segunda-feira, agosto 24, 2009

Obrigada pelas palavras, Fernanda Young

A todos que não foram e não ligaram

Bom, você não foi. E não ligou. A mim, só restou lamentar a sua falta de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para não me magoar ou justamente o inverso disso? Estou confusa, claro. Achava que você iria. Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento.
Pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi. Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua parte, numa loucura específica da minha.
Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.
Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou. Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão. Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam? Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

(Fernanda Young, revista Claúdia)

domingo, agosto 16, 2009

Não tenho mais idade pra isso.

Ela riu quando eu disse essa frase pela vigésima vez. Afinal, como alguém com 23 anos podia se considerar velha para fazer seja lá o que fosse. Mas era assim que eu me sentia, como se já não tivesse idade para fazer tantas coisas..
Já cansada de se esforçar pra ser feliz em mais uma balada, e depois do curto efeito da vodka ter abandonado, sentei-me no sofá e fiquei olhando aquelas pessoas. Homens e Mulheres com os seus trinta, quarenta anos, não sei.. não sei se eles já faziam isso quando tinham 20 anos, mas o fato é que estavam lá, na pista de dança, dançando, procurando compania para uma noite, agindo como adolescentes sem o serem. Um frio gelado correu pela espinha, espantei os pensamentos que me amedrontavam olhando no relógio para saber se já poderia ir embora.
E voltei para casa pensando... pensando naquilo que me tormentara já faz um tempo. A verdade não é que não teria mais idade para isso ou para aquilo. O que falta, realmente, é vontade.
A maturidade foi se instalando aos poucos, de forma que nem percebera. Já não sou mais uma universitária. Não tenho que quebrar barreiras para curtir uma festa, beber bebida barata, chegar com cara de ressaca no estágio. "Já vivi essa fase". E muito bem! Esboçei um sorriso ao lembrar-me das muitas vezes que dormi pouco pra poder ir a uma festa de quinta feira, e o quanto tudo aquilo era divertido! Dois mil e oito foi o ano da despedida. Despedida da vida universitária, procurei fingir que não, que aquela loucura toda de festas, baladas e inconsequências iria continuar, mas no fundo, eu sabia que estava acabando e aproveitei ao máximo.
Emprego, resposabilidades, cobranças, planos.. são essas as coisas que me fazem sentir mais velha e me considerar sem idade para isso ou aquilo. Não consigo mais me divertir na balada. Alguns lamentariam e se compadeceriam da minha situação, mas eu não. Já me diverti muito, só quero novidade. Quero algo diferente daquilo que já conheço também.
Istalou-se um vazio nesse período de transição.
Desconfio do que seja capaz de preenche-lo, mas o que posso fazer? ainda não sei..
Perto de mais um aniversário.. sinto-me ansiosa por saber quais mudanças podem vir. Ou melhor, faço do aniversário um pretexto para renovar as esperanças em uma mudança. Alguma novidade capaz de trazer um novo ânimo..para substituir aquele que perdi e que eu não volte a ser aquela de quem sinto falta.. mas uma nova pessoa, plena e satisfeita.

segunda-feira, agosto 03, 2009

"Eu lembro da moça bonita da praia de boa viagem...


Quando se tem 23 anos, já está formada, solteira, tem um emprego fixo e mora na casa dos pais não resta outro objetivo na vida senão viajar. (chato, né?) Minha mãe insiste para que eu tenha um patrimônio (?). Na verdade, ela quer é que eu compre meu próprio carro para parar de usar o dela, mas ela não entende que, na verdade, eu estou contribuindo para o meio ambiente evitando o consumo exagerado, afinal, uma casa de três pessoas não precisa de dois carros né? =)
Tá, o carro faz parte dos meus planos, mas é difícil pensar em ter um carro diante desse mundão de meu deus que está aí, à disposição, pra gente conhecer.
Quando eu poderei fazer isso senão agora? Sou jovem, tenho meu salário que não é muito mas que pra mim, é suficiente. Vou deixar para fazer isso quando for casada, quiser ter filhos e comprar uma casa própria? Não, né? Por isso, adio os planos do carro e penso sempre em um frase que li não sei onde: tem muito mundo nesse mundo e eu não quero ficar aqui.
Depois de ter dois celulares roubados em menos de seis meses, penso que o vale dessa vida são mesmo as experiências. Me roubaram o celular, mas ninguém será capaz de roubar o que vi, vivi e senti na última semana..

