um companheiro que queira desbravar o mundo
de preferência, de mãos dadas.
Que não tenha medo de pegar uma mala ou uma mochila e partir.
Sem rumo, sem destino, sem data pra voltar.
Procura-se um companheiro que queira aproveitar cada momento da vida,
que curta um bom rock n'roll
que ria da música ruim
que dance desajeitadamente a música brega
que goste de poesia
que um dia escreva uma
que queira ganhar um livro
que queira um filho
dois filhos, três filhos
e um beagle.
Procura-se um companheiro que goste de ficar sozinho.
Que saiba a hora de calar. A hora de falar. A hora de parar de falar.
E a hora em que as palavras são desnecessárias.
Procura-se um companheiro que goste de cafuné.
Que tenha preguiça de acordar cedo..
Procura-se um companheiro que goste de ir ao cinema ver um filme cult.
Ou que finja gostar.
Ou que apenas esteja comigo nessas situações que são tão minhas.
Procura-se um companheiro
que não me complete.
Estou inteira, oras..
Um companheiro que some, acrescente, envolva, desnorteie...
que me tire a razão, o norte, a consciência, e fim.
Procura-se um companheiro sem estar procurando.
Procura-se um companheiro que surja,
do nada
e do nada, torne-se indispensável. Inesquecível.
Procura-se um companheiro que seja diferente de mim
(não suportaria outro de mim...)
e que por isso, goste da minha companhia.
Procura-se um companheiro que ame minhas amigas.
Que ame seus amigos. Mais que tudo.
Que me ame. E que ame ser amado.
Procura-se alguém que me encontre.
E não me perca jamais.

domingo, março 13, 2011

Os paradoxos e bizarrices desta pessoa que vos fala...

Todo mundo tem suas bizarrices, eis as minhas:

1. Eu adoro praia, mas DETESTO areia. Odeio areia grudando, odeio que as minhas coisas fiquem todas cheias de areia e nem gosto de ficar direto dela - sou adepta das cangas, cadeiras e do chinelo.
2.Eu gosto de manga, a fruta. Mas não posso nem sentir o cheiro do suco de manga. Principalmente, se for o de pozinho. Nem curto.
3. Sou capaz de trocar uma sobremesa de chocolate e sorvete por uma salada de frutas.
4. Não consigo sair de casa sem escovar os dentes. Pode fazer apenas meia hora que eu escovei, se eu for sair, tenho que escovar de novo.
5. Quando estou lendo uma revistar, tenho a mania de parar e de repente, começar a ler do fim para o começo. Depois eu volto, e continuo lendo sequencialmente.
6. Quando durmo em outro horário que não seja a noite, não gosto de dormir na minha cama. Durmo no sofá  ou na cama da minha mãe (que é a melhor de todas)
7. Deixo de comer algumas coisas por causa da aparência, mesmo sabendo que é bom. É o caso da berinjela.
8. Não consigo dormir descoberta. Pode estar o calor que for, tenho sempre um edredon, ainda que eu tenha que colocar o ventilador no máximo pra ficar fresquinho.
9. Seguindo o item acima - Só tomo banho gelado se estiver muito calor. Mas muito mesmo! Não gosto de banho frio, nem morno. Tem que ser quente!
10.Sempre tenho dificuldades em terminar um post.. tenho várias ideias para o começo, mas sempre acho que os finais estão ruins....

Um sentimento me define.

Um único sentimento toma conta de mim: Saudade!
Quando você sente saudade de alguém, telefona, manda email, carta, mensagem, sinal de fumaça, pega um ônibus, um carro ou avião e corre pra matar esse sentimento. Quando tem saudade de um cheiro, um gosto, um lugar.. procura fotos, lembranças, qualquer coisa que possa diminuir um pouco essa dorzinha ao mesmo tempo incômoda e boa - afinal, só se tem saudade do que é bom - mas e quando a saudade é de si mesmo?
Estou com saudade de mim. Saudade de uma pessoa que eu já fui e acredito que não vou voltar a ser. Como é possível matar a saudade de algo que não volta mais? A resposta é simples: não é possível. E por isso dói. E como dói.
Saudade do que eu pensava, acreditava, sonhava. Saudade do que me iludia. Saudade do meu rosto, do meu corpo, dos meus cabelos. Saudade dos meus olhos.. mais vivos, mais cheios de brilho. Saudade da esperança, da fé, do amor. Saudade de como tudo isso fazia parte de mim naquele tempo. E sem que eu pudesse perceber ou evitar, tudo mudou.

"Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração que nem se mostra. 


Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
Em que espelho ficou perdida a minha face?"



(Retrato, Cecília Meireles) 

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Eu queria.

