sábado, julho 09, 2011

Uma carta.

Jaguariúna, 09 de julho de 2011. 

Ma belle Paris... 


comment ça vas? 
Quanto tempo não? Já faz um ano! Tanta coisa aconteceu nesse tempo.. e ao mesmo tempo, nada. 
A saudade foi tanta neste dia que resolvi escrever. Você nem mesmo imagina como acordei tristonha nesse sábado frio aqui no Brasil (por incrível que pareça) em pensar que não pegaria minha mala e embarcaria para te ver. Não sei se você sabe, mas a saudade é um sentimento difícil de explicar, nem mesmo existe uma palavra em francês que possa substitui-la, mas eu posso lhe dizer que sei (ah, e como sei) que saudade dói. E é a dor mais difícil de fazer passar.. 
Não sei se fiz bem ou não, mas resolvi me pôr a escrever para lembrar de todos os momentos que passamos por aí. Sabe, nós temos o hábito de fazer isso, principalmente com a saudade: dói, mas mesmo assim é bom lembrar, é bom cutucar a dor, como diria um poeta português (muito bom, por sinal) "arde sem se ver..dói não se sente.."
Pois então, me diga, me conte! Diga-me se o céu de verão continua azul e sem nuvens! E os jardins? Tão floridos, tão belos, tão... perfeitos! Tenho certeza que ainda estão. Creio eu que o metrô.. bem, tem aquele probleminha né? Desculpe-me por falar assim tão sinceramente, mas convenhamos, como cheira mal não? E então,  o metrô continua o mesmo? Continuam os crepes deliciosos, os croissants e queijos saborosos, os vinhos baratos e a cerveja quente? (nem tudo é perfeito, não é mesmo?) No fim da tarde, ainda sentimos aquela brisa gostosa que refresca os dias quentes?
E as luzes? As encantadoras luzes que te tornam uma cidade mágica, elas continuam tão encantadoras? Parece tolo fazer todas essas perguntas.. parece óbvio, mas, s'il vous plaît, perdoe a minha tolice.. sou apenas uma apaixonada a um oceano de distância querendo ter a certeza de que tudo continua lindo, perfeito,  especial e incroyable!  
Você não imagina como me faz falta caminhar por suas ruas desvendando cada novo canto desta cidade. Como era bom me surpreender e estar envolta por aquela atmosfera tão charmosa, tão tão.. Paris! 
Era tão bom também sentar à beira do Sena, fazer piqueniques nos parques, aproveitar dos dias compridos de verão. Que delícia sentir a liberdade de ser como quiser sem olhares julgadores. Como era bom passar as tardes em um museu, ou um parque, ou uma igreja antiga, ou um cemitério (por quê não?) Como era bom ficar olhando incansavelmente para toda aquela paisagem lida e  admirar a Tour Eiffel iluminada. Já até imagino você dizendo "ah, meu deus, que tanto esse povo vê nessa torre..." também não sei, mas é linda, ué! 
Sinto falta da delicadeza francesa: "Bon jour, mademoseille", "Pardon, mademoseille" e até mesmo do ar sisudo, às vezes, mal humorado, sinto falta da pontualidade, da organização, da maneira de levar a vida com qualidade, sem essa loucura desvairada que é o nosso american way of life. Sinto falta de tudo que me fazia sentir realmente em um lugar que eu tanto sonhei. 
Pois é, como é bom lembrar de tudo, não? Como é bom lembrar das coisas que nos fizeram bem.. não há saudade mais gostosa do que aquela que temos dos bons tempos vividos! Queria sentir de novo tudo aquilo que senti durante todos os dias de julho do ano passado: a ansiedade, o medo, a alegria, a insegurança, a emoção, a felicidade, o cansaço, a realização.. Essas coisas que nos fazem sentir vivos, sentir que estamos fazendo algo de interessante, que a vida não é só um repetir das coisas, um ciclo vicioso, que o mundo é muito mais do que essa pequena cidade em que vivo. Como é possível que pessoas passem a vida inteira sem descobrir isso? Eu descobri e não consigo mais viver sem.  
Sei que talvez você nem sinta minha falta, afinal, são tantas pessoas que você conhece todos os dias, mas, antes que eu me esqueça, queria agradecer por mais esse capítulo da minha história! Foi o mais emocionante e mais belo, sem dúvida: Merci beaucoup! 
E me aguarde, pois, o quanto antes, espero visitá-la. Eu preciso visitá-la. Não aguentarei mais tanto tempo de saudades... 


Portanto, À bientôt 
Com carinho 
de uma brasileira de coração parisiense 
Sue 

Um comentário:

Juliana Siqueira disse...

Puta que o pariu Sue

É agora que eu deprime de vez...

Paris, tu me manques!