quarta-feira, dezembro 23, 2009


A cidade já estava toda enfeitada. Durante o dia, a decoração não fazia muito sentido. Bonecos de Neve, renas e trenós, o Papai Noel e suas roupas tradicionais debaixo daquele sol de 30º graus do nosso país me parecem um tanto quanto incoerente. Mas, à noite (tudo muda durante a noite), quando as luzes se acendiam, tudo encontrava sua coerência. O céu estrelado entra em harmonia com as luzes que iluminam as ruas, as pessoas caminham por elas, as famílias levam suas crianças para verem o Papai Noel. Não interessa se aqui no Brasil talvez ele usasse bermuda e não viesse de trenó, no mundo dos sonhos e da imaginação, as coisas não precisam fazer sentido.

Mais um Natal. Nem percebi como o tempo passou e que agora sou eu quem monta a árvore e compro os presentes. Eles já estão lá, embaixo dela e vamos esperar pelo dia 24 para fazer as trocas. Pareço uma tola querendo criar tradições que nunca tivemos, mas acho que todos gostaram da idéia. Não sei como vai ser esse Natal, quando começo a pensar no dia em si, uma passagem de tristeza me invade pela certeza de que minha família não vai estar completa nesse dia. Porque ela não é mais completa.

Ou então, a tristeza é só tpm mesmo, ainda bem que existem os chocolates e as luzes. Como eu gosto das luzes de Natal...

Espanto a tristeza com mais um bombom truffado, sento e tento escrever algo para os amigos. Tudo parece tão clichê, como é difícil evitar o lugar comum nesses momentos tão piegas. Mas, vá lá, isso não é uma dissertação de vestibular. Me deixem em paz com os meus clichês. Não é porque são clichês que deixam de ser verdadeiros.

É Natal! Então, quero que todos vocês tenham um Natal feliz, que abracem suas famílias, beijem seus amores, comam aquele prato preferido que só as avós conseguem fazer, gostem de seus presentes, abracem seus amigos e encontrem palavras verdadeiras em meio a enxurrada de mensagens prontas. Renovem a fé, seja ela qual for, tenham novos sonhos, relembrem os antigos, busquem por realizá-los e não parem nunca de sonhar. Apaixone-se de novo, esqueça a mágoa, o rancor, as decepções. Olhe para si, ame-se, respeite-se, entenda-se.Não deixe que o Natal seja como um outro dia qualquer.. já foram tantos dias quaisquer nesse ano, tenha um dia especial, porque você é especial e você merece”.


Enviar. Deixo a tela do computador, ainda sem pensar muito bem se as palavras escolhidas foram as certas, vou mais uma vez até a sala e olho mais uma vez, orgulhosa, a árvore de natal. Acendo o pisca-pisca, paro por alguns instantes. Talvez seja isso o que Eça de Queirós chama de "existência superiormente interessante" - o instante em que tudo faz sentido, em que o simples se torna complexo. A consciência de que apesar de tudo aquilo que me falta, que dói e que aumenta o vazio não pode ser o essencial. O essencial já existe, e está bem ali, naqueles nomes escritos nas etiquetinhas do presente - Nomes que preenchem o vazio. E isso basta.



quinta-feira, dezembro 17, 2009

Discursando...

Queridos Formandos!

Obrigado pela oportunidade de estar aqui representando meus colegas e poder expressar nosso carinho por todos vocês. Ser paraninfa é uma tarefa difícil. Ao mesmo tempo em que ficamos felizes por sermos escolhidas para esse momento tão especial, ficamos a pensar no que dizer. Afinal, o que é preciso ser dito? Como traduzir em palavras aquilo que o coração já conhece tão bem?
Então, sentada em uma sala de aula, com o lápis a mão e os olhos concentrados naquelas carteiras vazias, pensei no porquê daquele vazio tanto incomodar. E assim, comecei a lembrar de todas as coisas que aquelas paredes presenciaram:

As conversas animadas da segunda-feira de manhã. As piadinhas dos torcedores do time campeão do domingo. As novidades do fim de semana. A angústia das vésperas de prova. O silêncio das aulas de revisão. (só na aula de revisão também né?) As brigas e reconciliações. As histórias de vida ou dos livros. Os choros solitários, a solidariedade, o carinho de uma festa surpresa ou de uma carta quilométrica...

E só então, me dei conta de que esse vazio seria irreparável. Pois mesmo que novas vidas preencham aquelas carteiras, cada um de vocês é insubstituível. Foi ontem quando aqui chegaram carregando a mochila e dentro de cada um a ansiedade pelo novo e uma interrogação: Como será? Foram momentos inesquecíveis! Momentos onde estudaram, brincaram, aprenderam, sorriram...momentos onde cativaram e foram cativados! Hoje, diante da conquista de cada um, assistimos à vitória de todos esses anos de luta, responsabilidade e a colheita dos frutos do caminho percorrido nesta escola. Sentimos a alegria de vocês, de seus pais , parentes e queremos também que sintam a nossa alegria.

Assim, me vem à mente uma música: “Metade de mim Agora é assim/ De um lado a poesia, o verbo, a saudade /Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim /E o fim é belo incerto... depende de como você vê/ O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só enquanto eu respirar, vou me lembrar de vocês. /Só enquanto eu respirar. Amanhã, a Saudade nos espera! Saudades das amizades, do convívio, mas momento de olhar para frente. Que o fim seja o começo. De novas histórias, novos amores, novos sonhos. E a tenham a certeza de que estaram juntos, “enquanto respirarem” e que nós sempre estaremos torcendo por vocês.

Obrigada!

(Discurso de Paraninfa - 9ºano A- Colégio Integrado, 16/12/2009)

segunda-feira, novembro 23, 2009

De repente, não mais que de repente...

Tudo se encaixa. Então é isso.
Não precisou de muitas reflexões para se dar conta de que sua vida era outra. De que ela mesma era outra. Não precisou que se trancasse em um quarto e repensasse passo a passo da sua vida e traçasse um planejamento de mudança para que isso realmente acontecesse. Não, não eram necessárias tabelas, prazos, estatísticas, receitas, números. Bastou apenas que vivesse cada dia.. aprendendo com cada nova sensação.
Disse não. Fez bem. Disse de novo. Até que quisesse dizer sim. E quando o fez de sincera certeza que queria dizer sim, sentiu-se bem. Assim, aprendeu a dizer o não.
Ficou sozinha. Permitiu-se ficar sozinha. Por menor que fosse o tempo, sem conselhos, sem clichês, sem mentiras sinceras. Disse para si o que precisava ouvir. Ficou com raiva de si mesma, mas logo entendeu. Era verdade.. não mentiria. Por que mentiria? Precisava apenas da sua própria verdade.
Sentiu raiva, medo, desencanto, desilusão. E deixou que esses sentimentos fossem perdendo o sentido pouco a pouco diante de outros que pareciam melhores: A satisfação da conquista. O humor de rir d'ela mesma. O prazer da indiferença. O conforto de matar a saudade.
Ignorou. O que podia, o que queria. E até aquilo que foi custoso. Precisava ignorar antes que perdesse a paciência com o egoísmo alheio que insiste em se dizer altruísta.
O que seria mais egoísta: fazer o que deseja e tem vontade ou querer que os outros façam o que você deseja e tem vontade?
Como já sabia a resposta, ignorou os ataques infantis, os devaneios, as indiretas mal feitas.
Leu o que quis. Escreveu o que quis. Viu, xingou, gostou.
E.. de repente, não mais que de repente..
O que magoava, agora era lembrança. O que chateava.. agora era ausência. O que irritava..agora era desprezo. O que inconformava..agora é piedade. O que era perdido, hoje é ganho. O que era azar... hj é aprendizado. O que parecia castigo, no fundo, foi benção.
E tudo foi..de repente..não mais que de repente*...