Eu queria ter certeza de não querer mais.
Eu queria não querer.
Queria mesmo era me convencer de que não quero.
Queria acreditar que não quero mesmo.E nem nunca mais vou querer.
Eu queria que tudo não passasse de uma lembrança.
E que as lembranças ficassem escondidas em um lugar que eu nunca pudesse encontrá-las.
Como aquela roupa velha que você insiste em guardar na gaveta e de repente, quando volta fazer a arrumação, percebe:
não serve mais, não combina mais.
Não quero mais usar.
E vai então para a pilha que vai embora. E nunca mais volta.
Queria que fosse aquela roupa velha.
Queria que não voltasse.
Mas volta.
Eu queria querer que realmente não voltasse, mas você sempre volta.
Então me desconheço.
Todos meus argumentos não me valem mais.
Me engano, me finjo, me iludo.
Sou minha maior inimiga.
Não consigo convencer a mim mesma.
Queria acreditar naquilo que eu faço com que os outros acreditem.
Queria querer as coisas diferentes, novas.
Queria não querer mais o seguro, confortável, conhecido.
Queria não querer mais reviver lembranças de outrora.
 Queria não ter mais aquele riso bobo que só eu sei (e talvez você saiba) que existe quando você me olha com aqueles olhos que são só seus.
Definitivamente, queria não querer.
Queria, futuro do pretérito
( e existe algo mais paradoxal do que o futuro e o pretérito?)
ação futura ocorrida no passado.
E o passado já foi.
E o futuro não será.
Eu queria....... Não quero mais?
Não quero. Não quero querer.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Filme "Nosso Lar" e outros pensamentos.

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" (Clarice Lispector) 




Não sou espírita. E já também não sei se sou católica. Se ser católica significa ser batizada, crismada e ter primeira eucaristia, pois bem, eu sou. Agora se é ir a Igreja e concordar plenamente com os dogmas católicos, então não. Considero-me cristã. Não acredito em Alá, nem Buda, nem acho que Jesus Cristo foi só um profeta. Sou apenas uma pessoa que tem fé. E a minha fé assim como a de todos vem justamente daquilo que não podemos explicar. Acredita-se e fim. 


Ontem, ao assistir ao filme Nosso Lar, tive vários pensamentos. Não li o livro e nem mesmo conheço os estudos espíritas, embora tenha uma grande admiração e respeito (porque não, afinidade?) com os seus ideais. Então, para mim, houve algumas surpresas e questões. A primeira coisa que busquei ao ver as imagens do Umbral e do próprio Nosso Lar foi: Como eu achava que era o céu? e o inferno? e o purgatório? - Bem, como católica, essas entidades imaginárias sempre foram recorrentes em meu subconsciente, até que me dei conta de que eu nunca tive na verdade uma verdadeira idéia física do que fosse o céu ou o inferno e etc. As imagens mostradas no filme são absolutamente questionáveis para alguém que desconhece os estudos espíritas - uma cidade em outra dimensão, computadores, televisores, enfim.. algumas supresas com relação àquele imaginário comum: um dia ensolarado, jardins, flores, clima ameno e feliz. Duvido que alguém faria uma descrição diferente do céu. 


Mas o mérito do filme, ao meu ver, e o que mais me fez pensar de ontem pra hoje foi: como são as pessoas que estão no céu? como elas devem ser? E nesse quesito, ponto para o espiritismo: o céu é um lugar onde existem pessoas do bem. Todos iguais entre si, respeitando-se, amando-se, unindo-se. Não importa como será o "céu" fisicamente, mas se as pessoas que o compõem realmente for assim.. então, estamos falando a mesma língua. E o outro ponto positivo para o espiritismo é: isso não acontece sem aprendizagem. E essa aprendizagem não é só na vida terrena. O Ser humano precisa aprender constantemente, porque ele tem falhas, erros, defeitos. E nem sempre ele tem consciência dos defeitos. (aliás, quase nunca tem) 


As pessoas admitem defeitos que na verdade as torna ainda mais vítimas - eu me preocupo demais com as pessoas, eu abro mão pelos outros, eu dou mais do que recebo, etc. Ora, defeitos assim são fáceis e até bons de admitir. Estou falando daqueles defeitos tão humanos, que todos sentem, e que temem admitir como se a partir do momento que dissessem ele se tornasse mais real - a inveja, o egoísmo, a traição, a falsidade. Não me venha dizer que nunca sofreu de nenhum desses, porque eu simplesmente não acredito. 


Pessoas mentem todos os dias o tempo todo. Pessoas enganam, traem, e nem sempre com a intenção de fazer mal a alguém, mas não estão sendo corretas. Pessoas que traem seus companheiros. E não falo só de infidelidade - eu falo de mentira, deslealdade, falta de respeito. Pedem perdão, não se arrependem e fazem de novo e de novo e de novo.Quem nunca ficou com uma pessoa comprometida e ainda diz: "Não sou eu que tenho compromisso" Como se isso livrasse sua culpa. Isso se chama traição. Quem nunca julgou pessoas que tem mais amigos do que vc, gostam mais de outra pessoa do que vc, tem um(a) namorado (a) mais bonito, ganha mais, diverte-se mais, enfim.Isso se chama inveja. Quem nunca se irritou pq alguém não fez o que vc queria que aquela pessoa fizesse. Deixa eu te avisar: isso é egoísmo. Julgar atos, criticar pelas costas e sorrir pela frente. Vamos lá, sejam sinceros consigo. Sim, estamos todos sujeitos. Ninguém está livre. Ninguém tem caminho reto, direto e sem dor ao "céu" só por causa de uma dúzia de ave-marias e pai-nossos ou uma doação em dinheiro pro Boldrini.. o arrependimento real é muito mais dificil. 


