domingo, setembro 16, 2007

(por hora, sem título)

Ultimamente, eu e um certo amigo sempre conflitamos idéias dentro de um determinado assunto. Ele, biólogo. Eu, bem.. "letrista", não gosto desse termo..tá, vou ser ousada: eu, analista do discurso. Pode ser que isso não represente nada, mas como (justamente) uma analista do discurso posso dizer que faz sim, e essa diferença se materializa, é claro, no discurso. Não é só isso que distancia nossos pontos de vista, mas também toda uma formação cultural, social e ideológica que ele insiste em descartar! rss
Explico-me: ele vê o "ser humano" como um dado empírico. Ele explica (e justifica) as ações desse ser dentro de suas constituição biológica. Vontades, desejos, tudo é natural, tudo faz parte do ser humano. Logo, não devemos reprimir ou nos contranger com coisas que nos são, cientificamente, naturais. A sociedade, as culturas, tudo isso não seria "natural" e funcionam como "claustros".
O que ele chama de "ser humano", eu prefiro chamar de Sujeito. Eu não consigo ver o ser humano fora do seu construto social. Eu não vejo ser humano sem cultura, eu não vejo o ser humano sem ideologia. Eu vejo Sujeitos. Quando chegamos ao nosso "meio", somos expostos aos mais diversos discursos: da religião, da família, da escola, dos professores, dos amigos, da mídia, da imprensa, da ciência..enfim, somos rodeados de todas esses discursos fundadores. Eles ficam lá.. no inconsciente.. e vão constituindo o sujeito, a sua formação discursiva, e, consequentemente, o seu discurso. Quando dizemos algo hoje, algo já foi dito em algum momento, e ao dizer, materializamos a nossa ideologia.
Ou seja, para mim, o ser humano se constrói apenas dentro do social, dentro das culturas, das ideologias que permeiam o seu discurso. É nesse meio que ele age, constrói, destrói, faz, sente.
E isso, não é, de jeito nenhum, ruim. Isso sim, pra mim, é o natural. É o Sujeito sobre todas essas influencias, é o Sujeito que se encontra a meio a todas essas informações e se torna autor. autor de suas ações, reações. Aí, o sujeito se reconhece como um construto social e como parte dele, e não prisioneiro do mesmo.
Minhas ações são resultados da minha formação. Reconheço a diferença, e percebo como é possível várias leituras para uma determinada situação. E assim, justifico meu "constangimento" e afirmo: ele não me incomoda e não quero mudá-lo. Não vou ser mais ou menos feliz por isso.
Freud diz que um dos problemas da humanidade é a busca pela felicidade plena. Estamos sempre nesse busca..que..será que existe? Podem criticar o meu pessimismo, mas se conseguissimos encarar, friamente, que esse fucking felicidade plena não existe, seria tudo bem mais simples. Não é preciso explicar, não é preciso justificar erros. Nem chegar ao extase, nirvana, whatever.. eu erro. eu penso. eu falho.
E vai ser sempre assim.

3 comentários:

Jão disse...

Em primeiro lugar...ADOREI SEU TEXTO E PONTO DE VISTA. Imagino que esse amigo biólogo seja eu (nunca ouvi falar de um outro amigo biólogo seu). Bom, talvez realmente eu possa ter atitudes muito "naturais", que talvez possam constranger alguém. Mas sem esse seu ponto de vista não as teria. Houve uma base, uma formação para chegar até essa "naturalidade", característica distinta devido os seres serem "sujeitos".
Desculpa se te PENTELHEI DEMAIS...hahahahah..!!
Como você mesmo disse...é o seu sujeito se manifestando...é a diversidade do ser se materializando. É isso que eu prezo e talvez em algum momento ou em vários, tenha me expressado mal.
Expero que tenhamos essas difrenças por muito tempo, pois elas nos completam.
Um grande bjo...
e Parabéns por ser quem é!!
Jão!!!

João Paulo Leite disse...

Ah, não se esqueça que eu também tenho meus constrangimentos...rssss!!
Somos todos "sujeitos"
Bjão

MICHELE disse...

^^

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