(verso de Vinicius de Moraes, "Soneto de Separação")

quarta-feira, setembro 23, 2009

Conselhos da Noite, por Santo Evandro


1-Nao importa se a carona é d Fusca ou d Ferrari...o importante é se o freio d mão do motorista trabalha bem...
2- Se for trair,traia com algo melhor,que vc tem em casa...trair por coisa banal,é coisa d gente amadora...
3-Nem todos os homens mentem...alguns só esquecem de comentar alguns fatos..
4- As prostitutas nao beijam na boca,porque tem medo de beijar as esposas sofridas por tabela,
5 -e: Fome e sexo oral não combinam...alguém vai sair machucado...
6- bebida e ereçao nao combinam...uma pena,pq bebidas e pernas abertas combinam perfeitamente...
7- Homens querem sexo...mulheres querem amor...daí vem os falsos orgasmos e os falsos" éu te amo"
8-Ir para balada com hora pra chegar em casa,melhor ficar em casa com chocolate,coca cola e pornotube.
9-Gays fazem mais sexo,se vestem melhor e malham mais,pq nao tem filhos pra criar.
10- Mulher que fica com mania d dizer que só tem homem gay,e q nao tem + homem,sinceramente esta muito mal comida.
11- O melhor sexo oral é sempre o do homem...ele aumenta as lorotas sexuais,mais do q aumenta o proprio penis.
12 - O Importante é gozar no final...mas no meio da coisa é tao gostoso tbm... bjs e grifes.

domingo, setembro 20, 2009

Eu prefiro..

Prefiro cabelos compridos a curtos
Salgado a doce
café ao chá
coca cola a guaraná
Shoyo a molho inglês
Molho vermelho ao molho branco
praia à montanha
verão ao inverno
Calor ao frio
Paris a NY
Morenos a Loiros
Cerveja a vinho
Vodka a Whisky
o dia à noite
orkut ao facebook
Drama à comédia
Jacob a Edward
Queen a Beattles
Literatura à Gramática
Prosa à poesia
o Silêncio a futilidades
um livro a um rádio
uma carta a um telefonema
Prefiro a verdade a mentiras sinceras
Prefiro mãos dadas,
abraços,
sorriso espontâneo
a declarações exageradas
e efêmeras,
inconsistentes.


domingo, setembro 13, 2009

Passou.

Parecia que esse dia nunca ia chegar. Cada vez que voltava pra casa com aquele aperto no peito e aquela sensação de rejeição ainda latente, perguntava-se: quanto tempo falta pra acabar?
Foi pelo caminho mais difícil. Esperou que o tempo se encarregasse de levar o sentimento, já que ele já havia ido embora. E esperou pacientemente... até o dia que parecia que nunca ia chegar.
Foram vários "alarmes falsos", mal contentava-se em achar que tinha passado e de repente, estava lá.. de novo, as lembranças, os sentimentos, a ausência que ainda pertubava. Já praticamente se conformara de que não acabaria mais.
E assim, de repente, não mais que de repente, teve a certeza. Passou.
Assustou-se por não ter se dado conta antes: sim, passou.
Não há mais a rejeição.
Não há mais o vazio.
Não há mais a esperança.
Não há nem mesmo a saudade.
Tudo parece um passado distante e findo.
Acabou!!
Esboçou um meio sorriso ao chegar a essa conclusão. Finalmente, o dia chegou. E o sentimento de satisfação tomou conta do seu ser...

segunda-feira, agosto 24, 2009

Obrigada pelas palavras, Fernanda Young

A todos que não foram e não ligaram

Bom, você não foi. E não ligou. A mim, só restou lamentar a sua falta de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para não me magoar ou justamente o inverso disso? Estou confusa, claro. Achava que você iria. Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento.
Pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi. Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua parte, numa loucura específica da minha.
Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.
Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou. Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão. Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam? Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

(Fernanda Young, revista Claúdia)

domingo, agosto 16, 2009

Não tenho mais idade pra isso.

Ela riu quando eu disse essa frase pela vigésima vez. Afinal, como alguém com 23 anos podia se considerar velha para fazer seja lá o que fosse. Mas era assim que eu me sentia, como se já não tivesse idade para fazer tantas coisas..
Já cansada de se esforçar pra ser feliz em mais uma balada, e depois do curto efeito da vodka ter abandonado, sentei-me no sofá e fiquei olhando aquelas pessoas. Homens e Mulheres com os seus trinta, quarenta anos, não sei.. não sei se eles já faziam isso quando tinham 20 anos, mas o fato é que estavam lá, na pista de dança, dançando, procurando compania para uma noite, agindo como adolescentes sem o serem. Um frio gelado correu pela espinha, espantei os pensamentos que me amedrontavam olhando no relógio para saber se já poderia ir embora.
E voltei para casa pensando... pensando naquilo que me tormentara já faz um tempo. A verdade não é que não teria mais idade para isso ou para aquilo. O que falta, realmente, é vontade.
A maturidade foi se instalando aos poucos, de forma que nem percebera. Já não sou mais uma universitária. Não tenho que quebrar barreiras para curtir uma festa, beber bebida barata, chegar com cara de ressaca no estágio. "Já vivi essa fase". E muito bem! Esboçei um sorriso ao lembrar-me das muitas vezes que dormi pouco pra poder ir a uma festa de quinta feira, e o quanto tudo aquilo era divertido! Dois mil e oito foi o ano da despedida. Despedida da vida universitária, procurei fingir que não, que aquela loucura toda de festas, baladas e inconsequências iria continuar, mas no fundo, eu sabia que estava acabando e aproveitei ao máximo.
Emprego, resposabilidades, cobranças, planos.. são essas as coisas que me fazem sentir mais velha e me considerar sem idade para isso ou aquilo. Não consigo mais me divertir na balada. Alguns lamentariam e se compadeceriam da minha situação, mas eu não. Já me diverti muito, só quero novidade. Quero algo diferente daquilo que já conheço também.
Istalou-se um vazio nesse período de transição.
Desconfio do que seja capaz de preenche-lo, mas o que posso fazer? ainda não sei..
Perto de mais um aniversário.. sinto-me ansiosa por saber quais mudanças podem vir. Ou melhor, faço do aniversário um pretexto para renovar as esperanças em uma mudança. Alguma novidade capaz de trazer um novo ânimo..para substituir aquele que perdi e que eu não volte a ser aquela de quem sinto falta.. mas uma nova pessoa, plena e satisfeita.

segunda-feira, agosto 03, 2009

"Eu lembro da moça bonita da praia de boa viagem...


Quando se tem 23 anos, já está formada, solteira, tem um emprego fixo e mora na casa dos pais não resta outro objetivo na vida senão viajar. (chato, né?) Minha mãe insiste para que eu tenha um patrimônio (?). Na verdade, ela quer é que eu compre meu próprio carro para parar de usar o dela, mas ela não entende que, na verdade, eu estou contribuindo para o meio ambiente evitando o consumo exagerado, afinal, uma casa de três pessoas não precisa de dois carros né? =)
Tá, o carro faz parte dos meus planos, mas é difícil pensar em ter um carro diante desse mundão de meu deus que está aí, à disposição, pra gente conhecer.
Quando eu poderei fazer isso senão agora? Sou jovem, tenho meu salário que não é muito mas que pra mim, é suficiente. Vou deixar para fazer isso quando for casada, quiser ter filhos e comprar uma casa própria? Não, né? Por isso, adio os planos do carro e penso sempre em um frase que li não sei onde: tem muito mundo nesse mundo e eu não quero ficar aqui.
Depois de ter dois celulares roubados em menos de seis meses, penso que o vale dessa vida são mesmo as experiências. Me roubaram o celular, mas ninguém será capaz de roubar o que vi, vivi e senti na última semana..