No fundo, eu tenho pena daqueles que acham que não erram. Já se acham bons o suficiente. Não roubo ninguém, não mato, vou a missa, não faço mal a ninguém - vou pro céu. Tenho pena dos que têm essa certeza. Tenho penas dos que se consideram bonzinhos. Se consideram prontos.


Prefiro pensar que ainda não estou pronta. Que ainda erro muito e tenho muito ainda pra aprender com cada erro. Tenho que melhorar cada vez mais, evoluir mais. E ainda assim, não estarei pronta. Porque o que separa o humano do divino é justamente isso: a imperfeição. 


Independente de religião, crenças ou fé - tenhamos a consciência de sermos humanos, e por isso frágeis, suscetíveis, ruins.. e busquemos cada vez mais ser uma pessoa melhor. E quem tiver com essa ideia, independentemente de qual religião for,  estou dentro! 


Quanto ao filme em si - atuação fraca, efeitos e cenários duvidosos, porém uma boa história! Vale a pena. 

domingo, janeiro 16, 2011

10 Coisas/Pessoas que eu não gosto. Muito.

1.Acordar cedo: Deve fazer quase uns 20 anos que eu tenho que acordar cedo. E eu NUNCA me acostumei. Entenda-se cedo para mim: em dias úteis, antes das 8h. Fim de semana, Antes das 10h. Eu já não gosto de acordar. (é sério, pra mim, a sensação de sair do útero deve ser mais ou menos parecido com isso..) Com despertador, é pior ainda. Sem ter dormido o suficiente, a morte. E acho que eu não vou me acostumar mesmo (e nem vou ter que deixar de acordar cedo)


2. Pseudointelectuais: (isso inclui também intelectuais posers) Gente que fica criticando tudo que é popular. Vai contra  todas as unanimidades apenas para ser do contra. Fala mal de BBB, Novelas, mas assiste Realtys e Seriados de TV por assinatura. Fala para as pessoas lerem um livro mas não lê bosta nenhuma. Critica as futilidades. É burguês e faz discurso de esquerda. Realmente, é um tipinho que cansa muito. Principalmente nas redes sociais. 

3. Piriguete que se faz de santa. Precisa explicar? É discurso moralista, é julgamento alheio, é charminho, é cu doce.. Ganhou liberdade, está descendo até o chão, encoxando, pegando cara com namorada, casado, etc. o affair da amiga e assim vai. Dia seguinte, nova posa de santinha. Odio mortal! (todo meu respeito às periguetes assumidas =) ) 

4. Encontrar uma garrafa de coca-cola na geladeira com só um pouquinho. Pow, bebesse tudo né? Fica iludindo as pessoas (o mesmo acontece com o suco, o leite e assim por diante...) 

5. Perceber que a pessoa não fez o mínimo esforço pra entender algo. Eu tenho o hábito de antes de perguntar alguma coisa, sempre procurar ver se a resposta não está na minha fuça. Parece óbvio né? Mas não é. Você manda um email. A pessoa responde dizendo que não entendeu e perguntando tudo que vc já escreveu. Tem uma placa em algum lugar. A pessoa te pergunta aquela informação ao invés de ler. Resumindo: não gosto de quem tem preguiça de pensar. 

6. Fila desorganizada. Eu não sou uma pessoa organizada, mas me dá funiquito não saber onde começa ou onde termina uma fila. Custa um ficar atrás do outro? Já cheguei a fazer a louca e organizar a fila do banco e da barraquinha de tapioca lá no festival de inverno de amparo.rs

7. Sapato que aperta/machuca. Nessa caso, é uma escolha né? É que tem alguns que são traidores. Vc olha aquela sapatilha linda, fofa, sem salto  e pensa: Que confortável! Mentira. Ela vai arruinar sua noite, seu dia de trabalho, etc..

8. Bebidas mornas. Ou é quente. Ou gelado. Não gosto de nada morno. Água morna, suco morno, leite morno, banho morno.. écati. 

9. Casais bregas. É perfil único no orkut. É status de casado sem estar. A foto juntos no perfil. É declaração all the time. É apelido besta. É voz de "bebê" (leia-se: retardado) É um fazendo ceninha pro outro. Fadiga, né?

10. Falar no telefone. Não sei em que momento eu deixei de gostar pra chegar ao ponto até de evitar. Talvez seja pq eu esgotei toda minha cota na adolescência. Hj prefiro emails, sms, sinal de fumaça.. o que for, menos o telefone. Desenvolvi repulsa. rs

(a lista não é por ordem de importância, a não ser o primeiro item: eu não gosto MESMO de acordar cedo) 

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Au revoir, mon cher 2010

Há dias penso que eu deveria escrever um post de final de ano. Já mencionei aqui como eu gosto dos rituais. Aniversário, Natal, Ano Novo... são pretextos, apenas pretextos, pra gente poder parar e pensar. Esquecer de tudo - trabalho, família, amigos, namorado.. enfim, parar e pensar em si. O que eu tenho feito da minha vida? Quem sou eu? ´Quem eu quero ser? Gosto dos rituais porque eles nos fazem criar consciência, e não apenas viver nessa "paulicéia desvairada" que costuma ser a vida do século XXI.
Gosto de enviar mensagens de Natal e receber respostas carinhosas e sinceras. Gosto de fazer os Amigos Secretos e ficar horas pensando em qual presente pode ser o ideal praquele amigo especial. Gosto de enfeitar a árvore de Natal, embora eu morra de preguiça de desmontá-la. Mas ela fica linda, com todos os enfeites brilhando e o os presentes ao pé, como se fosse um filme. Gosto das confraternizações, gosto de ver pessoas da minha família que não via há anos, de escolher uma roupa nova.. gosto até daquela tristezinha, quase que uma saudade antecipada do ano que está encerrando, aquela insegurança sobre o que será do novo, como se tudo mudasse a partir da meia noite do dia 31.

