domingo, novembro 26, 2006

Por que amamos?

Por que amamos?

É realmente estranho ver no mundo apenas um ser. Ter no espírito um único pensamento, no coração um único desejo e na boca um único nome: um nome que ascende ininterruptamente, que sobe das profundezas da alma como água de uma fonte, que ascende aos lábios e que dizemos, repetimos, murmuramos o tempo todo, por toda parte, como uma prece. Não vou contar nossa história de amor. O amor só tem uma história, sempre a mesma. Encontrei-a e Amei-a.

(Guy de Maupassant, “A Morta”. in Contos Fantásticos)

Leram? O que acharam? Bonito, né? Profundo, não?

Esse é o primeiro parágrafo do conto A Morta, último conto do livro Contos Fantásticos do autor realista francês, Guy de Maupassant. A principio, não parece um trecho pertinente a um autor realista. Para aqueles que não sabem, palavras bonitas sobre o amor, se limitam ao Romantismo, o amor realista não é bonito. Não é intenso, não é passional. Na maioria das vezes, se trata de um amor unilateral, onde apenas uma das partes ama, a outra, aproveita-se da situação.

Voltando ao enredo da história, esse conto fantástico narra a história de um homem que amava muito a sua amante. Certo dia, ela saiu de casa e quando voltou, depois de uma chuva, ficou resfriada e morreu subitamente. Com todo amor, o homem a enterra e grava no seu epitáfio os dizeres: “Aqui jaz uma mulher que amou, foi amada e morreu”. Lindo, né?

O homem simplesmente não se conforma com a perda. Não se conforma com a idéia de sua amante, tão linda, tão bela, estava embaixo da terra junto aos vermes. Em meio a seu inconformismo, decide passar a noite no cemitério junto dela. Até que fenômenos estranhos começam a acontecer. Os mortos levantam-se dos seus túmulos e mudam os seus epitáfios.

E tal é a sua surpresa quando a sua amada levanta-se, e escreve no seu epitáfio: “tendo saído, um dia, para enganar o seu amante resfriou-se sob a chuva e morreu”.

Realmente, o amor é mesmo lindo.

O homem foi encontrado alguns dias depois em estado de choque.

(Guy de Maupassant (1850-1893) Um dos maiores contistas de todos os tempos, teve uma infância e uma juventude aparentemente felizes no campo francês, em companhia da mãe, uma mulher culta, depressiva, que fora abandonada por um marido infiel. Escreveu pelo menos 300 histórias curtas, das quais algumas tornaram-se universalmente conhecidas, como Bola de Sebo, O Solar, Uma Aventura Parisiense, Mademoiselle Fifi, Miss Harriett, entre outras. De forma muito rápida, conquistou o coração do público francês e o de outros países. Talvez tenha sido, nos últimos anos do século XIX, o escritor mais lido no mundo)

2 comentários:

Michele Fernanda disse...

Meu, acho que vou morrer sonhando que esse amor do começo do texto existe, porém não sei se sou digna dele. qual o critério pra ser digna eu não sei, se souberem me avisem, por favor.
Só sei uma coisa, amo tanto tudo e todos que sempre acabo me ferindo. Dizem que o peixe morre pela boca, eu morro pelo coração.

Xulyandrews disse...

Eu usei esse conto na minha prova... pra falar da mulher... da vadia da mulher... hauahauhauaha
escrevi de amor no meu flog hj tb, bem do nosso jeito... racional... hahahahah
mas vc se supera a cada post nega! esse blog tá ficando maaaaaaaaaaxilindo, como a dona! =)
ahh, vou aproveitar o tempo e comentar nos posts anteriores, e no flog tb!
pq vc eh uma pessoa diva, e eu, uma PERdiva! haha
Bjuuus

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