terça-feira, novembro 09, 2010

A respeito do ENEM.

Eu fiz o ENEM em 2003, obviamente, no formato antigo de 63 questões e uma redação dissertativa. Lembro-me bem que achei a prova fácil, hoje não vejo dessa forma. Não é que era fácil, é que ela não tinha o objetivo de excluir, eliminar ou classificar, o ENEM era o que todo exame deveria ser, algo que avalia o seus conhecimentos. Depois que me tornei professora, percebi que a teoria que norteava o ENEM era a melhor em termos de avaliação. Questões com pegadinhas, que cobram conhecimento conteudista, decorebas, formulas e etc, servem para eliminar candidatos quando se tem poucas vagas e não avaliam de fato pois envolvem N fatores - sorte, acaso, nervosismo, preparo, classe social..etc etc etc..

E agora, vejo o que fizeram com esse pontinho de esperança de uma mudança inteligente no processo seletivo das universidades: um belo balde de água fria. Comprovando aquilo que eu já sabia e me dói confirmar: ninguém leva a sério a educação nesse país.

Desde que anunciaram as mudanças eu já imaginei que daria merda (nessa situação, só mesmo um português bem chulo pra mostrar a real) a decisão é feita em um ano e neste mesmo ano decidem implantá-la, é lógico que daria merda. E foram inúmeros os problemas, a prova que "vazou" (desculpem, mas não colou essa história) a indefinição com relação aos vestibulares e a descrença das principais universidades do país que decidiram por não adotá-lo. A reposta do público foi genial: mais de 40% de abstenção!!! O número se justifica e é uma forma de protesto - como confiar em um processo totalmente falho?

Ok, primeiro ano, a gente releva.Mas falhas banais como erro de digitação em um processo de avaliação que mobiliza o país inteiro é inadmissível.Falta de informação por parte dos ficais ao lidar com algo que poderia ser facilmente resolvido é patético. E agora a anulação da prova torna tudo um belo circo. Nunca um vestibular foi cancelado nem qualquer outro processo avaliativo - Saresp, Prova Brasil e etc. E então, o principal exame é simplesmente anulado devido a incompetência dos organizadores, lamentável.

Foi-se a esperança. As grandes universidades terão que manter o seu modelo tradicional e excludente de avaliação. Os dados expostos pelo ENEM vão continuar mostrando uma realidade forjada, as pessoas continuarão descrentes com relação a esse país, e tudo continuará sendo motivo de piada. Bem vindos ao país da piada pronta.

Resta-nos esperar que haja o mínimo de respeito com os milhares de jovens que se mobilizaram para realizar o exame e que outra alternativa exista além da anulação. Mas se esta acontecer e houver uma nova prova, eu mesma aconselharei todos os meus alunos da seguinte forma: não façam! Mostrem sua indignação e não se submetam um processo avaliativo falso. Gostaria de ver qual seria a reação dos representantes do MEC com um nível de 100% de abstenção. Aí sim, seria preciso fazer alguma coisa. Pra valer e com seriedade.  

2 comentários:

Alexandre disse...

Isso mesmo Sue Ellen, um exame que mobiliza um país inteiro, não pode ser tão falho quanto o ENEM é, isso é uma vergonha!

Barbara M disse...

Concordo em todos os pontos com você - exceto talvez, por achar que o problema é ainda maior.

Ano passado quando foi anunciado o Novo Enem não lembro de nenhum amigo comentar que estava feliz e é valido dizer que faço parte do grupo privilegiado de estudantes, além de ter estudado em excelente escola a vida inteira, hoje pago mais de um cursinho preparatório para medicina. O aluno preparado morre de medo do enem pq sabe que é falho e superficial.

Eu adoraria me dar o luxo de nao fazer uma possível nova prova, mas simplesmente nao posso, alias, eu acho que prefiro uma nov prova.
Talvez seja menos vergonhosa e nao seja verificado o uso de celular em banheiro durante a prova, vide o caso do jornalista recifense.

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