O ano ainda não acabou. E faço questão de pensar nos detalhes de mais um ritual - a roupa branca, a cor da calcinha (tá difícil, hein: amor, dinheiro ou  paz?), tentar não deixar pendências, pensar em tudo que não foi bom nesse ano que passou e jogar fora. Esquecer. Apagar. Concentrar o pensamento no que eu quero pro próximo ano e desejar com tanta força como se só o pensamento fosse suficiente.

Pequenas ilusões do dia a dia que são indispensáveis, sem as quais seria impossível viver.

2010, meu querido, Obrigada. Obrigada por ter trazido pessoas tão LYMDAS pra minha vida. Obrigada por ter me feito rir mais. Obrigada por ter me ensinado a dizer mais "Não." Obrigada pelos belos dias de sol. Obrigada pelas belas noites de risada. Obrigada pela emoção que eu sentia com cada aluno recitando um poema naquele Sarau. Obrigada por me dar paciência, quando eu achava que já não teria mais. Obrigada por ter me levado a Paris... como eu poderei esquecer? Ah, 2010... nem que se passem tantas e tantas décadas, será impossível esquecê-lo.


E que seu amigo, 2011, me surpreenda. Tenho lá os meus receios com anos ímpares. Mas prometo que vou ajudá-lo no que for preciso. Que nele eu possa desmontar a árvore de Natal. Aprender a dançar tango. Continuar minhas aulas de francês. Comprar um cachorro beagle que se chamará Quincas. Emagrecer 10 kg.  Consiga finalmente ler Grande Sertão: Veredas. Abraçar meus amigos pelo menos todo fim de semana. Rir ao menos uma vez por dia. Amar mais. Me apaixonar. Chorar de vez em quando também.. escrever mais nesse blog. E principalmente, que eu consiga não deixar nunca de sonhar, sonhar e sonhar......

terça-feira, dezembro 14, 2010

Sabe? A vida não é justa. Nem um pouco. Não há dúvidas.
Hoje, eu me levantei como em todos os outros dias para fazer o meu trabalho. Com a diferença de que levei tantas cacetadas que quase as consigo sentir fisicamente. Curioso como as maiores dores não deixam sequer uma marca física. E ainda não consegui chorar por elas. De raiva, de tristeza.. enfim.
Olhei para um colega e disse:
- Por que mulher é tão mais sentimental?
Ele me disse:
- Eu apenas sei disfarçar melhor.
Ele sabia o que eu estava sentindo. A vida não é justa. Mas não estamos sozinhos. E é por saber que existem pessoas que sabem o que estamos sentindo que a vida vale a pena.
Passei o dia todo assim, pensando. Com o choro entalado. Nada conseguia me animar. Nem mesmo o filé mignon com catupiry e bacon. Nem a os quizzes do facebook. Nem a possibilidade de ir ao shopping passear. Talvez porque eu precisasse passar por esse momento. Talvez porque eu precisasse pensar. Pensar no que ela me disse antes de partir: Estou compartilhando isso com você, porque vc ainda é a única aqui que é do bem. 


Talvez o lugar para as pessoas do bem seja bem pouco. O reconhecimento, menor ainda. Mas é bom saber que essas poucas pessoas ainda existem e estão perto de mim.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Travesseiro de ilusões.

Ela deitava a cabeça no travesseiro e tentava suprir o vazio com fantasias. Enquanto outras construiam castelos em cima de seus príncipes, ela tentava criar o seu príncipe. Ficava a imaginar como ele seria, como seriam juntos e onde ele estaria. Afinal, onde é o lugar ideal para encontrar o seu amor? Ela pensava, pensava e pensava. Parece que essa pergunta era impossível de responder. Ia a um lugar que era a sua cara. Tocava o tipo de música que gostava, tem o tipo de pessoas com quem é capaz de passar horas conversando. Fazia amigos, mas parecia impossível encontrar um amor.
A única coisa que tinha certeza é de a vida é ridiculamente irônica com aqueles que a tentam entender. Ou ainda, se assustava com a clareza com que via algumas respostas aos seus questionamentos. E tinha medo de encarar essas respostas, de incorporá-las ao seu modo de vida. Seria tão difícil passar a acreditar nisso... 
Voltava ao seu príncipe. Quem sabe se ela pensasse muito, ou se acreditasse muito, ele viesse a existir. 
Ela sabia que ele teria um sorriso encantador. Mais que isso, uma risada encantadora. Ela tinha certeza que eles saberiam rir um com o outro o tempo todo. E rir um do outro, principalmente. Ele não faria ar de entediado quando ela começasse a palestrar sobre o último livro que leu. Talvez ele pedisse emprestado, ou lhe contasse sobre o dele. Ele, com certeza, não é do tipo atlético. Nem arrumadinho. Nem engomadinho. Provavelmente, um cabelo despretencioso, um ar de desligado, uma cara de menino e ao mesmo tempo uma cabeça de homem! Uma leve pancinha inevitável. A pancinha resultado das tardes de cerveja, aquela pancinha que acomoda, que envolve o abraço. 
Eles vão sentar juntos em um bar, tomar cerveja, chamar os amigos, rir com eles, falar sério também.. ouvir uma boa música, com uma boa letra! Talvez ele tenha um pouco de vergonha quando ela se empolgar demais, (ela sempre se empolga) e no fim das contas, ele vai acabar rindo e continuando sem entender o porquê dela fazer tudo aquilo. Não vai ser sempre que ela vai achá-lo bonito. E vive versa. Mas que importa? 