Estive em uma Terra em que em pleno junho já faz um sol de rachar às 9h da manhã. Uma terra em que as pessoas usam a pretônica acentuada. Ok, explico para os não linguístas: estive em Récife!!!!
Embora seja filha de Pernambucana, foi a primeira vez que pisei neste estado e nem mesmo fui a terra da minha mãe, uma cidade chamada Petrolina.. mas com certeza, hei de voltar. Gosto de me apaixonar por cada lugarzinho que passo.. e gosto mais ainda quando volto com aquela vontade de querer voltar.
Os planos não eram ir pra lá. Eu ia pra Buenos Aires. É difícil competir com a rede globo, não houve cristo que fizesse convencer as pessoas de que tanto faz estarmos aqui como na Argentina, as chances de pegar a tal gripe era a mesma.. assim, pra evitar maiores conflitos mudamos de plano de última hora. E a escolha não poderia ter sido melhor, afinal, eu sou uma amante do verão e foi muito bom encontrá-lo durante o inverno!

Quero falar-lhes então do Recife que não está no Guia 4 rodas, mas do recife que eu vi e me apaixonei!

Uma praia onde as pessoas não tomam sorvete, tomam caldinho. Confesso, não tive coragem, era muito calor para encarar um caldo de feijão. Mas comi carne de bode! Pra quem tá fazendo cara de nojo saibam que ao molho madeira e com fritas é uma carne deliciosa! Aliás, comemos muito bem sempre! Desde os frutos do mar até a carne de sol, com macaxeira ou queijo coalho, enfim.. ô terra de comida boa!
Conheci um velhinho na praia de boa viagem que vende arte feita em côco e que apesar de ter que trabalhar debaixo do sol com seus 60 e tantos anos ainda assim é capaz de fazer piada com a vida. Como ele mesmo disse, o tempo está louco, não se tem mais estações e ele nos contou que na seca de 84, urubu voava com uma asa só pq a outra era para se abanar!
Não podíamos deixar de ir a um forró né? Mas se enganam aqueles que pensam que o forró de Recife é igual ao daqui. Nada de rodopios, piruetas e manobras arriscadas. O negócio é o rala-coxa. Juntinho! haha "mijador com mijador" Ao meu ver, bem melhor! Inclusive pra quem não sabe dançar muito bem! é só se deixar levar..
Pra quem tem aquela visão preconceituosa do nordeste, saibam que as baladas não são só de forró. Aliás, a melhor baladinha que fui lá, era um pub! Chama-se UK! Um lugar muito estiloso! Com um fumódromo de paredes roxas e um banheiro com puffs e ar condicionado. Fumódromo! Todo lugar em Recife tem um fumódromo!! E como eu era acompanhante de uma fumante, por incrivel que pareça, foram lá que rolaram as principais amizades.
Uma praia cercada de arrecifes, que não só nos protegem dos tubarões, mas também nos proporciona uma paisagem singular.. parecem lugares diferentes, na maré cheia e na maré seca. Duas praias em uma só.
É um lugar também onde os garçons sempre te tratam bem, até mesmo a loucura de um fast-food como o habbibs tem mais calor humano. Lembro-me do nome do garçon, Inácio! E a simpatia foi tanta que ele nos convenceu a comprar um sorvete que nem mesmo tomamos.
E como esquecer o simpatissíssimo segurança da balada, Cristiano, que ganhou até um abraço na despedida! Alguém se imagina abraçando um segurança na balada em São Paulo ou Campinas? Não né? Pois é.. não sei porque, mas eu confiava nas pessoas de lá. As caronas, as dicas.. não conseguiamos ver maldade. Sorte? Talvez.. mas prefiro acreditar que as pessoas sejam boas mesmo! Afinal, depois de cada enrascada que nos enfiamos, tenho bons motivos pra achar que as pessoas são realmente boas!
O mocinho do hotel que descolou um quarto clandestino no último dia já depois do check out, o guia que arrumou a carona pra gente quando nos perdemos no grupo lá em Olinda, o recepcionista do hotel que sempre explicava quais os ônibus que tínhamos que pegar, o tiozinho da lojinha que me tratou tão bem quando soube que eu era filha de pernambucana, o nosso amigo Márcio que levou pra conhecer Porto de Galinhas e aquele lugar maravilhoso chamado Pontal de Maracaípe. O Guia Melque que nos levou pra conhecer Jhonny People! O casal com a história de amor mais engraçada que eu já vi - a Pernambucana que não sabe inglês e o Americano que não sabe português, Coca e Carl. Pessoas que conversei por.. meia hora, somente, ou pouco mais, e talvez não verei mais.. mas que me mostraram um mundo que as revistas de viagem não são capazes de mostrar.

Pois se vc for a Recife, aprecie suas cores, conheça suas novas palavras, ande pela maior avenida em linha, visite o segundo maior shopping da américa latina e se encante com essa cidade mais linda do mundo!

quarta-feira, julho 08, 2009

Estava com o livro aberto sobre o colo. Há dias não conseguia parar de lê-lo. Já conhecia a história, o cinema já havia lhe mostrado. Não se importava em já saber o final. Aliás, não entendia essa mania das pessoas em "ah-não-pode-contar-o-final".. As vezes, o livro é tão envolvente em outros aspectos, que o final pouco importa. Ou até mesmo a história já revelada no filme. Não elimina a surpresa de quando vc se encontra com o narrador, aquele que é capaz de te fazer pensar no que nunca tinha pensado, ou então, ler o que nunca conseguiu escrever. O narrador é o único capaz de despir o homem das máscaras, sem culpa, sem julgamentos.
E foi assim, viajando pela história já conhecida que leu "provavelmente, só num mundo de cegos é que as coisas são como verdadeiramente são."

Pensou em quantas vezes olha no espelho durante o dia. Ou então, por que todas as pessoas precisam de um espelho em suas casas. O que tanto é preciso conferir? Lembrou ainda da maquiagem do dia a dia, que esconde as marcas reais do rosto, que cria uma aparência que não é a sua. Para quê? Os esmaltes que cobrem as unhas, as tintas que falseam a cor dos cabelos. As roupas que valorizam isso, escondem aquilo, alongam, encolhem, disfarçam. Qual o propósito de todo esse disfarce do qual ninguém escapa. Repito, NINGUÉM. Se não é na aparência, é no modo de dizer, no estilo, na expressão. Quais são os esforços pra sustentar uma imagem para os outros. Para os olhos alheios, olhos julgadores, implacáveis. Como não podem enxergar a si, julgam o outro. E assim, nos esforçamos pra agradar ao julgamento.

E se não pudessemos ver? Só assim para conhecermos as verdades?
A verdade é que ninguém é capaz de enganar-se completamente.
Ela sabia que podia cobrir com a maquiagem aquela olheira, mas jamais apagaria a noite do sono perdida. Poderia se esforçar para sempre encontrar o seu melhor ângulo nas fotos, e poderia até mesmo se iludir achando que aquela era sua verdadeira aparência. Mas jamais esquecerias suas próprias imperfeições. Tentamos ser cegos o tempo todo. Cegos para consigo. E quem sabe fingindo que não vemos nossas falhas, os outros possam esquecê-las também.

"Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego"
Pois a única que poderia ver, se depara com a verdade humana e deseja estar cega.
E não é assim que somos? Cegamo-nos nas encenações do dia a dia. E a qualquer princípio de verdade..
Fechou o livro. Porque não queria continuar a ver.

sexta-feira, julho 03, 2009

1 minuto.

É muito ou pouco?