Estive em uma Terra em que em pleno junho já faz um sol de rachar às 9h da manhã. Uma terra em que as pessoas usam a pretônica acentuada. Ok, explico para os não linguístas: estive em Récife!!!!
Embora seja filha de Pernambucana, foi a primeira vez que pisei neste estado e nem mesmo fui a terra da minha mãe, uma cidade chamada Petrolina.. mas com certeza, hei de voltar. Gosto de me apaixonar por cada lugarzinho que passo.. e gosto mais ainda quando volto com aquela vontade de querer voltar.
Os planos não eram ir pra lá. Eu ia pra Buenos Aires. É difícil competir com a rede globo, não houve cristo que fizesse convencer as pessoas de que tanto faz estarmos aqui como na Argentina, as chances de pegar a tal gripe era a mesma.. assim, pra evitar maiores conflitos mudamos de plano de última hora. E a escolha não poderia ter sido melhor, afinal, eu sou uma amante do verão e foi muito bom encontrá-lo durante o inverno!

Quero falar-lhes então do Recife que não está no Guia 4 rodas, mas do recife que eu vi e me apaixonei!

Uma praia onde as pessoas não tomam sorvete, tomam caldinho. Confesso, não tive coragem, era muito calor para encarar um caldo de feijão. Mas comi carne de bode! Pra quem tá fazendo cara de nojo saibam que ao molho madeira e com fritas é uma carne deliciosa! Aliás, comemos muito bem sempre! Desde os frutos do mar até a carne de sol, com macaxeira ou queijo coalho, enfim.. ô terra de comida boa!
Conheci um velhinho na praia de boa viagem que vende arte feita em côco e que apesar de ter que trabalhar debaixo do sol com seus 60 e tantos anos ainda assim é capaz de fazer piada com a vida. Como ele mesmo disse, o tempo está louco, não se tem mais estações e ele nos contou que na seca de 84, urubu voava com uma asa só pq a outra era para se abanar!
Não podíamos deixar de ir a um forró né? Mas se enganam aqueles que pensam que o forró de Recife é igual ao daqui. Nada de rodopios, piruetas e manobras arriscadas. O negócio é o rala-coxa. Juntinho! haha "mijador com mijador" Ao meu ver, bem melhor! Inclusive pra quem não sabe dançar muito bem! é só se deixar levar..
Pra quem tem aquela visão preconceituosa do nordeste, saibam que as baladas não são só de forró. Aliás, a melhor baladinha que fui lá, era um pub! Chama-se UK! Um lugar muito estiloso! Com um fumódromo de paredes roxas e um banheiro com puffs e ar condicionado. Fumódromo! Todo lugar em Recife tem um fumódromo!! E como eu era acompanhante de uma fumante, por incrivel que pareça, foram lá que rolaram as principais amizades.
Uma praia cercada de arrecifes, que não só nos protegem dos tubarões, mas também nos proporciona uma paisagem singular.. parecem lugares diferentes, na maré cheia e na maré seca. Duas praias em uma só.
É um lugar também onde os garçons sempre te tratam bem, até mesmo a loucura de um fast-food como o habbibs tem mais calor humano. Lembro-me do nome do garçon, Inácio! E a simpatia foi tanta que ele nos convenceu a comprar um sorvete que nem mesmo tomamos.
E como esquecer o simpatissíssimo segurança da balada, Cristiano, que ganhou até um abraço na despedida! Alguém se imagina abraçando um segurança na balada em São Paulo ou Campinas? Não né? Pois é.. não sei porque, mas eu confiava nas pessoas de lá. As caronas, as dicas.. não conseguiamos ver maldade. Sorte? Talvez.. mas prefiro acreditar que as pessoas sejam boas mesmo! Afinal, depois de cada enrascada que nos enfiamos, tenho bons motivos pra achar que as pessoas são realmente boas!
O mocinho do hotel que descolou um quarto clandestino no último dia já depois do check out, o guia que arrumou a carona pra gente quando nos perdemos no grupo lá em Olinda, o recepcionista do hotel que sempre explicava quais os ônibus que tínhamos que pegar, o tiozinho da lojinha que me tratou tão bem quando soube que eu era filha de pernambucana, o nosso amigo Márcio que levou pra conhecer Porto de Galinhas e aquele lugar maravilhoso chamado Pontal de Maracaípe. O Guia Melque que nos levou pra conhecer Jhonny People! O casal com a história de amor mais engraçada que eu já vi - a Pernambucana que não sabe inglês e o Americano que não sabe português, Coca e Carl. Pessoas que conversei por.. meia hora, somente, ou pouco mais, e talvez não verei mais.. mas que me mostraram um mundo que as revistas de viagem não são capazes de mostrar.

Pois se vc for a Recife, aprecie suas cores, conheça suas novas palavras, ande pela maior avenida em linha, visite o segundo maior shopping da américa latina e se encante com essa cidade mais linda do mundo!
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