Continuava construindo seus castelos, imaginando que conversas teriam.. de tempos em tempos, ria de si mesma por ser tão tola. Afinal, ela sabe que não é assim. Aquelas tais respostas não abandonam a sua mente. Ela sabe que é tudo bem diferente - e que talvez esse cara que ela idealiza exista sim. Mas está por aí com uma pseudo-modelo-pseudo-intelectual-pseudo-interessante com personalidade voluvel que tem pouca importância ante uma beleza monumental. Talvez ele exista e os dois sejam grandes amigos, mas jamais amantes. Talvez ela já tenha o conhecido. Talvez ela não seja afinal tão original.. e esteja só recriando histórias que já viveu. 

O que importa disso tudo é que o travesseiro não está vazio. Ele ainda tem alguns sonhos. Ela se agarra a eles com toda força, porque tem medo. Tem medo que eles um dia possar partir de vez.... 

sábado, novembro 27, 2010

É outra realidade que é bem triste.

Está aí, em todos os noticiário, em todas as redes sociais. Fotos "chocantes". Camburões, exército, o BOPE. Parece que a Guerra agora está realmente com cara de Guerra. Sim, porque essa guerra sempre existiu, não sejamos inocentes de achar que não. Acontece que - aparentemente (logo explico o "aparentemente") - a coisa ficou feia e resolveram mostrar que sabem fazer alguma coisa.

Nessa história toda, quem mais me irrita é classe média. Da qual faço parte e assumo minha parcela de culpa. É a classe média que fica pedindo paz pelo twitter, mas que fala mal dos "mano" que ouvem música alta no ônibus. É a classe média que clama por igualdade social mas que acha um absurdo as cotas nas universidades públicas. É a classe média que diz que o governo faz pouco caso dos mais desfavorecidos, mas que insulta com belos palavrões aquele que rouba seu celular de última geração. A classe que reclama dos "nordestinos" que invadiram a cidade mas não se importa com estes que trabalham pra ela. A classe média que desenvolve projetos sociais e fuma maconha nas festinhas da faculdade.... este mesmo que fuma maconha é o que já disse em uma mesa de bar que acha que "policial é tudo filho da puta" mas nem mesmo sabe o que é pagar suas próprias contas. 

Já diria Cazuza: A burguesia fede! Enoja. 

Estão todos comovidos, choram. "Que horror! Quanta violência! Isso é um absurdo! Que triste..." Choram com uma hipocrisia ridícula e se vangloriam: "Agora sim, a policia está certa! Tem que matar! Bandido bom é bandido morto".  

O grande problema da classe média é achar que o problema da sociedade é o pobre. Não é. É ela mesma. É ela que acha que faz voto de protesto e elege o Tiririca. É ela que acha que os pobres não sabem votar. E estes realmente não sabem, pior são aqueles que estudam, tem algum conhecimento e mesmo assim não sabem. É ela que acha legal que o Brasil vai sediar a copa e as Olimpíadas.É ela que acha que é função do governo resolver os problemas. 

 Bem, quando assisti Tropa de Elite 2, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a dualidade entre os personagens Fraga e Coronel Nascimento. Um idealista, outro realista. Um pelo intelecto, outro pela força. Um sonha, outro luta. E no fundo os dois tem uma semelhança gritante: querem mudar o país. Enquanto os dois se enfrentam, não chegam a lugar nenhum. Coronel Nacimento revela o desejo da classe média que se sente acudada: Matem os bandidos! bandido bom é bandido morto! - Fraga representa o desejo dos teóricos e intelectuais - Não adianta matar! É preciso transformar a sociedade! - Quem está certo? Os dois. E o filme nos mostra que os dois podem trabalhar juntos. Devem. Cada um fazendo a sua parte e um colaborando com o outro, mas não se enfrentando. 
Não dá para sermos tão realista quanto o herói Capitão Nascimento. Matar os bandidos não vai resolver. Ele mesmo percebe isso. E não dá pra ser um idealista politicamente correto como Fraga. E a suposta solução para os nossos problemas está ainda bem longe de ser realizada.  