Na aula de jump é muito.
"A música tem só dois minutos". Impossível, ela leva uma eternidade!! Quando vc acha que já faz tres horas que está pulando a professora diz: "Só falta um minuto!!" - Ou seja, mais outra eternidade!!
No semáforo também.. o vermelho dura um minuto, enquanto o verde, apenas 3o segundos. E quando não tem nenhum movimento na rua, parece que ele demora mais ainda! É como se a vida estivesse passando e vc lá, assistindo, parada no semáforo.

Nos comerciais também é muito.. aquele monte de baboseiras que querem te convecer a comprar o produto levam mais tempo do que todo o capítulo da novela, do filme, do jornal, enfim, seja lá o que vc está assistindo. E é impressionante como é caro um minuto na televisão, não? Assim sendo, ele só pode durar muito..

Mas as vezes, um minuto é quase nada. Passa imperceptível.
Quando vc está atrasada e gostaria que um minuto durasse o tanto que dura no comercial da Tv, é obvio que ele não dura.
Quando vc toca o despertador e vc quer dormir só mais um pouquinho, só mais um minuto! Ele não vale de nada. É o abrir e fechar de olhos.
Igual a um minuto de ligação no celular, é o tempo suficiente pra dizer "oimãetochegandobeijomeliga"
É o tempo de deixar queimar algo no fogão,
de perder um ônibus,
de passar a velocidade permitida no radar.
Em um minuto pode acontecer coisas definitivas ou nada.
Vc pode levar um multa ou não conseguir resolver o problema do speedy.
Pode fazer um amigo ou magoar alguém.
Pode fazer emocionar a muitos com um discurso ou criar inimigos com duras palavras.
Pode fechar um super negócio ou arruinar toda a sua fortuna.
Pode ter uma ideia brilhante ou perder o trabalho de onze páginas.
Pode viajar no tempo e lembrar de várias coisas passadas, pode ler uma notícia ou a previsão do horóscopo.
Em apenas um minuto. Um, aparentemente, insignificante um minuto.

Somos cercados de detalhes que desprezamos e assim, esquecemos a importância que eles podem ter para nós. Um olhar de um minuto, uma palavra de um minuto, um beijo de um minuto.. podem durar a eternidade ou esvair no espaço como uma bolha de sabão.

Pra mim. Um minuto vale muito. Mesmo que não valha.


sábado, junho 20, 2009

10 motivos pra odiar o frio.

1) O frio dói. Doem os dedos, as articulações, o rosto com o vento gelado.
2) Engorda. Não tem outra coisa para se fazer se não comer. A única coisa que tenho vontade de fazer no frio, é comer! E não é comer frutinhas, saladinhas, tomar suco.. não!! só mesmo coisas calóricas pra aquecer o coração: chocolate, capuccinos, bolos, fondue, enfim.. tudo que seja extremamente calórico!
3) O banho. Primeiro trauma: tirar a roupa. Segundo: esperar o chuveiro ficar bem quente. Terceiro e pior: Sair do chuveiro. E para nós, mulheres, com cabelos compridos. A coisa é ainda pior, pq a não ser que vc queira morrer de sinusite, não dá pra ficar com o cabelo molhado. Assim, não existe o "vou tomar um banho rápido e vou sair".. o banho é um planejamento! Tem que ter tempo hábil para todo o ritual e ainda tempo suficiente para secar bem o cabelo com secador.
4)O Vazio. Nunca tem ninguém em lugar nenhum. As pessoas não saem de casa! Preferem ficar em casa, vendo filmes, comendo (engordando). E para aqueles que querem sair: coragem!!!
5) A roupa. Há os que dizem, "as pessoas ficam mais chiques no inverno". Até concordo.. botas de cano alto são chiquérrimas, casacos sobretudo e cachecóis também. Mas acho um SACO ter que colocar mil roupas pra ser feliz. São duas meias, meia calça, calça do pijama, calça jeans, blusinha, cacharrel, casaco, cachecol. Fico parecendo um boneco, todos os movimentos ficam limitados. Fora que.. na rua, frio, dentro dos lugares, calor. Então, tira blusa, coloca blusa, e assim vai...
6) Ser solteira. Não tenho alguém pra ficar abraçadinho. Logo... não vejo vantagem nenhuma nesse clima que favorece o romantismo.
7) O acordar. Sair debaixo das cobertas é quase como sair do útero. É parecido ao trauma do banho, e quando vc acorda às 6h, quando ainda não tem sol e até mesmo a neblina persiste.. a vontade é de desistir da vida.
8) Os resfriados e similares. Para quem é alérgico, sabe do que estou falando. O tempo seco e os lugares fechados são um veneno. São longos meses com o aspecto de quem sempre está resfriado e o grande companheiro de bolsa é o lenço de papel. Impossível viver sem ele! Espirros, espirros, tosses, dores de cabeça, dores de garganta.. uam delícia!
9) O bode. Os únicos passeios legais para se fazer nessa época são passeios de casais. Não preciso nem explicar o resto né? (vide ítem 6)
10) A preguiça. Não dá vontade de trabalhar, não dá vontade de ir a academia, não dá vontade de sair, não dá vontade fazer absolutamente NADA. Só de ficar embaixo da coberta, dormindo ou então de comer. Tédio absoluto.

Eu acredito que essa preferência "frio ou calor", tem muito a ver com o astral da pessoa. Pelo menos pra mim é. Preciso do Sol. Adoro o calor, ver as pessoas pela ruim, ir a praia, tomar cerveja gelada, sair com o cabelo molhado, sair pela noite sem blusa...

E ainda nem começou o inverno!
que passe bem, mas beeeeeeeeeeem rápido!

segunda-feira, junho 15, 2009

Breve, mas pleno.


ele perdeu o charme.
ela perdeu o encanto.-

"Vamos parar por aqui antes que a gente perca o respeito?"
[óbvio que era um dia de chuva.]

Se isso fosse uma fábula, teríamos uma lição: amor não mata, mas morre.


Publicado com a autorização da autora, Carol, do blog http://www.quaquaraquaqua.blogspot.com/

Ela escreve pácaraio! :)

domingo, junho 14, 2009

Desabafando

Esperei tanto pelo feriado! Quatro dias.. Q-U-A-T-R-O.. pra descansar, divertir.. relaxar.. certo?
Depende, se vc é uma pessoa esperta sim, mas se vc é uma teimosa, feito eu, que insiste em coisas que não dão certo, pode ser que não..

Que pessoa, em sua perfeita sanidade mental e com a intenção de "relaxar", teria a magnífica ideia de ir ao shopping em plena quinta de feriado véspera de dia dos namorados? Sim, sou eu, essa que vos fala. Conclusão: fila no estacionamento, fila pra pagar, vendedoras com má-vontade, muitas pessoas, crianças chorando, nenhuma mesa na praça de alimentação.. uma delícia. Isso porque não fui no shopping mais "popular", ainda assim, levei preciosa uma hora para tirar o carro do estacionamento. Consegui comprar o que queria? Consegui. Mas precisava disso tudo?
Some-se a isso ao fato da minha mãe TODAS as vezes chegar na fila da loja no momento em que tinha ACABADO de sair.. logo, esperei por todas as filas DUAS VEZES. Porque desgraça pouca é bobagem.. então, tem mais.