Ótimo, Sue Ellen. Você falou, falou, e aí? Pra que? Pra dizer que não tem mais jeito? Talvez. 
Mas principalmente quero que as pessoas criem consciência de que podem matar todos os traficantes e bandidos possíveis. Eliminar um por um. Em pouquíssimo tempo, haverá outros. Haverá novos bandidos, porque enquanto houver pobreza, haverá bandidos. Enquanto houver uma desigualdade social gritante como é, novos bandidos surgirão, porque eles não tem outra escolha. E eles vão continuar sobrevivendo e ganhando dinheiro em cima do idiota que usa a mesada do pai para consumir droga. Ou do artista milionário que participa de eventos por um mundo melhor e "dá um tiro" antes de entrar no palco. Ele vai sobreviver porque a classe média o sustenta. 

E ainda diz depois: "Mas o governo....."

ps.: O aparentemente é devido ao sensacionalismo da mídia. Não sabemos até que ponto isso tudo não é um exagero ou a situação tá feia mesmo. É sempre bom ter cautela, mas é fato que não dá pra ignorar!

terça-feira, novembro 09, 2010

A respeito do ENEM.

Eu fiz o ENEM em 2003, obviamente, no formato antigo de 63 questões e uma redação dissertativa. Lembro-me bem que achei a prova fácil, hoje não vejo dessa forma. Não é que era fácil, é que ela não tinha o objetivo de excluir, eliminar ou classificar, o ENEM era o que todo exame deveria ser, algo que avalia o seus conhecimentos. Depois que me tornei professora, percebi que a teoria que norteava o ENEM era a melhor em termos de avaliação. Questões com pegadinhas, que cobram conhecimento conteudista, decorebas, formulas e etc, servem para eliminar candidatos quando se tem poucas vagas e não avaliam de fato pois envolvem N fatores - sorte, acaso, nervosismo, preparo, classe social..etc etc etc..

E agora, vejo o que fizeram com esse pontinho de esperança de uma mudança inteligente no processo seletivo das universidades: um belo balde de água fria. Comprovando aquilo que eu já sabia e me dói confirmar: ninguém leva a sério a educação nesse país.

Desde que anunciaram as mudanças eu já imaginei que daria merda (nessa situação, só mesmo um português bem chulo pra mostrar a real) a decisão é feita em um ano e neste mesmo ano decidem implantá-la, é lógico que daria merda. E foram inúmeros os problemas, a prova que "vazou" (desculpem, mas não colou essa história) a indefinição com relação aos vestibulares e a descrença das principais universidades do país que decidiram por não adotá-lo. A reposta do público foi genial: mais de 40% de abstenção!!! O número se justifica e é uma forma de protesto - como confiar em um processo totalmente falho?

Ok, primeiro ano, a gente releva.Mas falhas banais como erro de digitação em um processo de avaliação que mobiliza o país inteiro é inadmissível.Falta de informação por parte dos ficais ao lidar com algo que poderia ser facilmente resolvido é patético. E agora a anulação da prova torna tudo um belo circo. Nunca um vestibular foi cancelado nem qualquer outro processo avaliativo - Saresp, Prova Brasil e etc. E então, o principal exame é simplesmente anulado devido a incompetência dos organizadores, lamentável.

Foi-se a esperança. As grandes universidades terão que manter o seu modelo tradicional e excludente de avaliação. Os dados expostos pelo ENEM vão continuar mostrando uma realidade forjada, as pessoas continuarão descrentes com relação a esse país, e tudo continuará sendo motivo de piada. Bem vindos ao país da piada pronta.

Resta-nos esperar que haja o mínimo de respeito com os milhares de jovens que se mobilizaram para realizar o exame e que outra alternativa exista além da anulação. Mas se esta acontecer e houver uma nova prova, eu mesma aconselharei todos os meus alunos da seguinte forma: não façam! Mostrem sua indignação e não se submetam um processo avaliativo falso. Gostaria de ver qual seria a reação dos representantes do MEC com um nível de 100% de abstenção. Aí sim, seria preciso fazer alguma coisa. Pra valer e com seriedade.  

sábado, novembro 06, 2010

Um belo poema.

Chuva fria

Manhã de sábado
Acordo assustado
A noite havia acabado
E eu ainda estava ligado.
A noite que veio,
Tão calma, sem brisa
Levou, sem rodeio
A falta imprecisa.
Ainda me pergunto
Como ela chegou,
Quando menos esperava
A saudade voltou.
O que mais surpreendia
Não era a face sem rosto
Ou o olhar sem brilho,
Ela estava com a arma na mão
E o dedo no gatilho.
Antes mesmo de começar a correr,
Ouvi num tom mediano
As águas eram seus dedos
E os telhados seu enorme piano.
As notas bem feitas
Me deixavam intrigado,
E antes de cair desmaiado
Gritava exaltado:
Chuva gelada, diga-me agora, o que foi que fiz para deixar-te irritada.
Chuva gelada, diga-me agora, quando tentei interromper sua jornada.
Chuva gelada, faça-se agora, leve daqui a tristeza infiltrada.
Chuva gelada, conte-me agora, onde se esconde minha amada!



Gostou? Achou bonito? Eu também! 
Sabe quem escreveu?
Meu aluno: João Paulo, publicou em seu blog http://operacaorevolucao.blogspot.com/2010/11/chuva-fria.html 

Não é pra morrer de orgulho? =) 

terça-feira, novembro 02, 2010

Coisas que aprendi a apreciar com o tempo.

1. Silêncio: Melhor falar nada do que falar merda. Melhor ouvir nada do que ouvir merda. O Silêncio faz você conseguir ouvir sua própria voz, seus pensamentos, seus sentimentos. As pessoas tem medo do silêncio, se incomodam com ele. Deve ser por isso que eu adoro livrarias, elas são tão silenciosas. (e por isso uma das minhas músicas preferidas seja Enjoy the silence.)

2. Solidão: tem coisas que podem sim ser muito legais de se fazer. E é preciso aprender a fazer algumas coisas sozinha. Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. É impossível ter sempre alguém pra fazer tudo o que você. Ninguém vive, morre ou aprende por você.  Gosto de fazer compras sozinha. Gosto de almoçar sozinha. Gosto de fazer trabalho sozinha. Gosto de dirigir sozinha. São momentos que eu fico pensando na vida, repassando todos meus afazeres, sonhando acordada. Ainda não fui ao cinema sozinha e ainda não viajei sozinha, mas são coisas que estão na minha lista para serem feitas! ;)

3. Cebola. Eu detestava quando era criança, hoje, eu gosto muito. Mas ainda não curto quando ela vem crua.

4. Cerveja. Eu era daquelas que dizia: "Credo, que amargo." Gostava das caipirinhas, bebidinhas com vodka e tal. E fui tentando. Um copinho aqui, uma latinha acolá. Você chega à faculdade e lá todos bebem cerveja e mais, por apenas 1 real a latinha. Beber cerveja é uma momento de socialização, diversão.. bem, resultado: hj em dia, naqueles dias de muito calor, eu só penso: ahhh, uma cervejinha!!!! - Para o azar do meu fígado e do meu peso, né? rs

5. Clarice Lispector: Não entedia nada do que essa mulher escrevia. Aliás, ainda não entendo. Mas afinal, "Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.."

6. o Não: É uma palavra libertadora. A partir do momento que aprende a dizê-la, torna-se mais feliz e mais livre.

7. o Egoísmo. Todo mundo vê com maus olhos o egoísmo e mal percebem que com isso estão sendo egoístas também. Afinal, quando você quer que a pessoa deixe de fazer o que ela quer pra fazer o que você quer, você é que está sendo egoísta, não é mesmo? Todos o somos. É preciso saber lidar com isso para não se tornar uma pessoa que se faz de vítima o tempo todo e nem uma que seja capacho de alguém. E então, vc se dá conta de como é bom alguns pequenos egoísmos da vida.

8. PT. Depois que passei a ter minha própria opinião política, e não só reproduzir o que eu ouvia por aí, percebi que ainda é o partido que propõe alguma esperança de que as coisas podem vir a ser diferentes.

9.Batom. Depois de muito tempo só usando gloss, começo a gostar da ideia de usar batom. Experimentei até um vermelho, vejam só. rs

10. Meus defeitos. É muito melhor quando você encara seus defeitos de frente e não tenta escondê-los. É impossível ser perfeito, algumas pessoas parecem ser, mas é tudo mentira. Um dia eles aparecem, e por quanto mais tempo você esconde, pior é quando eles aparecem. Conhecer seus próprios defeitos e lidar bem com eles é a melhor maneira para que os outros também aceitem o seus defeitos. E mais, é o caminho para você aceitar os dos outros.

domingo, outubro 24, 2010

Pendurei meu salto alto.

Depois de muito tempo sem ir a uma, resolvemos ir à balada. Os motivos que convenceram foram as entradas VIP's e o Open Bar de Stella Artois. E então, fomos. 
Definitivamente, esse mundo não me pertence mais. Já comentei isso por diversas vezes aqui no blog, não sei porque me esqueci dessa convicção. A música tão alta que não permite conversar, a falta de luz que confunde a visão e não permite distinguir bem as pessoas. As meninas com roupas mínimas, os rapazes todos iguais: com a mesma camisa pólo, com um número de um lado e uma bandeirinha e/ou desenho do outro. Todas com o mesmo corte de cabelo e mesmo tom de coloração. Entre eles, algumas pessoas... bem, perdidas? Será que seria esse o adjetivo ideal? Acho que sim! Perdidas. Não seguem o mesmo padrão que as demais, já não tem a mesma idade, parecem procurar suprir algo, com toque de maldade chamariamos de "tiazona". E eis que meu irmão solta: 

- Su, você tem só mais um ano, viu..
- QUE?
-É! Balada, no máximo até os 25. Você já é meio tia também. 

E então percebi o quanto eu estava perdida naquele ambiente. Não é o que eu gosto. Nem as músicas, nem as pessoas, nem a bebida cara, nada daquilo me agradava mais, estava lá nem sabia porquê. Perdida. 

Homens têm uma visão bem mais direta da realidade. As mulheres gostam de fantasiar, criar hipoteses, mil exceções para as regras. Eles não nos revelam sua verdade o tempo todo porque sabem que nós não queremos saber. Porém, quando você tem um irmão mais novo, ele simplesmente não vai ter esse pudor. Ele te fala mesmo, na lata, todas aquelas verdades que você conhece mas prefere não pensar nelas. 