Sexta-feira, o tal dia dos namorados. Curiosamente, esse ano não estive tão incomodada com ele. Já foi bem pior.. talvez porque em outros anos eu estivesse "apaixonadinha" e quisesse estar com o objeto da paixão, mas.. como não tinha ninguém que eu queria que estivesse no posto de namorado, superei bem as lojas do centro da cidade repleta de corações e anúncios de presentes. E, vejam só, até mesmo fui presenteada por meus "namoradinhos" com chocolates Mundy :)
A noite seria perfeita: balada com as amigas solteiras! balada nova, com gente diferente, amigas animadas..
Ledo engano.
Ouvi tanto sobre essa balada e estou procurando por ela até agora.. tá o lugar é bonito, sim até é.. mas não vi nada de diferente das baladas de campinas. Aliás, vi sim. Um bar caríssimo, um pedágio a mais e uma longa viagem de carro. Mas do resto, mesmas músicas, mesmas cantadas furadas, a mesma molecada.. ainda assim, seria bom beber e dar risada. Seria. Seria se realmente tivesse sido uma balada de amigas para se divertir, mas às vezes, o divertimento das pessoas consiste em "caçar". Mais uma vez, "tenho me esforçando para não rir das atitudes humanas."

Sábado!! Nada como um dia após o outro né? O sábado sim, esse seria o dia! Finalmente, conseguiria me divertir! Acho que vou abandonar a noite, e usá-la para dormir, já que os dias têm sido melhores. A tarde foi muito legal! Cerveja, amigos, risadas! Tudo como nos velhos tempos (que não são tão velhos assim) da Praça Brasília.
Por um momento, realmente achei que a noite seria boa. E em partes foi, rever quem deixa saudades é sempre bom! E ver como a Claudinha ficou feliz por estarmos lá me fez bem também.
Só não é legal vomitarem no seu carro. Só não é legal esperar no carro quando está frio e vc só quer dormir quando vc já avisou que ia embora. Só não é legal todas as vezes vc ter que encarar a estrada, com sono, cansada e etc. Só não é legal quando vc definitivamente não aguenta mais balada. Essa é a conclusão. As vezes, vc tolera as coisas em função do divertimento, mas quando vc não se diverte mais, as coisas tornam-se absolutamente insuportáveis.

E agora, nesse domingo, são 18h20, ainda estou de pijama, comendo pipoca e fazendo nada. Demorou para que eu me desse conta de que muitas vezes a plenitude está em fazer nada. Reservar um tempo pra si. Eu comigo mesma. Absolutamente egoísta. Sem ter que preocupar com mais ninguém além de mim.
Permanecerei assim até o fim do dia. E isso sim é o que me fará bem!! Pra aguentar mais uma semana..

E que venham as férias! Por favor!

Prezada Mulherzinha,

Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme.
Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.
Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.
É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.

(Fernanda Young, Revista Cláudia.)

quarta-feira, junho 10, 2009

Cenas da Comédia da Vida Acadêmica

Quarta-feira chuvosa e fria, véspera de feriado prolongado, fim de tarde.
Aula de Tradução Português- Francês. Ou seja, para cursa-lá é preciso algum conhecimento em língua francesa. Logo, em cultura francesa, certo?

A professora corrigia a prova, tradução do texto "Un hemisphére dans une cheveleure", poema em prosa de Charles Baudelaire. (tenso)

Estava distraída quando ouço:

- Você fez Letras?
- Sim, fiz.
- Vocês estudam "esse cara"?
- Eu conheço, mas não estudei a fundo não..

- Ah.... Ele é importante?

.....


Despeço-me, sem mais.

quarta-feira, junho 03, 2009

10 coisas que vc encontra no meu quarto

Já faz tempoo que o blog http://www.dacordasuapaz.blogspot.com/ me deixou um MEME.. bem, não entendi muito bem o real sentido dessa expressão, mas gostei muito do que ele fez.. que foi dizer as tais 10 coisas que se encontram em seu quarto.. como ele me indicou, cá estou para fazê-lo também!

1) Uma cama que me acompanha há quase vinte anos. Sim, me lembro como se fosse hoje o dia em que ela chegou a minha casa e em troca, eu abandonei a chupeta. Uma estratégia do meu pai que deu muito certo, desde então, essa cama me acompanha por muitos sonos.

2) Um edredon. Esteja frio ou calor. Não importa, sempre terá um edredon. Jamais um cobertor, pois além da cama, a rinite é uma companheira também de longa data..

3) Várias caixinhas com coisinhas. Nunca vi alguém com tanta capacidade pra guardar coisinhas. Lembrancinhas de festas, convites, embrulhos de presentes, cartões, enfim.. vou tentar presonificar as memórias. Talvez seja medo de que um dia elas deixem de existir.

4) Papéis. Muitos papéis. Textos, recortes de jornal, provas, redações, cartas, anotações, lista de supermercado, lembretes.. enfim. Papéis que não tem mais fim.

5) Livros. Todos mal organizado e espalhados. De "O Pequeno Príncipe" a "Un Souffle de vie" da Clarice Lispector, passando pelos best sellers como "Código Da Vinci" e os teóricos como "Análise do Discurso - princípios e procedimentos". Li todos? Vc acredita que não? Tem uns que estão novinhos... vá entender..

6) Um mural laranja com ímãs de carinhas que não está pendurado na parede. Está apoiado na parede, mas já tem fotos! Da melhor amiga, da turma da facul, da irmãzinha, dos meus pais... já basta! =)

7) Um quadro de fatos que também não está pendurado. (qual meu problema?) Lá tem a foto do dia do trote em 2004, a festa de formatura, os amigos especiais: de longe, perto, recentes e antigos. Adoro essas fotos. Minhas companheiras de memória..

8) Um travesseiro baixinho e fino. Também companheiro de longa data.. quantas lágrimas, quantos vestígios de maquiagem, quantas noites de sono profundo e outras sem dormir (poucas, graças a Deus). O mais cúmplice de todos. O melhor conforto do silência.

9) As paredes. Confidentes, que acompanham os devaneios, as falas sozinhas, os medos e as alegrias. Acompanham e escondem-nas.

10) Sempre um par de sapato. Uma bolsa. Um secador de cabelo. Um celular pra despertar. Algum par de brinco.. vestígios do dia a dia, do meu humor, do meu espaço, do meu mundo!

Reflita:

"A maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intençao de ama-la".

segunda-feira, maio 11, 2009


Certa manhã, meu pai convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia ...

Perguntei ao meu pai:

- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

- Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, inoportuna, interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:- "Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."

domingo, abril 26, 2009

Minha mãe é...




É aquela que é péssima para acordar as pessoas. Ela chega falando alto, abrindo a janela e dando bronca: "Você vai chegar atrasada!!". Ela também não é lá muito delicada para dar más notícias. "Ei, acorda, seu avô morreu". É.. bom dia pra você também, mãe..


Ela é também uma pessoa desastrada. Um sorvete sem derrubar na roupa, não é um sorvete! E por falar em sorvete, como ela gosta de um! Mesmo durante a dieta que ela vive fazendo, não abre mão de um sorvete!


Minha mãe é capaz de dar os maiores foras, do tipo, deixar pra fora de casa minha amiga que vinha do Paraná. Por que ela fez isso? Nem ela sabe! É também muito cara de pau - pechincha, pede, cobra. E quer saber? Ela sempre consegue! Sempre!


Eu, racional. Ela, impulsiva. Eu, penso duas vezes antes de fazer. Ela, faz duas vezes antes de pensar. Eu, sossegada. Ela, totalmente acelerada, caapaz de fazer mil coisas ao mesmo tempo. E apesar de parecermos tão diferentes, cada vez que eu derrubo o sorvete na roupa, eu percebo o quanto somos iguais.


Ela erra caminhos, não entende piadas, não gosta de cozinhar, adora perfumes e puxa o saco do meu irmão mais novo.Em todas essas imperfeições, ela se torna perfeita. Por que? Porque é a minha mãe!




(Foto: As duas mulheres que mais admiro na vida - Jundiaí, Natal de 2008)

sábado, abril 18, 2009

O amor sem remédios e o remédio do amor

É uma pena que esse sermão do Pe. Antônio Vieira não seja um dos mais comentados em sala de aula. Nem mesmo na faculdade, onde tive praticamente um curso inteiro sobre Vieira, falamos sobre ele. Reconheço que os outros tratam de temas mais polêmicos, envolvem política, a crítica a Igreja, a sociedade, enfim, temas considerados "importantes". Mas o que eu realmente gosto na literatura é quando percebemos o quão humana ela é. Como ela é capaz de transformar coisas banais em motivo de reflexão, de como ela é capaz de mudar o nosso olhar para com as coisas do Mundo.. Pois nesse sermão Vieira vai falar sobre o amor sem remédios e o remédio do amor, ele anuncia o início do evengelho dizendo que muitos dos que estão ali buscam a cura de uma efermidade. Assim sendo, o amor também é uma efermidade e como todas as outras coisas, há de se remediar. Qualquer outro diria que as dores de amor são mínimas perto das grandes enfermidades.. mas.. pensemos, de todos que estão em uma Igreja, quantos não sofrem da enfermidade do amor? Posso garantir que muitos não têm lá grandes enfermidades para pedir por ela, mas não há aquele que nunca tenha enfrentado a famosa dor de amor.. que inspira poetas, que melodia músicas e aflige humanos.

Assim, falando sobre os remédios para o amor, Vieira nos lembra que há aquele que é o amor sem remédios.. o amor perfeito, que resiste a todas essas remediações: o Amor de Cristo.
Ahh se todos os padres, pastores, guias espirituais, whatever, fossem como Vieira.. que a Igreja é um lugar pra tratar de assuntos divinos sim, mas também, de assuntos humanos. E que os dois podem conviver!

Vejamos então um pouco do que ele disse:
(...) O primeiro remédio que dizíamos é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos. Baste por todos os exemplos o do amor de Davi.
O que era desejo se trocou subitamente em dor; o que era cegueira, em luz; o que era gosto, em lágrimas; e o que era amor, em arrependimento. E se tanto pode um ano, que farão os muitos?
Estes são os poderes do tempo sobre o amor. Mas sobre qual amor? Sobre o amor humano, que é fraco; sobre o amor humano, que é inconstante; sobre o amor humano, que não se governa por razão, senão por apetite; sobre o amor humano, que, ainda quando parece mais fino, é grosseiro e imperfeito.


Bem, mas aqueles que sofrem sabem como é custoso esperar as ações do tempo. Comparando o amor a qualquer enfermidade, hum.. vejamos, a gripe! Sim, a gripe.. sabemos que para sarar de uma gripe é preciso esperar.... uma semana ou menos. Mas apenas esperar, pra que ela passe. Ora, e tudo que pensamos é: falta muito pra passar? Então, o tempo é eficaz, mas é sofrido. Será que não teria algo mais rápido, Viera?


(...) O segundo remédio do amor é a ausência. Muitas enfermidades se curam só com a mudança do ar; o amor com a da terra. E o amor como a lua que, em havendo terra em meio, dai-o por eclipsado. À sepultura chamou Davi discretamente terra do esquecimento: Terra oblivionis (Sl. 87, 13). E que terra há que não seja a terra do esquecimento, se vos passastes a outra terra? Se os mortos são tão esquecidos, havendo tão pouca terra entre eles e os vivos, que podem esperar, e que se pode esperar dos ausentes? Se quatro palmos de terra causam tais efeitos, tantas léguas que farão? Em os longes, passando de tiro de seta, não chegam lá as forças do amor. Seguiu Pedro a Cristo de longe, e deste longe que se seguiu? Que aquele que na presença o defendia com a espada, na ausência o negou e jurou contra ele. Os filósofos definiram a morte pela ausência: Mors est absentia animae a corpore. (6)E a ausência também se há de definir pela morte, posto que seja uma morte de que mais vezes se ressuscita. Vede-o nos efeitos naturais de uma e outra. Os dois primeiros efeitos da morte são dividir e esfriar. Morreu um homem, apartou-se a alma do corpo: se o apalpardes logo, achareis algumas relíquias de calor; se tomastes daí a um pouco, tocastes um cadáver frio, uma estátua de regelo. Estes mesmos efeitos ou poderes têm a vice-morte, a ausência. Despediram-se com grandes demonstrações de afeto os que muito se amavam, apartaram-se enfim, e, se tomardes logo o pulso ao mais enternecido, achareis que palpitam no coração as saudades, que rebentam nos olhos as lágrimas, e que saem da boca alguns suspiros, que são as últimas respirações do amor. Mas, se tomardes depois destes ofícios de corpo presente, que achareis? Os olhos enxutos, a boca muda, o coração sossegado: tudo esquecimento, tudo frieza. Fez a ausência seu ofício, como a morte: apartou, e depois de apartar, esfriou.


A ausência. O que mais o ser humano teme, é cair no esquecimento. Comparar a ausência à morte, assusta. Mas convenhamos, sabemos que acostumamos com aquilo que não temos mais. Tudo se esfria. Mais rápida que o tempo, a ausência ainda deixa resquícios no coração daqueles que amam.. ambas deixam motivos para que volte-se a amar. Novamente, a gripe. Ela passa, mas pode voltar não é mesmo? Será que há algo mais definitivo?

(...)O terceiro remédio do amor é a ingratidão. Assim como os remédios mais eficazes são ordinariamente os mais violentos, assim a ingratidão é o remédio mais sensitivo do amor, e juntamente o mais efetivo. A virtude que lhe dá tamanha eficácia, se eu bem o considero, é ter este remédio da sua parte a razão. Diminuir o amor o tempo, esfriar o amor a ausência, é sem-razão de que todos se queixam; mas que a ingratidão mude o amor e o converta em aborrecimento, a mesma razão o aprova, o persuade, e parece que o manda. Que sentença mais justa que privar do amor a um ingrato? O tempo é natureza, a ausência pode ser força, a ingratidão sempre é delito. Se ponderarmos os efeitos de cada um destes contrários, acharemos que a ingratidão é o mais forte. O tempo tira ao amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunicação, a ingratidão tira-lhe o motivo. De sorte que o amigo, por ser antigo, ou por estar ausente, não perde o merecimento de ser amado; se o deixamos de amar não é culpa sua, é injustiça nossa; porém, se foi ingrato, não só ficou indigno do mais tíbio amor, mas merecedor de todo o ódio. Finalmente o tempo e a ausência combatem o amor pela memória, a ingratidão pelo entendimento e pela vontade. E ferido o amor no cérebro, e ferido no coração, como pode viver? O exemplo que temos para justificar esta razão ainda é maior que os passados.
E se a ingratidão ressuscita o aborrecimento até nos mortos, como achará amor nos vivos? (...)


Bem, a Ingratidão parece mesmo muito eficaz!!! Nada melhor do que quando não há mais motivos para amar, quando percebe que simplesmente o ser amado não merece o amor. Mas será então que não há uma alternativa menos dolorida para o amor? Sempre deve ser sofrido, doloroso..com separações, rancores, cicatrizes. Será que há uma esperança?

(...)É pois o quarto e último remédio do amor, e com o qual ninguém deixou de sarar: o melhorar de objeto. Dizem que um amor com outro se paga, e mais certo é que um amor com outro se apaga. Assim como dois contrários em grau intenso não podem estar juntos em um sujeito, assim no mesmo coração não podem caber dois amores, porque o amor que não é intenso não é amor. Ora, grande coisa deve de ser o amor, pois, sendo assim, que não bastam a encher um coração mil mundos, não cabem em um coração dois amores. Daqui vem que, se acaso se encontram e pleiteiam sobre o lugar, sempre fica a vitória pelo melhor objeto. É o amor entre os afetos como a luz entre as qualidades. Comumente se diz que o maior contrário da luz são as trevas, e não é assim. O maior contrário de uma luz é outra luz maior. As estrelas no meio das trevas luzem e resplandecem mais, mas em aparecendo o sol, que é luz maior, desaparecem as estrelas. O mesmo lhe sucede ao amor, por grande e extremado que seja. Em aparecendo o maior e melhor objeto, logo se desamou o menor.