A verdade do meu irmão de vinte e poucos anos, nesse caso, não foi nem um pouco dolorosa. Foi só uma constatação: Sim, estou tia para as baladas. Vou deixá-las para essa turma que vem por aí. Penduro meu salto alto, sem a menor dor no coração. Afinal de contas, desde os dezesseis  até os vinte e poucos, é muito tempo para aproveitar, não? E aproveitei. 

Não quero parecer como aquelas que eu chamei de "tia", procurando desesperadamente por um tempo que não volta mais. Não tenho vocação para Peter Pan. - Cada idade tem seu prazer e sua dor.. já diria a canção. 

Troco meu salto alto pela sapatilha, o escuro pelas meia luz, a longneck/drinks pela cerveja de garrafa, o camarote por uma mesa com os amigos, o xaveco furado e as conversas gritadas, pelas risadas dos papos filosóficos de mesa de bar, a dança "sensual" pela dança engraçada, a música alta pela melodia cantada por bandas. E tudo isso sem a menor dor no coração! 

O que me importa, do que não abro mão de forma alguma é da noite!! E essa, não vai me abandonar! 

sexta-feira, outubro 08, 2010

Vamos embora enquanto ainda está bom?

"A festa acabou. O povo sumiu. A noite esfriou. E agora, José?" 


Sabe quando você vai a uma festa super legal? Tudo dá certo, seus amigos estão animados, a música é boa, a bebida não é cara, as pessoas são bonitas e você está se divertindo um monte! Você pensa "Cara, essa é a melhor festa da minha vida!!!" e aí, já faz um bom tempo que vc está por lá, já poderia ir embora, ir pra casa com aquela sensação gostosa de ter se divertido muito e lembrar pra sempre como a melhor festa. Mas aí você decide ficar. Estava bom demais pra ir embora. Você quer ficar até o fim. Aí tem uma fila enorme para pagar no caixa, você vê o ex beijando outra, seu amigo vomita no carro, vc perde seu celular, começa a chorar, briga com seus amigos que até então estavam super animados, vai embora pensando " que bosta de festa". É impossível pensar em até quanto ela foi boa, porque o final vai ficar pra sempre na memória. E sabe por que isso aconteceu? Porque vc não soube a hora de parar.
Uma vez, uma amiga disse: "Vamos embora enquanto ainda está bom?" . E eu pensei: É esse o segredo. Saber a hora de parar.
A festa pode ser qualquer coisa na sua vida. Pode ser um relacionamento, pode ser um trabalho, pode ser uma faculdade, pode ser um projeto de vida, enfim.. é essencial saber a hora de parar. Mas a gente abusa das coisas, gasta-as até não poder mais vê-la e aí então começar a reclamar dela.
Vai a um restaurante, gosta dele. Vai sempre. Até enjoar e aí o restaurante já não é bom. Conhece um lugar, adora, vai pra lá todas as férias. Até perder a graça e então nunca mais querer voltar. Vive uma paixão de férias, ela poderia terminar ali com a separação física e para sempre vocês teriam aquela lembrança gostosa de uma paixão de férias, mas então decide transformá-la em relacionamentos, cobranças, inseguranças, ciúmes e põe fim ao que poderia ser uma doce lembrança. Esta passa a ser uma dolorida lembrança.
A hora de parar não é fácil de ser reconhecida. Ou melhor, não é fácil de ser admitida. No fundo, em algum lugar no nosso coração, a gente sabe que já está na hora de parar, mas insiste. Talvez por medo de ouvir a intuição, ou por medo em ter que começar do zero de novo, fazer novas escolhas, tentar, arriscar.
Pelo comodismo de não abandonar aquilo que parece seguro, que já é conhecido, insistimos e vamos até o fim. E o fim, quase sempre é merda.
Acabou sua faculdade? Chore na sua formatura, divirta-se, abrace seus amigos e parta pra nova fase que deve ir. Não continue a ir nas festas de república, não tente continuar fazendo a sua faculdade, ela não será mais a mesma, não procure a decepção, evite-a.
O namoro já não vai bem há tempos. Várias idas e vindas, não volte mais uma vez até a próxima ida. Cheguem a um acordo, terminem em paz, continuem amigos e não se odeiem. Há tantas pessoas no mundo, algo novo há de acontecer.
Pare enquanto ainda está bom. Não procure o sofrimento! Vá embora da festa enquanto ela está boa, conheça um novo lugar nas próximas férias, procure um novo emprego, mude de padaria. Permita-se sair da mesmice, a mudança é legal, o novo assusta mas é necessário.

Eu estou tentando aprender a hora de parar. Para evitar a dor.. para depois não reclamar que a vida é injusta comigo.É claro que existem surpresas, mas se já sabemos que algumas coisas vão dar errado no final e fazemos mesmo assim, a culpa é nossa. Se me chamam pra lugar que eu já "gastei'  e eu vou, estou pedindo para não me divertir. Se eu como o pratão de macarrão mesmo sem caber mais, bem feito se eu passar mal. Se eu acabar chorando depois de uma nova decepção, foi porque eu insisti em algo que já sabia que ia dar errado.

A vida não é tão complicada. As pessoas são complicadas. Basta parar de fazer drama, basta saber a hora de parar.