Depois de convercer-se de que sarar dessa enfermidade não é nem um pouco fácil (sim, ele me convenceu! rs) Eis uma luz. Melhorar de objeto. Encontrar outro amor. Maior, por consequência, melhor. Capaz de fazer com o que o outro se torne menor, se apague, suma, desapareça. Bem, se é tão bom amar, se é tão bom sentir esse sentimento, não há mesmo melhor remédio para o amor do que outro amor, e o melhor de tudo, não é sofrido. Parece perfeito, não?
A única coisa que o Viera não soube explicar, e nem ele e nem ninguém, é se é possível escolher.
Resta-nos torcer, para poder padecer do melhor de todos os remédios!

segunda-feira, abril 13, 2009

Música deveras conveniente


All I'll can ever be to you
Is a darkness that we know,
And this regret I got accustomed to.
Once it was so right
When we were at our high,
Waiting for you in the hotel at night.
I knew I hadn't met my match,
But every moment we could snatch,
I don't know why I got so attached.
It's my responsibility,
And you don't owe nothing to me,
But to walk away I have no capacity.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
I don't understand,
Why do I stress a man,
When there's so many bigger things at hand,
We could've never had it all,
We had to hit a wall,
So this is an inevitable withdrawal.
Even if I stop wanting you
A perspective pushes true,
I'll be some next man's other woman soon.
I couldn't play myself again,
I should just be my own best friend,
Not fuck myself in the head with stupid men.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above
A blaze
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In this blue shade
My tears dry on their own.
I wish I could say no regrets,
And no emotional debts,
Cause as we kiss goodbye the sun sets.
So we are history,
Your shadow covers me,
The sky above a blaze that only lovers see.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
In my blue shade
My tears dry on their own.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I am grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry on their own.
He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way,
My deep shade,
My tears dry...
(tears dry on their own)

domingo, abril 12, 2009

Da série: coisas que não fazem mais sentido depois que você cresce

A Páscoa.

Tenho uma família grande. Grande e unida. Já foi mais, fato, mas unida. Logo, datas comemorativas sempre foram motivo de nos reunir. Assim, me lembro de como foi triste o primeiro feriado da Páscoa que não passei junto com todos. Foi estranho. Eu gosto de rituais. Acredito que eles sejam fundamentais para tornar "um dia diferente dos outros dias, uma hora diferente das outras horas". Assim, a sexta feira santa sem a torta da tia Maria, não foi a mesma coisa. Não me importava em ganhar muitos ovos de Páscoa, o que eu realmente gostava era isso: estarmos todos juntos, falando alto, brigando, rindo, comendo.. enfim, juntos.
Com o tempo, cada vez menos fomos nos reunindo nesse dia.. e cada vez menos sentido a Páscoa faz para mim.
Em tempos mais católicos, respeitava e seguia toda a simbologia que envolve esse dia, mas hoje, tenho uma outra visão.Ainda respeito, não vou fazer um churrasco na sexta feira da Paixão. Simplesmente porque tem todos os outros mil dias no ano para se fazer um churrasco. Se vc não quer não comer carne vermelha, tudo bem, mas fazer um churrasco é apenas uma afronta. Uma afronta gratuita. Mas o que eu simplesmente não compreendo é a finalidade de tanta simbologia: Por que deixar de tomar refrigerante durante a quaresma? Por que não comer carne vermelha no dia da paixão?De que vale atravessar uma ponte inteira de joelhos? Por que essa exaltação do sofrimento!?

Seria válido se tudo isso provocasse mudança de comportamento. Se depois de deixar de comer carne vermelha, você fosse capaz de pensar também na criança que não ganha ovo de páscoa e do quanto isso é importante pra ela. Se ao atravessar a ponte de joelhos para agradecer uma graça, você se lembre de que não custa nada ir até um hospital arrancar um sorriso de alguém que passou o feriado dentro de um quarto. Ou ainda que ao fim da quaresma, vc perceba que ficar sem tomar refrigerante não é sacrifício nenhum, sacrifício é sustentar uma família com um salário mínimo.

Se a Páscoa seria um momento de renascer, renovar e aceitar a lição de amor deixada por Cristo, penso que os cristão a banalizaram completamente. Escondem-se atrás de um monte de simbologias criadas sabe-se lá por quem e continuam com seu espírito mediocre.

Não sei se posso ainda me considerar católica. Prefiro me considerar apenas cristã. Procuro evitar que os dogmas de uma igreja não me ceguem com relação a lição mais bonita que existe relacionada a essa data: a possibilidade de ressuscitar. Ressuscitar os sentimentos bons, fazer nascer alguém que não existia dentro de você, e aos poucos, servir de exemplo, fazer a diferença.

Feliz Páscoa! Que vcs possam apreciar seus chocolates, curtir suas famílias, amigos, namorados.. e pensar, pelo menos um pouco, no que realmente esse dia significa.

sábado, abril 11, 2009

Salto alto, unhas vermelhas, o gloss fecha o visual maquiado e noturno. Os olhos escuros, o rímel, o blush para dar um ar saudável a pele.. Sai pela porta e deixa o rastro do perfume junto com o barulho das chaves do carro. É um ritual.
Todos os fins de semana, a cena se repete. Prepara-se pra uma noite que já sabe como vai ser..
Não entendia mais porque insistia em seguir esse mesmo caminho se ele parece já não fazer mais sentido.
A bebida faz que com que se enquadre na ditadura da felicidade, ri muito, dança, sente-se invencível, poderosa, absoluta. Tudo enganação. No fim da noite, junto com o sono, a decepção para consigo. Deixou-se levar mais uma vez.. enganou-se por mais um sábado. E fará isso mais quantas vezes?
Não quer mais se sentir obrigada a ser feliz. Queria realmente estar feliz, plenamente feliz. Não queria mais apenas conformar-se com o que tem e acreditar que poderia ser feliz apenas assim. Falta-lhe ambição, aliás, não permitem a ambição. Consideram-lhe ingrata.
Quem consideram? Quem são esses que importam tanto? Que sufocam, pressionam?
Apontam, julgam, determinam em meio a suprema vaidade humana. Julgam-se capazes de afirmar categoricamente o que é melhor para você. E você se esforça para agradá-los.
Estava realmente farta. Não queria mais colocar o salto alto. Não queria mais preocupar-se em impressionar. Não queria mais procurar pelo que não existe. Queria já ter encontrado e então, poder viver outro momento, criar novos rituais, ter novas ambições..
Queria querbar o seu ciclo, seguir um novo caminho, ser uma nova pessoa.
Queria..
falta-lhe coragem. É fraca. E acima de tudo, medrosa. Mais fácil culpar a tudo que a cerca por ser como é.. difícil reconhecer que enquanto puser a culpa n'Eles, continuará assim... vazia.

A palavra é meu domínio sobre o mundo

"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?"


....


"Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra."

...



Por enquanto estou inventando a tua presença

....

O que me atormenta é q tudo é 'por enquanto', nada é ' sempre'“.

....

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias

.....

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.

...

Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.


Clarice Lispector.

sábado, abril 04, 2009

Interessam? ou não?

Houve um tempo em que esse blog era mais movimentado. Costumava escrever sempre, sobre diversos assuntos... ultimamente, "malemá" posto um texto que nem sequer é de minha autoria! Não sei ao certo o que me fez parar de escrever, mas ando meio "sem inspiração". Acho que não tenho mais tanta disposição pra refletir sobre os porquês (os tantos porquês) da vida.
Bom, mas como nunca se abandona de vez uma paixão, volto com um novo texto! voilá!

Mentiras sinceras


Peguei o livro que estava sobre a mesa e passei os olhos pela contracapa: Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)

A palavra foi feita para dizer. Ao mesmo tempo que pareceu uma afirmação obvia tornou-se esclarecedora. É curioso como o obvio ainda causa espanto. Pois então não é assim que deveria ser? Não deveria ser esse o único objetivo das palavras? Dizer. Simples assim.

Dizer, não mentir. Dizer, não enganar. Dizer, não enrolar. Dizer, não falsear.
Pensei em todas as palavras que escuto todos os dias e quais delas realmente diziam alguma coisa. Em quantas delas são absolutamente desnecessárias. E como eu ficaria muito melhor sem nunca tê-las ouvido.

As pessoas se esquecem que a palavra tem autoridade sobre as coisas do mundo. Ou seja, a partir do momento em que é dita, pressupõe-se que é uma verdade. Porém o sentido anda tão banalizado, que os valores se inverteram: partimos do princípio de que é uma mentira. Mentira sincera, mas mentira. Que leva tempo e paciência para atingir o status de verdade.

Falsos elogios. Falsas saudades. Falsos cumprimentos. Que são proferidos por hábito, sem nenhuma consciência do que significam. Azar daqueles que porventura, acreditam.

Pois foi essa última frase que me fez escrever correndo o risco de até mesmo cair nesse mesmo erro. Afinal, as palavras são sedutoras, enganam, confundem, dissimulam... É fácil esconder-se por de trás delas.

Graciliano Ramos refere-se ao ato de escrever, quem já leu uma obra dele sabe bem o porquê dessa afirmação: frases curtas, diretas, intensas. Em uma frase Graciliano é capaz de tocar. Até mesmo seus personagens, Fabiano, de Vidas Secas, não sabe falar, se atrapalha com as letras, mas o narrador é capaz de expor toda sua complexidade interior, sem muitos rodeios... com as mesmas frases simples e definitivas.

E é isso que eu quero: palavras simples, mas definitivas. Que digam, e por dizer, construam realidades.

Cazuza que me perdoe, mas mentiras sinceras, não me interessam.

quinta-feira, março 05, 2009

Lembrei dessa música...

Um clássico. E como todo clássico... bem.. e não é que é? 

Quem um dia irá dizer que existe razão 
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer 
Que não existe razão? 


Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar 
Ficou deitado e viu que horas eram 
Enquanto Mônica tomava um conhaque 
Noutro canto da cidade 
Como eles disseram 

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer 
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer 
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse 
- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir 
Festa estranha, com gente esquisita 
- Eu não tou legal, não agüento mais birita 
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais 
Sobre o boyzinho que tentava impressionar 
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa 
- É quase duas, eu vou me ferrar 

Eduardo e Mônica trocaram telefone 
Depois telefonaram e decidiram se encontrar 
O Eduardo sugeriu uma lanchonete 
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard 
Se encontraram então no parque da cidade 
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo 
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar 
Mas a menina tinha tinta no cabelo 

Eduardo e Mônica eram nada parecidos 
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis 
Ela fazia Medicina e falava alemão 
E ele ainda nas aulinhas de inglês 
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus 
De Van Gogh e dos Mutantes 
Do Caetano e de Rimbaud 
E o Eduardo gostava de novela 
E jogava futebol-de-botão com seu avô 
Ela falava coisas sobre o Planalto Central 
Também magia e meditação 
E o Eduardo ainda estava 
No esquema "escola, cinema, clube, televisão" 

E, mesmo com tudo diferente 
Veio mesmo, de repente 
Uma vontade de se ver 
E os dois se encontravam todo dia 
E a vontade crescia 
Como tinha de ser 

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia 
Teatro e artesanato e foram viajar 
A Mônica explicava pro Eduardo 
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar 
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer 
E decidiu trabalhar 
E ela se formou no mesmo mês 
Em que ele passou no vestibular 
E os dois comemoraram juntos 
E também brigaram juntos, muitas vezes depois 
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa 
Que nem feijão com arroz 

Construíram uma casa uns dois anos atrás 
Mais ou menos quando os gêmeos vieram 
Batalharam grana e seguraram legal 
A barra mais pesada que tiveram 

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília 
E a nossa amizade dá saudade no verão 
Só que nessas férias não vão viajar 
Porque o filhinho do Eduardo 
Tá de recuperação 

E quem um dia irá dizer que existe razão 
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer 
Que não existe razão?


quarta-feira, fevereiro 11, 2009



Ganhei esse selinho do Du, do blog http://www.dacordasuapaz.blogspot.com/, o qual, aliás, é excelente!!! Muito Obrigada, Du! e continue escrevendo seus textos tão suaves e bonitos!!
Bom, agora tenho que continuar né? Seguir as regras.. vamos lá!

1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” Que vc acabou de ganhar!!!
2- Poste o link do blog que te indicou.(muito importante!!!)
3- Indique 10 blogs de sua preferência;
4- Avise seus indicados;
5- Publique as regras;
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras;
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B !

Os blogs indicados são:
1) http://maisqueblablabla.blogspot.com/ (companheira de IEL)
2) http://diantedachance.blogspot.com/ (Diego, já pensou em escrever novelas? rss)
3) http://www.blogdocreco.blogspot.com/
4) http://liquimix.zip.net/ (também parceira de IEL, doutoranda! aliás!)
5) http://complexodepagu.blogspot.com/ (a socióloga que devia voltar a escrever mais..)
6) http://poetasbarrota.blogspot.com/ (meus poetas favoritos)
7) http://perolasdamimi.spaces.live.com/ (só da IEL aqui..rss)
8) http://modeloclassico.blogspot.com/
9) http://junioroliveira.blogspot.com/
10) http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Era uma vez...


No castelo, vivia um princesa. Ela pintava as unhas de vermelho e gostava de fazer caretas na frente do espelho. Ela detesta quando levanta e ainda está escuro, também quando deita já está claro. Igual a quando misturam doce com salgado na comida. Cada coisa no seu lugar, não é mesmo?
Não era uma princesa como as outras. Nem sequer sabia cozinhar e seu castelo, nem era lá aquelas coisas. Ora, será que ela era mesmo uma princesa? Ela mesma se questionava sobre isso, afinal, como poderia ser uma princesa..parecia tão..tão.. normal! Não acordava bem humorada, não sorria a todo tempo, derrubava tudo, quebrava tudo, tropeça, cai.. onde estava aquela sutileza e delicadeza de gestos e atos narradas nos contos de fadas?Com certeza, tinha todos os motivos para duvidar da sua "realeza"...
Poderia não ser uma princesa perfeita como parecem ser as outras... mas sonhava como todas elas. Quando menos se esperava, ela já se via pensando nele. O princípe.. que não viria no cavalo branco, mas que seria aquele capaz de a fazer rir em uma terça feira qualquer. Aquele que implicaria com uma mania sua, ao passo que ela implicaria com o jeito que ele arruma o cabelo. Gostariam da mesma música e odiariam muitas outras. Teriam olhares em comum, através do qual se entenderiam sem maiores explicações. E com o tempo, saberiam até prever qual seria o gesto ou a palavra. E ela gostaria de fazer as coisas para agradá-lo só para depois poder vê-lo sorrir. Em seus sonhos, tinha certeza, de que adoraria vê-lo sorrir. Não precisariam de exageros e declarações apaixonadas, porque já saberiam. Estaria dito a todo momento. E seriam felizes para sempre. Mesmo que o pra sempre... não exista.
Fim!
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